O policial a mercê da criminalidade

O Monitor da Violência mostrou um aumento de 10% no número de policiais assassinados em 2020 em um momento que a polícia ganha cada vez mais poder e protagonismo.

Na última década entramos numa espiral cada vez mais intensa de ódio e, concomitantemente, como dois fatores inseparáveis e que se sustentam, na ideologização cada vez mais radical do trabalho das polícias. Cada dia mais o trabalho do profissional da segurança pública deixa de ser a “preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas”, como determina o artigo 144 da Constituição Federal, e se torna um qualquer ato repressivo travestido de heroísmo.

O estudo mostra que sete em cada dez policiais assassinados foram mortos fora do horário de trabalho, o que indica forte tendência vingativa de indivíduos que já passaram pelas mãos da polícia e/ou do sistema penitenciário. Quanto maior é a violência exercida contra os indivíduos com passagem pelo sistema punitivo, consequentemente maior é o impulso vingativo quando recobrada sua liberdade.

Um ponto a se discutir a respeito do ímpeto vingativo do cidadão fichado no sistema punitivo é o motivo de não cometerem tais vinganças privadas contra juízes e promotores que os colocaram à disposição de seus algozes torturantes do sistema penitenciário.

Uma resposta possível é recorte de classe. Policiais militares, em sua grande maioria, estão inseridos nas mesmas classes sociais dos indivíduos que são alvo da própria polícia. 

O espetáculo da punição e das vinganças dos punidos é também uma reescrita dos combates mortais das arenas romanas, tudo dentro da legalidade. 

Mas o tombamento de policiais que são meros trabalhadores braçais não é lamentado pela aristocracia moderna, afinal são trabalhadores facilmente substituíveis e que morrem como mártir.

Mas e os juízes e promotores? Estes dificilmente vão ser encontrados na padaria de bairro, na farmácia ou no mercado onde poderiam ser identificados e mortos pelo simples fato de exercerem tal profissão com função estigmatizante e segregante.

Os policiais militares, por sua vez, inseridos em uma mesma realidade do cotidiano daqueles que são obrigados a perseguir, estão o tempo todo cruzando seus caminhos no dia a dia e, por isso, sendo alvos.

Logo, quem acusa e quem impõe penas, por não estar na mesma classe social dos indivíduos segregados, não se torna seus alvos. Os alvos estão sempre dentro da mesma classe social e a carnificina das mortes, do medo e da vingança alimenta toda a narrativa dos que colocam pobre contra pobre em uma guerra diária e sangrenta.

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email