9 de maio de 2021

Pandemia coloca a ciência em destaque no dia a dia

A ciência nunca antes foi tão comentada e compartilhada por jovens e adultos. O “novo normal” mostra que assuntos antes restritos às aulas de ciências como doença respiratória, tipos de vírus, medidas de prevenção e vacina têm sido assuntos constantes em conversas informais e troca de mensagens em grupos de aplicativos. 

A Organização Mundial da Saúde decretou no dia 11 de março de 2020 a pandemia da Covid-19 causada pelo conoravírus Sars-Cov2.  Prestes a completar 1 ano, verifica-se a evolução da doença com estudos comprovando que a pandemia não é causada apenas por um único vírus: quanto maior a circulação, maior é a probabilidade do surgimento de variantes, linhagens e cepas. Mas, como se sabe disso?! Por meio de pesquisas que são desenvolvidas diariamente por cientistas e pesquisadores de diferentes áreas de atuação.

Sem pesquisas, as mutações genéticas do vírus não seriam descobertas, a vacina não seria uma realidade, a higienização das mãos e o uso de máscaras não seriam fortemente recomendados, e nem o surgimento da terceira onda no Amazonas seria cogitado. Mas, além dos estudos na área das Ciências da Saúde, há inúmeras pesquisas em outras áreas do conhecimento que, apesar de estarem disponíveis em repositórios institucionais, a maioria da população desconhece.

Os recursos escassos alinhados com o desconhecimento de pesquisas desenvolvidas nas universidades públicas motivaram a professora e pesquisadora Inara Regina Batista da Costa da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal do Amazonas a fazer uma análise do serviço de divulgação científica à luz da Lógica Dominada por Serviço (nova abordagem do marketing), a partir da ótica de dois grupos-chave: pesquisadores acadêmicos e assessorias de comunicação de universidades federais.

“A divulgação científica é um trabalho multidisciplinar que busca comunicar o conhecimento científico contextualizando-o para promover a sua compreensão aos diferentes públicos” afirma Inara que defendeu a sua tese sob orientação de Ricardo Teixeira Veiga no Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração da Universidade Federal de Minas Gerais, após realizar pesquisa empírica com 56 assessorias de comunicação e cerca de 600 pesquisadores vinculados a 39 universidades federais.

Imagem: Framework da tese

A pesquisadora realizou uma análise individual dos grupos e depois comparou. “Um dos resultados encontrados é que não há diferença de percepção entre os dois grupos quanto aos benefícios gerados pela divulgação científica de acordo com o teste de hipótese Mann-Whitney. Isso demonstra que é possível aumentar a cocriação de valor no serviço de divulgação da ciência ao integrar competências e habilidades de divulgadores e cientistas”, enfatiza Costa.

Sendo assim, um dos caminhos de combate à desinformação por meio de fake news é divulgar o conhecimento científico tanto nos meios de comunicação tradicionais quanto na internet. O pesquisador tem a oportunidade de se aproximar da comunidade externa e dialogar sobre os resultados sociais encontrados em suas pesquisas e o impacto destes na vida da população.

Por princípio recomenda-se divulgar resultados obtidos e metodologia adotada após a aprovação e publicação do artigo, tese ou dissertação. “Como a ciência é um processo contínuo é comum obter resultados diferentes diante de novos fenômenos” alerta a pesquisadora.

Outro resultado encontrado na tese é que ao comparar as respostas dos grupos, os divulgadores reconhecem mais do que os pesquisadores, a importância de formalizar uma política institucional e mecanismos de apoio para a divulgação científica. “É a oportunidade de construir diretrizes de forma coletiva que impulsionem os setores de comunicação a publicarem com maior frequência pesquisas aprovadas e/ou enviarem sugestões para a mídia. Lembrando que as finalidades das Instituições de Ensino Superior (IES) já estão postas na Lei de Diretrizes Básicas”, frisa Costa. 

Imagem: Finalidades LDB

Para ter uma ideia do volume da produção científica gerado, o último censo realizado pelo CNPQ em 2016 mostra que já foram defendidas mais de 66 mil teses e mais de 187 mil dissertações (quadro abaixo). Conteúdos que geram mais conhecimento sobre economia, transporte público, polo industrial, qualidade de vida, alimentação, esporte e tantos outros temas em que a ciência está presente no dia adia da população. 

Tipo de produção e grande área do conhecimentoTeses defendidasDissertações defendidas
Ciências Agrárias9.51822.470
Ciências Biológicas11.23323.338
Ciências da Saúde11.12227.809
Ciências Exatas e da Terra7.49918.606
Ciências Humanas9.75333.240
Ciências Sociais Aplicadas5.30623.500
Engenharias e Computação8.71828.040
Linguística, Letras e Artes3.05310.256
Outros94388
Total66.296187.647
Fonte: Produção dos pesquisadores doutores segundo o tipo de produção e grande área do conhecimento predominante (CNPQ, 2016). Disponível em: http://lattes.cnpq.br/web/dgp/producao-c-t-a1 

O estudo relata também que 80% dos respondentes acreditam que a ‘confiança’ nos pesquisadores aumenta quando as pesquisas mostram o impacto na qualidade de vida das pessoas. “O relacionamento entre pesquisadores e jornalistas, por exemplo, é importante em virtude da credibilidade de ambos, das checagens contínuas com senso crítico, e da preocupação com os resultados sociais”, destaca a pesquisadora.

Portanto, a divulgação da ciência gera valor para todas as categorias e segmentos da sociedade, tais como, empresários, parlamentares, operadores do Direito, desportistas, médicos, educadores e diversos outros. “É claro que a relevância é individual, considerando que cada público tem suas próprias necessidades, interesses, atitudes e níveis de conhecimento quanto aos resultados buscados” enfatiza Costa.

Percebe-se que as universidades federais estão fragilizadas quanto ao processo da divulgação científica. De acordo com a pesquisadora, 80% delas não têm uma política de comunicação formalizada e a ausência é sentida pelos dois grupos entrevistados, pois afeta a qualidade e a continuidade do processo.

“Essa lacuna pode caracterizar falta de comprometimento, além de subtrair da sociedade a oportunidade de qualificar suas opiniões tendo a ciência como base de discussão. Por outro lado, assim que for percebido os potenciais benefícios, acredita-se que aumentará o engajamento de pesquisadores, inclusive em redes sociais, tomando a iniciativa de divulgarem suas próprias pesquisas. É preciso colocar a ciência cada vez mais em destaque nas rodas de conversas”, finaliza Costa. 

Serviço:

O que? Tese “A divulgação científica pelas universidades públicas brasileiras sob a perspectiva da lógica dominada por serviço” disponível para download em https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/30339

Quem? Inara Regina Costa

Contato: [email protected]  

Foto/Destaque: Divulgação

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