30 de junho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Caderno: Memória JC

O legado incomparável de Guilherme Aluízio de Oliveira Silva (1937-2019)

         O jornalismo brasileiro passou por profundas transformações na década de 1950. Os jornais se tornaram empresas organizadas. Foram introduzidos novos maquinários, novas técnicas e linhas editoriais. Os jornalistas passaram a buscar cada vez mais especializações, atualizando-se nas mais diferentes áreas. Um desses jornalistas era o jovem Guilherme Aluízio de Oliveira Silva (1937-2019), que muito antes de ser um grande empresário do ramo da comunicação, proprietário do centenário Jornal do Commercio de Manaus, iniciou sua carreira na imprensa em 1955, aos 18 anos, no extinto jornal A Gazeta, à época propriedade do político Arthur Virgílio Filho (1921-1987).          Nesse periódico

O Avião DC-3 da Praça da Saudade

Quem viveu entre o final da década de 1970 e o início da de 1980, em Manaus, deve se lembrar do avião que existia na Praça da Saudade, no Centro da cidade. O avião, modelo DC-3 doado pela Varig/Cruzeiro (Viação Aérea Rio-Grandense), foi colocado na Praça da Saudade no dia 24 de dezembro de 1977 durante a administração do Prefeito Jorge Teixeira de Oliveira. Nele existia uma placa com as seguintes inscrições: “A presença discreta e silenciosa desta aeronave na principal Praça de Manaus, com a sua prôa significativamente voltada para os céus, servirá também para lembrar o sentido mais

A antiga Travessa dos Inocentes, em Manaus

No período Colonial brasileiro os enterros seguiam uma hierarquia. Enquanto os administradores públicos, membros do Clero e da elite eram enterrados no interior das Igrejas, próximos do altar, em seus átrios e em catacumbas, os escravos, criminosos, não-cristãos, suicidas, pagãos e pessoas humildes eram sepultados em terrenos improvisados, em valas comuns ou atirados nas estradas ou no mar, estes últimos casos sendo frequentes com os escravizados. Poderiam ocorrer exceções caso a pessoa, escrava ou livre de baixa renda, fizesse parte de alguma Irmandade Católica que possuísse capela própria ou um lugar reservado em Igreja Matriz para realizar os enterros de

Resenha: ‘Manaus: amor e memória’, de Thiago de Mello

Me acompanhou em setembro de 2020 o livro ‘Manaus: amor e memória’, do poeta Thiago de Mello (n. 1926). Compartilho agora, passados quase seis meses, minhas impressões sobre esse trabalho. Nele o escritor nos leva para a Manaus de sua juventude, entre as décadas de 1930 e 1940 (vez ou outra regredindo à década de 1920 e avançando até a de 1950), a cidade que vivia tempos amargos mas que continuava risonha, à espera de dias melhores. É uma obra memorialística, mas não da forma tradicional que conhecemos, em que se tenta afirmar um passado idílico, como o autor deixa

ZFM: 54 anos no coração da Amazônia

Terminado o ‘boom’ da economia gomífera (1890-1920), o Amazonas se viu mergulhado em uma crise sem precedentes. A borracha asiática dominava o mercado mundial desde 1913. Em 1920 a produção de borracha brasileira foi de 30.790 toneladas, enquanto a asiática foi de 304.816 toneladas. Uma breve recuperação veio com a Segunda Guerra Mundial. Entre 1942 e 1945 o Amazonas se viu inserido nesse conflito. Em 1941 o Japão atacou bases Aliadas americanas e britânicas no Pacífico, dominando logo depois as colônias asiáticas produtoras de borracha. Sem acesso a essa matéria-prima, útil à indústria bélica e manufatureira, os Aliados voltaram suas

Vida cultural na Manaus provincial: Sociedade Harmonia Amazonense

A Sociedade Harmonia Amazonense foi instalada na noite do dia 04 de abril de 1869 na casa do Sr. José Antonio da Costa, seu primeiro Presidente. O evento foi bastante concorrido, contando com a presença de seleto grupo. O jornal Amazonas registrou que as jovens disputavam entre si o título de Rainha do Baile, e os jovens aproveitavam para se deleitar com suas belezas, além de convidá-las para contradanças. Foram servidos doces, chás e licores. O baile terminou às 2 horas da madrugada (AMAZONAS, 06/04/1869, p. 04). Naquelas longínquas décadas de 1860 e 1870, constituía-se em um dos poucos, senão

Vida e Morte dos Igarapés e Balneários de Manaus – 2° Parte

As obras do Balneário do Parque 10 de Novembro tiveram início em 10 de novembro de 1938 por ocasião do aniversário de um ano do Estado Novo, na administração municipal de Antônio Botelho Maia (1937-1940), irmão do Interventor Federal Álvaro Botelho Maia. As obras foram continuadas na administração de Paulo de La Cruce Grana Marinho (1940-1942), tendo o Balneário sido inaugurado em 19 de abril de 1943, dia do aniversário do Presidente Getúlio Dornelles Vargas, pelo prefeito Antóvila Mourão Vieira (1942-1944). Ocupando uma área de 50 hectares ao norte da Vila Municipal (Adrianópolis), era recortado pelas águas do Igarapé do

Vida e Morte dos Igarapés e Balneários de Manaus – 1ª Parte

A relação do homem com a natureza é ambígua. Ao mesmo tempo em que dela necessita para a manutenção do meio em que vive, também lhe destrói em nome da satisfação material. Foram poluídos ou desapareceram nessa onda de devastação os igarapés e balneários de Manaus, elementos que por muitas décadas fizeram parte do cotidiano de seus habitantes, que neles encontravam um refúgio para o descanso e lazer nos finais de semana. O igarapé, do tupi ygara (canoa), apé (caminho), como revela sua origem etimológica, foi o caminho do habitante primitivo do que viria a ser a cidade. Em suas

Resenha: História do Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon

Resenha: História do Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon

Os homens letrados do século XVIII tinham um enorme talento na arte da escrita, talento esse por nós conhecido através das obras de Montesquieu, Voltaire, Rosseau e Diderot. O inglês Edward Gibbon (1737-1794) faz parte desse hall de iluministas, posição alcançada pela produção da monumental História do Declínio e Queda do Império Romano. Poucas são as obras que fazem sucesso imediato ao ser publicadas. Em 1776 o primeiro volume de Declínio e Queda foi recebido de forma ambígua, entre a crítica dos conservadores e o entusiasmo dos mais liberais, mas tornou-se um sucesso de vendas. O advogado e biógrafo escocês

Rua Rui Barbosa

Rua Rui Barbosa

A rua Rui Barbosa, de apenas 2 quarteirões e uma das mais antigas de Manaus, tem início na Avenida Sete de Setembro, do lado do Colégio Amazonense Dom Pedro II, atravessando a rua Henrique Martins e terminando na rua Saldanha Marinho. Até ser conhecida pelo nome atual, teve outros cinco. Seu primeiro nome foi rua do Curral ou do Curral das Éguas, nomenclatura de origem popular que “lhe adveio da concentração de mulheres erradas (que se prostituíam)” (JORNAL DO COMÉRCIO, 17/06/1976) naquela parte da cidade conhecida como bairro da República, fronteiro ao bairro do Espírito Santo, desde os primeiros tempos

Travessa Tabelião Lessa

Travessa Tabelião Lessa

Localizada entre as ruas dos Barés e Barão de São Domingos, do lado do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, na zona portuária do Centro da cidade, a Travessa Tabelião Lessa passa quase que despercebida pelos milhares de transeuntes que todos os dias frequentam aquela área. Não fosse uma placa com letras brancas e fundo azul, já teriam esquecido por completo que aquela pequena via possui nome. Sua história começa em 1918. Em 19 de março daquele ano, em sessão no Conselho Municipal, o Intendente Dr. Fulgêncio Martins Vidal apresentou um projeto de lei que dava o nome de “[…] Tabelião Lessa

A Odisseia de um Seringueiro – 2° Parte

A Odisseia de um Seringueiro – 2° Parte

A mãe ouviu os tiros e correu em socorro das filhas. Elas acabaram sendo presas junto de um amigo de seu marido, de nome Amâncio, que estava nas proximidades e tentou socorrê-las. Depois de um grande cerco na área, o restante dos seringueiros foi preso, com exceção de um que estava em uma estrada desconhecida pelos homens. Eles saquearam a casa, levando o pouco que havia. Saíram dali com seus prisioneiros: a mulher e filhas de Moraes, os seringueiros e suas famílias. José Moraes não morreu, mas estava bastante ferido. Auxiliado pelo seringueiro que não foi encontrado, se dirigiu até