27 de janeiro de 2022

‘Manaus tem cultura empreendedora’, afirma Radyr Júnior

A prefeitura quer transformar Manaus num polo digital, agregando iniciativas que fomentem a criação de startups, uma estratégia para a geração de novos empregos e renda à população, segundo o secretário municipal de Trabalho, Empreendedorismo e Inovação, Radyr Junior.

A Terceira Feira do Polo Digital de Manaus faz parte dessa iniciativa, ressalta o secretário. E se ampara no potencial da economia solidária e criativa, um segmento que reúne uma diversificada rede de atividades no Amazonas, desde artesãos até empresas que operam, hoje, altas tecnologias.

“No ano passado, Manaus foi considerada a segunda maior cidade de cultura empreendedora do País. E precisamos trabalhar muito mais esse empreendedorismo”, destaca Rady Junior.

A feira será realizada de 9 a 11 de dezembro no Centro de Convenções Vasco Vasques, na avenida Constantino Nery, Flores, zona centro-sul de Manaus.  E é um dos maiores eventos de empreendedorismo e tecnologia da Região Norte. São esperadas mais de 50 startups e ainda investidores de diversos países.

Haverá um ciclo de debates com mais de 100 palestrantes renomados, rodas de conversas, espaços para gerações de negócios, anuncia o secretário. “A feira é exatamente isso. Ela tende a trazer o compartilhamento das boas práticas que acontecem no mundo inteiro”, afirma Radyr.

A feira está aberta para todos os segmentos, mas praticamente todo o setor de inovação tecnológica já se inscreveu na plataforma, disse o secretário. A inscrição poderá ser feita pelo site do Codese (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus), com participação híbrida – presencial e online.

O secretário participou da live ‘JC às 15h’, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.

JC – Vocês programaram um grande evento….

Radyr Junior – Sim, é a Terceira Feira do Polo Digital de Manaus. Foi instituída por um decreto que deve ser executado pela Semtepi utilizando os recursos do Fundo Municipal de Empreendedorismo.

Ela deveria ter ocorrido em outubro, mas foi transferida para dezembro por causa da pandemia.

JC – Sabemos que essa função tão importante de fomentar o empreendedorismo também estimula o artesanato, uma categoria que sofreu muito. Tem novidade para esse público?

Radyr Junior – Na Semtepi, temos a diretoria de economia solidária e criativa. Desde o início do ano, começamos a cadastrar os artesãos. Recebemos a secretaria, com apenas 21 cadastrados, hoje temos mais de 700. E também possibilitamos que eles comercializem os produtos.

Fazemos um trabalho de articulação com a Zona Franca de Manaus, com um fórum na secretaria. E conseguimos articular pra que esses artesãos vendessem seus produtos nas portas das fábricas.

E vimos que isso tinha resultado. Não estamos fazendo as microfeiras itinerantes, só em algumas estruturas públicas e outras privadas. Tudo que é vendido, a  equipe anota. Os próprios artesãos têm dado um feedback interessante pedindo permanência. Trabalhamos centrais permanentes de artesanato.

Teremos uma central na região do Mirante, ali no prédio da antiga Ceam, que será requalificado como um equipamento turístico. E também no local Casa de Praia, no antigo Papagaio, e ainda vamos reativar a feirinha da Ponta Negra.

JC – Isso mostra uma perspectiva bem melhor, já que existem 700 artesãos cadastrados. Com certeza, mais gente virá….

Radyr Junior – Sim, tem muito mais gente por aí. Este ano, nós iríamos fazer o primeiro grande feirão do artesanato da economia solidária e criativa da prefeitura de Manaus. Mas adiamos para o ano que vem por causa das festas de fim de ano.

Sabemos que esse segmento tem um espaço muito grande em nossa cidade. Tem os povos tradicionais, o pessoal do crochê, do pano de prato….

JC – Os bombons são bem criativos…

Radyr Junior – Isso. Sabemos que Manaus tem uma cultura empreendedora absurda. E falo isso nos meus discursos. No ano passado, Manaus foi considerada a segunda maior cidade de cultura empreendedora do País.  E precisamos ter esse pertencimento e trabalhar muito mais esse empreendedorismo

JC – Vemos duas vertentes. Os produtos regionais, tradicionais, e o emergente polo digital que se expande em Manaus. O que a terceira feira está trazendo de novidades?

Radyr Junior – O fundo diz que devemos utilizar os recursos para fomentar a feira e acompanhar os avanços da inovação e tecnologia. Então, a feira é exatamente isso. Ela tende a trazer o compartilhamento das boas práticas que acontecem no mundo inteiro.

Vai trazer empresas de cunho tecnológico para apresentar seus produtos. Já foi confirmado que teremos oito startups dentro da feira que vão apresentar soluções, por exemplo, para a piscicultura

Isso é muito importante para que a gente consiga digitalizar mais serviços com a otimização dos recursos e apresentar um atendimento melhor.

A prefeitura criou uma comissão de cidade 4.0 para que Manaus seja mais conectada. Para viabilizar serviços mais digitais e de forma mais rápida.

Na feira, vamos poder debater tudo isso, copiar as boas práticas, tendo os atores à disposição, para que a gente possa fazer um network e trazer para a administração pública soluções que vão fazer diferença na vida das pessoas

JC – Ao mesmo tempo pode ter um encontro do tradicional com o digital. E potencializar ainda mais os negócios…

Radyr Junior – Vamos ter um espaço para o e-commerce lá na central de artesanato da Ponta da Negra. E já viabilizamos a venda dos produtos tradicionais da economia solidária e criativa.

Então, é um momento novo, de uma economia digital. Sempre cito o exemplo dos bancos digitais que valem mais hoje que os bancos tradicionais que têm mais de 100 anos.

Os serviços digitais têm seu valor. Temos um e-commerce fixo nesse local para fazer com que os artesãos se aproximem mais desse mercado digital. Dando instruções para venda pelo WhatsApp, Instagram, pix, entre outros avanços tecnológicos voltados para a área

JC – Além de artesãos, empreendedores, existe um outro público que é alvo desse grande evento?

Radyr Junior – Temos uma relação de 6 mil empreendedores e também dando auxílio no momento da pandemia. Existe um programa vigente de aceleração de microempreendedores individuais que trabalha a viabilidade dos negócios.

O programa treina o empreendedor para que o negócio cresça e não morra. Desenvolvemos também a qualificação profissional dos empreendedores.

No ano que vem, pensamos empreender ações para a zona leste potencializar seu ambiente de negócios. A prefeitura pensa fortalecer essa cultura empreendedora que é muito forte.

JC – Vemos um grande crescimento de pessoas aderindo ao empreendedorismo para diversificar as atividades, saindo da informalidade. Vocês enxergam de uma forma positiva esse novo ambiente de negócios?

Radyr Junior – Manaus tem suas peculiaridades. É uma cidade-estado. Foi inaugurada uma empresa de logística de alimentos que é a quinta maior do mundo. Eles estão se instalando em Manaus. E não vieram antes por causa da mão de obra. Mas agora não tiveram esse problema

Focaram na qualidade. E deu certo porque a empresa aproveitou a nossa cultura empreendedora. Manaus tem isso impregnado. Manaus está para o Amazonas assim como o Amazonas está para o Brasil.

Se o Amazonas não se reinventasse na sua forma econômica, vamos falar de Suframa, ele morreria, iria sucumbir. Toda e qualquer atividade que envolva cultura empreendedora na nossa cidade e no Amazonas tem que ser fomentada.

A prefeitura vê que tudo isso tem que começar por incentivos. Não há avanços na zona rural, na agricultura, sem assistência técnica.

E não há avanços no empreendedorismo e no trabalho sem incentivos.

JC – Essa cultura empreendedora não é só na capital. Existe alguma ideia de chegar ao meio rural?

Radyr Junior – Sim. No mês passado, lançamos o empreendedorismo rural. A primeira  fase foi dar condições de trafegabilidade, os ramais estão intransitáveis, as crianças estão dormindo dentro do transporte escolar que fica no atoleiro.

Fizemos um convênio com a Seminf para melhorar as condições nos ramais da zona rural. E viabilizamos 200 mil litros de combustíveis. O programa está vigente. A primeira parte é dar trafegabilidade.

A segunda parte é dar condições para que o agricultor mecanize as atividades, compre sementes, para trabalhar melhor a terra, escavar um tanque para piscicultura.

E também temos um programa para a requalificação das áreas degradadas para torná-las produtivas.

JC – Temos uma polêmica sobre a realização do Réveillon, mas sabemos que esses eventos são importantes para fomentar a microeconomia. Como avalia a importância dessas iniciativas para viabilizar negócios?

Radyr Junior – Esses eventos são importantes. Movimentam a economia. Por exemplo, as três empresas que mais distribuem renda em Manaus são três sturtups – Uber, iFood e 99.

Se você tiver um evento, bomba com tudo isso. Potencialmente, os eventos podem contribuir muito para a nossa cidade. Mas é importante falar que não podemos esquecer o que vivemos no ano passado e início deste ano com a pandemia.

A prefeitura tem dito sempre que ao menor sinal de ameaça, algum problema com a Covid, ela vai retroceder em relação aos eventos. Temos que falar à população que o governo do Estado e a prefeitura fizeram eventos testes e não tivemos problemas.

Dados da Fundação de Saúde apontaram que em 21 dias do mês de novembro não tivemos nenhuma morte. Então, a decisão terá como base os dados técnicos sobre a pandemia. Precisamos fazer com que a cidade evolua, claro com toda a responsabilidade, o que tem sido feito ao longo do tempo.

A nova variante preocupa. O governo do Estado e a prefeitura colocaram barreiras sanitárias, estão acompanhando quem chega e sai da nossa cidade. E o prefeito diz que tomará a decisão correta em cima de dados científicos para não prejudicar ninguém.

JC – A decisão deverá vir até o dia 12….

Radyr Junior – Isso, provavelmente.

JC – Qual o público alvo da feira e como as pessoas podem se inscrever?

Radyr Junior – A feira é aberta. Percebi que o ecossistema de inovação já está inscrito. É só acessar o site do Codese (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus) para fazer a inscrição.

O Codese vai disponibilizar uma plataforma à população para que as pessoas possam se inscrever. A feira será realizada na primeira quinzena de dezembro – nos dias 9,10 e 11, no Centro de Convenções Vasco Vasques.

Será em formato híbrido – presencial e terá uma plataforma online que divulgará as ações da feira internamente.

JC – Pode escolher o modelo, presencial ou híbrido?

Radyr Junior – Sim. Sugiro que a população escolha um desses modelos porque é muito importante se conectar ao mundo sobre o que está acontecendo, os avanços tecnológicos.

JC – Durante muito tempo, se falou da burocracia envolvendo a questão do empreendedorismo. Mas temos uma boa notícia. Hoje, leva-se 23 horas, em média, para a abertura de uma empresa em Manaus. Como se conseguiu evoluir tanto nessa questão?

Radyr Junior – Foram os serviços digitais. Essa é a saída. Os países mais digitais do mundo pararam de ter problemas com burocracia. E começaram a dar incentivos e investir em infraestruturas.

O país mais digital do mundo tem, hoje, o seu transporte público coletivo 100% subsidiado. Ninguém paga ônibus lá.

Então, a digitalização dos serviços, a consciência em desburocratizar utilizando os avanços tecnológicos, fazem com que a gente consiga vencer essas barreiras.

Você tem a Redesim que funciona digital, a Jucea parou de atender presencialmente. Há um sistema desburocratizado para abertura de microempreendedores individuais.

Tudo isso tem facilitado para que as pessoas consigam se regularizar. Mais importante que se regularizar é se manter viável. Temos mais de 90 mil empreendedores que precisam ser assistidos, que não sabem prestar contas do que fizeram no ano inteiro, se são MEIS ou não. As pessoas precisam se requalificar. E a prefeitura quer tornar mais digitais os serviços públicos.

JC – Quais as perspectivas de sua secretaria para o próximo ano?

Radyr Junior – Este ano, foi de planejamento. Tateamos muito com as nossas atividades, mas conseguimos implementar muitas coisas. Existe uma nova perspectiva na utilização de recursos.

Dinheiro público é material de expediente. No ano que vem, pode- se esperar cursos de qualificação mais assertivos, evolução tecnológica no distrito de inovação.

Trazendo startups e empresas. Queremos formar pessoas para montar negócios aproveitando a cultura empreendedora. A Semtepi vai se espraiar onde Manaus é menos densa, precisamos avançar nas zonas norte e leste.

Temos o empreendedorismo rural, o empreendedorismo nas escolas, com a economia criativa, com as centrais de artesanato. Mais relação com o Distrito, precisamos fazer incubadoras sérias para aumentar e fomentar os negócios. Já planejamos, lançamos tudo isso, e ano que vem vamos colocar em prática.

JC – É fundamental essa interação com as escolas para saber empreender desde cedo…

Radyr Junior – Obviamente. A parte do poder público que consegue alcançar mais a população é através das escolas. Temos mais de 500 escolas na rede municipal de ensino. É importante você trabalhar uma cultura de empreendedorismo dentro das escolas. E uma consciência tecnológica é muito importante porque você  permite que a criança acompanhe os avanços tecnológicos. Você também pulveriza a atuação do poder público junto aos pais dessas crianças. Atuar com empreendedorismo e inovação dentro das escolas é o melhor dos mundos.

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