Emprego perde força também no interior do Amazonas em outubro

A criação de empregos formais no interior perdeu força em outubro. Além de Manaus, dez dos 21 municípios amazonenses listados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – em um universo de 61 – seguiram o Amazonas e avançara no saldo de postos de trabalho com carteira assinada em todas as comparações. No mês anterior, foram 13.

A nova lista inclui Autazes, Boca do Acre, Fonte Boa, Iranduba, Lábrea, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Parintins, Tabatinga e Tefé. Na outra ponta, Borba, Humaitá, Itacoatiara, Maués, São Gabriel da Cachoeira e São Paulo de Olivença caíram para o campo negativo. Eirunepé segue no vermelho em todas as comparações, Coari retomou saldo positivo na variação mensal – embora ainda perca nos acumulados – e Iranduba apresentou seu primeiro mês com alta em todos os cenários.

Entre setembro e outubro, dez municípios cresceram acima da média do Amazonas (+0,10%). O melhor índice veio de Lábrea (+2,72%) e o maior número absoluto de vagas ficou em Iranduba (+36), superado pela capital (+529). Dez eliminaram empregos, sendo que os cortes mais severos vieram de Manacapuru (-72 empregos) e Borba (-3,51%). Autazes, por outro lado, pontuou estabilidade.

No acumulado do ano, 17 municípios superaram o incremento do Estado (+2,98%). O destaque positivo veio de Manicoré (+10,49%), bem acima da média da capital (+2,91%). Em postos de trabalho, o campeão ainda é Manacapuru (+185) – batido por Manaus (+12.034). As maiores quedas permaneceram em Coari (-11 vagas) e Eirunepé (-3,52%), os únicos dados negativos neste tipo de comparação.

Em 12 meses, 14 municípios ficaram à frente do Amazonas (+2,64%). O maior incremento relativo veio novamente de Fonte Boa (+20%) e o mais expressivo em termos absolutos ainda está em Manacapuru (+178). Em contraste, Eirunepé (-5,60%) e Coari (-25 postos) sustentaram as piores posições nesse cenário, em um universo de três resultados negativos.

Contas públicas

Nem todos os setores econômicos dominantes no interior apresentaram resultados ruins em outubro. A agropecuária teve saldos positivos nas variações mensal (+2,09%) e acumulada do ano (+2,13%), mas segue retraída na estatística de 12 meses (-2%). Melhor sorte teve a indústria extrativa, que avançou nas três comparações: 9,02%, 13,03% e 8,40%, respectivamente.

Apesar das obras públicas realizadas no interior, a construção civil amargou os piores índices na variação mensal de outubro (-232 vagas e -1,07%), embora ainda sustente números positivos nos acumulados do ano (+2.310 e +12,05%) e dos últimos 12 meses (+1.209 e +5,97%).

Mais presente no interior, dado que há municípios que dependem quase que exclusivamente dela, a administração pública sofreu retrações em todos os cenários: -0,04% em relação a setembro, -0,21% no ano e -2,23% em 12 meses. A ressaca se deve às contas públicas: 34 municípios aparecem em situação crítica, 21 em estado de dificuldade e só quatro com o balanço no azul, conforme o mais recente IFGF (Índice Firjan de Gestão Fiscal) 2019.

Recessão e fomento

Procurada pelo Jornal do Commercio, para falar sobre os recuos seguidos de empregos nas estatísticas do Caged, a Prefeitura de Eirunepé ressaltou, por meio de nota de sua assessoria de imprensa, que o país ainda enfrenta a recessão econômica, afetando todos os municípios brasileiros, ainda mais os do Amazonas, que enfrentam dificuldades econômicas, logísticas e financeiras

“Para ajudar a mudar esse cenário, a prefeitura vem empregando pessoas em diversas frentes de obras por todo o município e, principalmente, fomentando o setor primário, principal atividade econômica de Eirunepé, com a produção de itens como cana de açúcar, farinha e pescado, investindo em ramais e na agricultura familiar”, destacou o texto da assessoria.

Apesar do recuo contínuo no saldo de empregos, Eirunepé é, juntamente com Amaturá, um dos municípios alertados pelo TCE-AM em relação a gastos excessivos com pessoal, conforme documento publicado do Diário Oficial de 24 de setembro. No primeiro semestre, a prefeitura gastou R$ 38,94 milhões para esse fim, 2,71% a mais do que o permitido (54%). 

Realidades distintas

O presidente da AAM (Associação Amazonense de Municípios), Júnior Leite, ressaltou que a entidade vem atuando em conjunto com as prefeituras do interior para tentar resolver o gargalo da geração de empregos no interior, onde ainda faltam atividades econômicas para criar vagas em nível superior ao crescimento vegetativo das localidades.

“Cabe à AAM propor novas vias, mas cada gestor deve desenvolver e adotar os modelos e práticas que julgar mais corretos para a realidade de sua localidade. O Amazonas tem dimensões geográficas e características sociais, econômicas e ambientais únicas em cada um de seus 62 municípios”, concluiu. 

 

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