Trabalhadores de supermercados pedem nova rodada de negociações

A poucos dias do indicativo de greve, inicialmente marcado para este domingo (20), os trabalhadores do segmento supermercadista amazonense resolveram suspender as paralisações previstas e solicitar uma nova rodada de negociações com os sindicatos laborais do varejo e do atacado, no Amazonas, marcada para dia 18 de janeiro. A informação foi concedida pelo Sindecvargam (Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista, Atacadista e Representantes de Gêneros Alimentícios de Manaus), nesta sexta (18).

Correndo por fora, a rede de supermercados e hipermercados DB – responsável por perto de 35% das lojas do segmento no Estado – está fechando um acordo diretamente com o sindicato laboral, conforme informações do próprio Sindecvargam e do Sindivarejista (Sindicato do Comércio Varejista no Estado do Amazonas). A previsão é que o grupo passe a pagar a seus trabalhadores, a partir do dia 1º de janeiro de 2021, um valor de 110% a título de hora extra, mais uma cesta básica de valor médio de R$ 80. 

Até então, as negociações entre patrões e empregados do segmento supermercadista e atacadista amazonense permaneciam empacadas, durante quase quatro meses. Desde agosto – mês da data base da categoria, o Sindecvargam já teve várias reuniões com o Sindivarejista e com o Sincadam (Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Amazonas. Nesse meio tempo, a entidade trabalhista promoveu pelo menos uma paralisação relâmpago, em 15 de setembro, em um grande hipermercado de Manaus.

O nó da questão é que, embora as empresas já tenham aceitado o reajuste pedido, querem se restringir às cláusulas econômicas, em face das perdas impostas pela crise da covid-19 e da alta de custos pelo repique inflacionário. Os trabalhadores, por sua vez, também se baseiam na pandemia para embasar seus argumentos e não abrem mão do plano de saúde/odontológico, nem do reajuste do ticket de refeição, de R$ 11,50 para R$ 14.

O Sindivarejista já havia concordado em subir a proposta inicial de 2% para os 3% para os comerciários que recebem acima do piso salarial, assim como corrigir o valor mínimo pago à categoria dos atuais R$ 1.133 para R$ 1.166,99. No caso do auxílio alimentação (R$ 11,50), o sindicato patronal aceitou sair do congelamento proposto anteriormente, mas não aceita ir além de R$ 11,84. Mas, o plano de saúde/odontológico seguem rejeitados pelas empresas.

“Situação pacificada”

Diante do impasse prolongado, o presidente do Sindecvargam, Amarildo de Souza Rodrigues, optou pelo retorno às conversações, em ação que deve ser formalizada, a partir desta segunda (21). “Tivemos uma conversa com os sindicatos patronais e ficou marcado que vamos aguardar até o dia 18, quando deve ocorrer uma nova rodada de negociações. Diante dessa nova discussão sobre as cláusulas do plano de saúde e odontológico, ficou acertado que a situação volta a ser pacificada e a gente não vai mais fazer as paralisações previstas para o dia 20”, contou. 

Sobre as conversas com o grupo DB, o dirigente esclarece que, embora os termos estejam certos para o dia 1º, a formatação do acordo ainda está em negociação na CCT e no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho). Amarildo Rodrigues destaca ainda que suas expectativas são positivas para essa nova rodada e que “Esperamos que as empresas e sindicatos patronais mostrem interesse em negociar, tendo em vista que agendaram nova data para retomada das negociações do plano de saúde e odontólogo”, complementou.

Ação na Justiça

Conforme o presidente da Comissão de Negociação para os Comerciários, Carlos Fernandes, a comissão de negociação do Sindcvargam já havia dado encaminhamento, nesta quinta (17), a um calendário de atuação que incluía mobilização e paralisações em lojas, a partir da próxima terça (22), e um indicativo de greve para quarta (23), na antevéspera do Natal. Seria a primeira vez que a categoria cruzaria os braços no Amazonas.  

Fernandes, que também é secretário nacional de Organização Sindical da CUT-AM, ressalva que, apesar das suspensão da greve em favor de um retorno pacífico à mesa de negociações, o sindicato laboral ainda vai entrar com uma ação na Justiça do Trabalho, por descumprimento da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) 2019/2020, nesta segunda (21). O foco estaria nas cláusulas, 28ª e 13ª. 

“As empresas que oferecem planos de saúde/odonto continuarão oferecendo nas mesmas condições. As que não oferecem, continuam com a faculdade de concede-los. Após um ano da celebração da CCT, os empresários se acomodaram e vem protelando para não conceder o benefício. Durante a pandemia, vários trabalhadores acabaram contaminados pela covid-19 e, na sua maioria, sem nenhuma assistência médica, padeceram por essa doença”, justificou.

Custo e diálogo

Em conversas anteriores, o presidente do Sindivarejista, Teófilo Gomes da Silva Neto, explicou que o fato de o segmento ser composto por supermercados e atacadistas de portes variados torna difícil atender à demanda dos trabalhadores. Disse também que, diante da crise, não é possível impor custo adicional à empresas menores – mais comprometidas em suas contas pela pandemia e pela inflação de alimentos. 

O dirigente assinala que, embora a proposta dos trabalhadores ainda não tenha sido formalizada, o Sindivarejista está disposto a atender ao pleito do sindicato laboral, para evitar a possibilidade de qualquer movimento paradista e se diz otimista em relação ao retorno ao diálogo. “Não posso sair do que é definido em nossa assembleia, e a última já havia sido realizada em 14 de agosto. Com essa nova rodada, vamos poder fazer uma nova reunião com a diretoria, para avaliar o que está sendo proposto e o que pode ser feito ou não”, concluiu. 

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