O juridiquês é um neologismo, em voga no Brasil, para designar o uso desnecessário e excessivo do jargão jurídico e de termos técnicos do Direito. Não que a linguagem jurídica, com seus brocardos latinos e expressões próprias, precise ser evitada. Pelo contrário, cada ramo profissional possui suas terminologias características, um exemplo disso é a área médica. O que deve ser abolido é o exagero perante o jargão jurídico, principalmente quando o público-alvo não é ambientado com tal linguagem. Hoje faremos diferente, vou trazer uma situação, verídica, ocorrida em um fórum aqui mesmo de Manaus.

Os vocábulos escolhidos, foram: o substantivo PATRONO; o verbo ATRAVESSAR e o substantivo PETIÇÃO. Para contextualizar ilustrarei com dois exemplos, verídicos. O funcionário de um dos Juizados se dirigiu a uma pessoa que veio em busca de informações. Ex.: “Você tem que falar com o seu patrono para atravessar uma petição”. Muitos veriam essa oração como uma verdadeira charada, pois  “patrono”, “atravessar” e “petição” não se mostram como vocábulos de conhecimento geral. O mais curioso foi a resposta do jurisdicionado, digo, do senhor que estava em busca de informações. Ex.: “Mas, doutor, como eu posso atravessar de novo, eu já vim da beira de lá do rio, custei muito a chegar aqui. E o meu patrão me liberou”. Notem a confusão linguística causada pela falta de tato do funcionário que não adequou a linguagem à situação e ao cliente. O ideal é evitar querer falar “difícil”, prefiram uma linguagem, não rasteira, mas devidamente adequada à situação. Nem a propósito, nesse mesmo Juizado, outro funcionário decidiu criar, informalmente, o “Dicionário do Balcão” para tornar a comunicação mais eficaz, até mesmo porque era justamente no balcão, no atendimento ao público, que as confusões idiomáticas surgiam. E sabe que deu certo? Sendo assim, por que não reformular a oração acima, eivada, digo, repleta de juridiquês? Vamos lá. “Você tem que falar com o seu patrono para atravessar uma petição”. Reformulando…“Você tem que falar com seu advogado para entrar com um documento por escrito aqui conosco”. Fica a dica.

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