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Setor de Serviços desaba da 13ª para a 24ª posição do ranking do IBGE

Os serviços do Amazonas cavaram mais fundo e emendaram seu segundo mês consecutivo de queda em março. O setor mergulhou 5,9% ante fevereiro, reforçando a retração anterior (-0,4%), e no maior tombo desde novembro de 2022 (-7,4%). A comparação com março de 2023 mostrou um recuo de 2,6%, embora insuficiente para eliminar o acréscimo vitaminado de fevereiro (+10,9%). O Estado foi na contramão da média brasileira na variação mensal (+0,4%) – que cresceu em quase todas as atividades –, mas acompanhou sua variação anual (-2,3%) – depreciada por transportes e “outros serviços”. 

As empresas do Amazonas tiveram elevação de 5,5% no trimestre e subiram 1% no acumulado dos últimos 12 meses (+1%). Em todo o país, os serviços pontuaram altas de 1,2% e 1,4%, na ordem.  e disseminadas em todas as atividades – com destaque para informação e comunicação; serviços profissionais, administrativos e complementares; e serviços prestados às famílias. Os dados são da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em março, o indicador ficou 12,1% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 1,5% abaixo do pico da série histórica (dezembro de 2022).

Diante dos números brasileiros, a CNC revisou para baixo suas projeções para o setor. Em comunicado à imprensa, a Confederação Nacional de Bens, Serviços de Turismo) aumentou suas apostas para os serviços em 2024, corrigindo a projeção de alta de 1,9% para 2%. Também elevou suas expectativas para a alta do turismo, de 2,2% para 2,4%. A entidade avalia que a aceleração de março, em âmbito nacional, reverteu parcialmente as perdas anteriores – impactadas pelo repique inflacionário –, e indica um “crescimento consistente” para o setor.

Vale destacar que, apesar das oscilações, os serviços ainda são os maiores empregadores do Estado e continuam contratando. Dados do Novo Caged informam que, em março, o setor gerou 894 vagas formais no Amazonas e avançou 0,37% nos estoques, embora o dado já tenha vindo mais fraco do que o de fevereiro (+2.054). As vagas se concentraram principalmente nos grupos que reúnem a administração pública (+432) e transporte, armazenagem e correio (+412). O setor como um todo abriu 3.190 vagas (+1,33%) no Amazonas, no primeiro trimestre.

Estados e atividades

Com a queda de 5,9% no volume de serviços perante fevereiro, o Amazonas desabou da 13ª para a 24ª posição do ranking do IBGE, em meio a 14 resultados negativos. O melhor desempenho veio de Tocantins (+11,8%) e o pior, de Mato Grosso do Sul (-9,7%). Em relação ao mesmo mês de 2023, o Estado (-2,6%) caiu da quarta para a 12ª colocação, em um rol encabeçado (+14,6%) e encerrado (-16,4%) pelas mesmas unidades federativas. No trimestre (+10%) os serviços amazonenses desceram da segunda para a sexta colocação, com Acre (+9,9%) e Mato Grosso (-5,6%) nos extremos.

A despeito do IPCA bem mais ameno de março (+0,12%), o descolamento da receita nominal em relação ao volume de serviços do Amazonas foi significativo. A variação mensal do faturamento do setor a preços correntes (-3,1%) caiu com menos força e veio menor do que a perda do mês anterior (-4,4%). Já a comparação com março de 2023 ficou no campo positivo, mostrando um aumento de 2,4%. Ainda assim, os acumulados do ano (+11,6%) e dos 12 meses (+5,6%) foram enfraquecidos. A média nacional (+1,8%, +1,7%, +5,4% e +5,1%) avançou em quase todas as frentes.

O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos. Em âmbito nacional, o pequeno progresso mensal (+0,4%) veio de quatro das cinco atividades investigadas mensalmente: informação e comunicação (+4%); serviços profissionais, administrativos e complementares (+3,8%); transportes (+0,3%); e serviços prestados às famílias (+0,6%). Já o segmento de “outros serviços” (0%) ficou rigorosamente estável. Correndo por fora, as atividades turísticas tiveram variação positiva de 0,2%.

“Luz amarela”

O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, destacou que a “queda bem acentuada” de março gerou “forte redução” nos acumulados dos serviços amazonenses. “Ambos ficaram abaixo da média nacional. Impulsionada pelas boas vendas ocorridas em janeiro, a média móvel trimestral de março ficou quase 1,5%, gerando boa expectativa quando a atividade voltar a vender bem nos próximos meses. No entanto, os altos e baixos do período, não permitem a certeza de que haverá aumento de vendas”, ressalvou.

Na análise da ex-vice-presidente do Corecon-AM e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, os números do IBGE indicam que as empresa de serviços do Amazonas “estão com o freio de mão puxado”, embora lembre que o resultado era previsto por analistas de mercado, no final de 2023. A economista considera que os números acendem uma “luz amarela”, já que os serviços são respondem por quase 70% das empresas e 30% do PIB – levando em conta parâmetros nacionais

“No caso do Amazonas a queda registrada para o terceiro mês do ano posiciona a economia estadual entre as que apresentaram piores desempenho, e imprime um cenário desafiador para as empresas e para a economia estadual. Entre as prováveis causas, levantamos o enfraquecimento da demanda provocada pela incerteza do mercado e pela insuficiência de renda das famílias. Dada a conjuntura macroeconômica a tendência é que o setor de serviços inicie uma trajetória modesta de recuperação já no próximo trimestre”, analisou.

“Caminho de crescimento”

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, demonstrou à reportagem do Jornal do Commercio que se surpreendeu com o desempenho negativo do setor no Amazonas. “É muito difícil precisar quais os motivos para essa queda. Pode ter havido uma diminuição drástica no subsetor de transportes, ou dos serviços profissionais, administrativos e complementares. Mas, eu identificaria como fator principal a redução de todas as atividades ligadas ao turismo, que tem atividade mais intensa entre dezembro e fevereiro”, estimou.  

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, o presidente da entidade, José Roberto Tadros, se mostrou mais otimista. “Os dados [nacionais] indicam um caminho de crescimento consistente para os setores de serviços e turismo em 2024, mas que depende, ainda, da manutenção do ritmo de redução das taxas de juros”, concluiu. Ele ressalva que a economia brasileira ainda enfrenta desafios, manifestados na incerteza do cenário externo e na “necessidade de uma política monetária que reforce a dinâmica desinflacionaria”.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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