22 de maio de 2022
é geólogo, analista ambiental e professor doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia
é geólogo, analista ambiental e professor doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia

Daniel Nava

Na trilha da educação

Todos os que experimentaram a educação têm na figura do professor um mediador da luz do conhecimento.  Não somos uma nação que valoriza o professor e, mais recentemente, temos acompanhado nas redes sociais milícias digitais reproduzindo propostas deprimentes de parlamentares que exigem, por exemplo, exame de toxicologia aos profissionais da educação… O gesto reforça o quão doente está essa minoria social, muito estridente no afã da lacração e revela, infelizmente, que já passamos em muito da medida. Desde Paulo Freire e Darcy Ribeiro aprendi o sentido revolucionário da educação. Cito eles, pois, demonstraram em suas histórias de vida e escritos

Barcelos, a velha Capital do Rio Negro

Escrevo de Barcelos, margem direita do rio Negro, a maior bacia hidrográfica de águas pretas do mundo.  Fundada em 1728, com um território de 122.476 km2, elevada à primeira sede da Capitania de São José do Rio Negro em 1758, possui mais de 25 mil habitantes segundo o último censo de 2010. Hospedei-me num prédio de arquitetura antiga, pé direito elevado, ao lado da igreja de Nossa Senhora da Conceição. Caminhando pela rua do beiradão é possível reconhecer alguns prédios históricos, destruídos pelo tempo e pelo descaso, retrato da falta de respeito à história da velha capital. Nas escadarias, o

O exterminador Agente Laranja ronda a Amazônia 

Na década de 1960, quando nasci, o exército norte-americano perdia a guerra contra o Vietnã, revelando ao mundo uma arma militar biológica – o agente laranja, tão atroz quanto as justificativas do conflito. Milhões de litros do desfolhante foram despejados naquele país, contaminando florestas, campos de arroz e até hoje, passados mais de 50 anos, há indícios nos solos e sedimentos dos restos tóxicos (de onde, infelizmente, entram na cadeia alimentar) deixados pela insanidade belicosa do Homem. O tema foi tratado em uma reunião com o presidente da Câmara de Comércio Vietnã Brasil – VIBRA, Flávio Zacher, considerando nossa preocupação,

Mineração de ouro em pequena escala é possível? 

Enquanto garimpo representar ausência de pesquisa mineral, por maior que seja a causa social envolvida, só poderemos cunhar Mape (mineração artesanal de pequena escala) a partir do investimento básico em levantamento geológico, monitoramento ambiental e extensão mineral. Penso assim tendo por base situações espalhadas pelo Brasil ao longo do tempo, como a mais recente, na região da província aurífera do Tapajós que, segundo dados do ZEE (Zoneamento Ecológico Econômico) da BR-163, reunia, no local, população superior a 100 mil garimpeiros. A insustentabilidade do garimpo é imposta pela lavra anterior ao reconhecimento, pela sorte ao invés da engenharia, pelo oportunismo em

Administrar é chegar antes

O título se inspira em Paiva Netto, diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Sua aplicação diária no movimento de assistência social e espiritual genuinamente brasileiro (a LBV nasceu no Brasil em 1950) é reconhecida por milhões de pessoas atendidas, testemunhas vivas do valor de cada ação filantrópica que não distingue classe, gênero e/ou raça. No planejamento, “chegar antes” pode ser entendido no desenvolver cenários prospectivos cuidadosamente pactuados por dados históricos levantados e por diagnósticos analisados à luz do conhecimento construído no dia a dia. Infelizmente, a prática do planejamento no Brasil tem sido, há muito, esquecida num mundo contemporâneo

A busca do bem-viver Mura

“A Geografia é uma ‘senhora’ onde todos brigam pelo território”. As palavras do professor Marcos Castro, da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, proferidas durante o evento com representantes do povo Mura, soam como alerta aos que reduzem as Terras Indígenas àquelas que se encontram demarcadas.  Quando se respeita a territorialidade e a cultura que nela produz bens materiais e imateriais, ganha-se uma licença não outorgada pelo Estado, o reconhecimento social como legado. Boa parte do que tenho, acadêmica e profissionalmente, devo a UFAM. Fiz o mestrado na primeira turma do Centro de Ciências do Ambiente (CCA) em 1999 (ano

Novas matrizes econômicas, novas recomendações…

Fui provocado pelo jornalista Marco Dassori a emitir minha opinião sobre o tema novas matrizes econômicas no Amazonas e dificuldades de atração desses investimentos de risco ao seu desenvolvimento.  Esse tema vem sendo debatido pelo Governo do Amazonas, nas ações de defesa da manutenção das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus – ZFM, no âmbito do decreto que reduziu o IPI. Foi também inserido num documento encaminhado pela Secretaria do Estado da Fazenda do Amazonas – SEFAZ, ao Ministério da Economia, onde destaca-se, como potencialidade, a mineração (especialmente, a extração do gás natural e do potássio). O que pode

Eu vi minha Mãe rezando… 

No mês de março, que ora finda, lembramos das mulheres e da água, recursos vitais à sobrevivência dos sapiens na Terra. Quem estuda a Geologia histórica entende que a vida nasceu na hidrosfera, há alguns bilhões de anos atrás. Quero dedicar o presente artigo a minha mãe, legionária da Boa Vontade, Abigail Borges Nava (1932-2013), que nunca me deixava esquecer de uma sentença curativa, especialmente, quando tínhamos que atravessar uma rua, ou caminho sombrio: “é melhor perder um minuto na sua vida, do que perder a sua vida em um minuto”. Só um olhar materno poderia comungar a máxima expressão

Interdependência, paridade e grandeza 

No seu livro “A Amazônia e a Zona Franca de Manaus – ZFM”, Juarez Baldoino da Costa propôs que ambas possuem “caminhos independentes”. Permita-me discordar, caro amigo Juarez Baldoino da Costa. Minha antítese, que faço a ti, é: a Amazônia e a ZFM possuem caminhos INTERDEPENDENTES. Entre tantas pontas soltas de reflexão sobre a Amazônia, aqui refletidas na discordância com a nomenclatura independência e interdependência, urge o aprimoramento das redes, organizações e indústrias aqui instaladas, naquilo que em governança socioambiental local chamamos de RSC (Responsabilidade Social Corporativa). Em alusão ao Dia Mundial da Água (22 de março) e analisando os

Algumas recomendações à Amazônia em tempos de guerra.

No último dia 15 de março de 2022 foi batizado, nas águas do rio Negro/Amazonas, o barco de pesquisa Roberto dos Santos Vieira, com a honrosa presença da sua esposa e filho. Por acreditar na imortalidade do Espírito, não uso o termo viúva. Uso das palavras de meu tio, Josué Borges, a homenagem que ele fez ao meu avô, em nosso grupo familiar de WhatsApp: “HOJE 15 DE MARÇO SERIA ANIVERSÁRIO DO MEU PAI JÚLIO BORGES DE SANTANA. ELE NASCEU EM 1901 E NATURALMENTE NÃO PODERIA ESTAR AQUI. MAS, EU SEI QUE ELE NÃO MORREU. SEI QUE ELE FOI PARA

Mulheres em tempos de guerra

Tenho o hábito de acordar na madrugada, ligar meu bom amigo radinho de pilha, sintonizando na programação da Super Rede Boa Vontade de Comunicação, que, em Manaus, pode ser alcançada na frequência AM 610. Hoje, ouvindo as palavras do Irmão Dr. Adolfo Bezerra de Menezes (Espírito) pela psicofonia do legionário da Boa Vontade Francisco Periotto, exaltava-se o protagonismo das células femininas na história e cuidado de suas famílias. Não é à toa que nos soa suave, gentil e afirmativo concluir que a ‘Família Humanidade’ é formada pelas mulheres e a prole delas… Em certo momento da gravação, o cearense de

Flores, em vez de mísseis

O título é uma reflexão do presidente da Legião da Boa Vontade – LBV, José de Paiva Netto, da década de 1980, quando o mundo discutia a ‘guerra fria’. Imaginem, caros leitores e leitoras, se a nossa loucura civilizatória contemporânea permitir que a transformemos em uma ‘guerra quente’… e suas catastróficas consequências! Nas guerras, não há vencedores. Por isso, a LBV busca promover o desarmamento dos corações através da maior de todas as armas disponíveis aos seres humanos: o amor, e a prática deste amor, a caridade. Conversava com o irmão legionário, prof. Nilton Duarte, autor da música que leva