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Capitão Alberto Neto defende agenda liberal e choque de ordem para Manaus

Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

A associação PanAmazônia deu prosseguimento à sua agenda de reuniões com os pré-candidatos à Prefeitura de Manaus, nesta quinta (16). Desta vez, o sabatinada foi o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM). A entidade sem fins lucrativos representa parte significativa do empresariado dos Estados amazônicos, e busca maior interlocução com os políticos que estão no páreo das eleições municipais das capitais regionais neste ano, além de apresentar a eles as expectativas e recomendações do setor produtivo.

Já em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, o parlamentar tem sua pré-candidatura apoiada pelo ex-presidente e correligionário, Jair Messias Bolsonaro (PL-RJ), que esteve neste mês em Manaus para prestigiar o político. Na conversa com os empresários, o pré-candidato falou de sua vida empresarial e defendeu que Manaus precisa se modernizar mediante uma agenda liberal, além de sofrer um “choque de ordem” em questões econômicas, ambientais e de segurança pública, com “mais transparência”.

O parlamentar foi o quarto pré-candidato do pleito deste ano a ser ouvido pela PanAmazônia, sendo precedido pelo deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza), pelo deputado federal Amom Mandel (Cidadania), e pela empresária Maria do Carmo Seffair (Novo). Ele está no páreo com pelo menos mais sete concorrentes. Além dos três citados, e do atual prefeito David Almeida (Avante) –que busca reeleição –, também concorrem ainda o presidente da Aleam e deputado estadual Roberto Cidade (UB); o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT); e o advogado Marcelo Amil (PSOL). 

“Estado enxuto”

Capitão Alberto Neto iniciou sua apresentação definindo-se como um liberal, do ponto de vista econômico. “[Defendo] um Estado cada vez mais enxuto, dinâmico, eficiente. Entendemos que quem desenvolve a cidade são vocês, empreendedores. E, com maior crescimento econômico, conseguimos reduzir a pobreza. É assim que funciona no mundo todo, e é assim que vai funcionar em Manaus. A geração de emprego é que muda a vida das pessoas. Não existe melhor programa social que esse: a pessoa trabalhando, levando sustento para casa, trazendo prosperidade para sua família, tendo perspectiva de crescimento”, asseverou.

Ao falar de seu currículo, informou que é bacharel em Direito e Segurança Pública, além de contar com especializações em Ciências Jurídicas, Docência do Ensino Superior e Gestão Pública (pela Universidade do Estado do Amazonas). “Comecei minha carreira como professor de Matemática. Depois, ingressei na segurança pública, como oficial da polícia, e passei pela docência na universidade. Tornei-me deputado federal por uma demanda por mais segurança, não apenas em Manaus”, contou.

Sobre seu trabalho no Congresso, o político aponta que conta com quatro projetos aprovados neste ano, sendo que dois envolvem a ZFM. “Muitos aqui são do comércio, que cresce com o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. Para a indústria, aprovamos um projeto cobrando agilidade na aprovação do PPB, pois tivemos casos de processos que demoraram três anos para serem aprovados. O outro é para a prorrogação da Lei de Informática, que é um grande mercado que temos, consolidando o polo de informática de Manaus. Os incentivos acabariam em 2022, mas conseguimos estender por mais 50 anos”, informou.  

“Choque de ordem”

Vice-líder do governo Bolsonaro (2019-2022) na Câmara dos Deputados, Capitão Alberto Neto conta que trabalhou vários marcos legais da economia brasileira durante a legislatura anterior, destacando a Lei de Liberdade Econômica (13.874/2019). “Queremos um viés liberal. Vamos digitalizar os processos, incluindo alvarás, licenciamentos ambientais, e torná-los o mais ágil possível. Vamos trazer do marco legal da Lei de Liberdade Econômica alguns licenciamentos prévios, permitindo que o empresário possa dar início à obra, sem ter de esperar pelo carimbo municipal. Depois, a prefeitura verificará se tudo está sendo feito de acordo com as normas técnicas”, exemplificou. 

Defendeu que o prefeito não pode estar alheio ao esforço de trazer investimentos para o PIM. “Paramos no tempo. Precisamos de um prefeito que vá ao mercado internacional para trazer mais indústrias para nosso Polo Industrial de Manaus. Estamos conseguindo sobreviver à reforma Tributária e temos possiblidade de ampliar a ZFM, que hoje é de substituição de importações, para trazer um viés de exportação. Com [a liberação do] potássio, temos um futuro brilhante para nosso Estado. Temos também gás natural. Precisamos transformar todos esses negócios em uma indústria”, enfatizou. 

O pré-candidato aponta oportunidades na agenda ambiental para atrair investimentos à cidade. “Somos o quinto maior PIB do Amazonas [entre as capitais]. Estamos no coração da Amazônia e o mundo todo fala da importância da floresta para as questões climáticas. As oportunidades para captar recursos são gigantescas, mas não conseguimos fazer a lição de casa, na recuperação de nossos igarapés, e no tratamento do lixo – que deve ser uma riqueza e n ao um problema. Precisamos dar um choque de ordem na questão dos flutuantes também”, afiançou.

Em sintonia com os anseio empresarial, o deputado federal também defende um “choque de ordem para o Centro da cidade, que sofre pela “insegurança e falta de atratividade”. Destacou iniciativas de outras capitais brasileiras – como São Paulo (SP) e Recife (PE) –, que podem ser trazidas a Manaus, como a concessão de incentivos de IPTU e ISS e o fortalecimento das startups e o polo digital da cidade. “Temos um fundo da prefeitura que pode ajudar na revitalização do Centro. Além de infraestrutura e segurança, precisamos trazer negócios para lá e mostrar que é um lugar muito atrativo”, sintetizou.

Diálogo sem posicionamento

Capitão Alberto Neto disse que plano ainda está aberto a sugestões. Assim como no encontro anterior, o pré-candidato recebeu uma carta com uma agenda de 12 pontos essenciais para a entidade. A lista inclui eficiência da gestão pública; economia e retorno do investimento público; enxugamento da máquina administrativa; liberdade econômica e segurança jurídica; redução da carga tributária; celeridade na emissão de licenças; diálogo permanente com o setor empresarial; regularização de imóveis; tratamento equânime aos profissionais liberais no âmbito do ISS; regulamentação das APPs; restauração do Centro Histórico com inserção no turismo internacional; e obras para melhoria do trânsito e infraestrutura fluvial.

O diretor executivo da Associação PanAmazônia, Belisário Arce, ressalta que a entidade não tem posição partidária e também não faz nenhum convite formal a nenhum dos pré-candidatos, reservando a estes a iniciativa do debate. “Como é de conhecimento de todos, a entidade abriu espaço para que todos os candidatos possam vir e conversar com nossos associados. Hoje, a PanAmazônia tem 170 empresas associadas, que representa uma parcela considerável da região. O espaço está aberto a todos”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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