Desocupação atinge 265 mil no Amazonas em julho

A despeito da reabertura das lojas e de um ensaio de retomada, o impacto da crise da covid-19 se fez sentir com mais força no Amazonas, em julho. A taxa de desocupação chegou a 17% e atingiu 265 mil amazonenses, com alta sobre junho (15,1% e 235 mil) e maio (12% e 179 mil) – mês em que comércio e serviços estavam de portas fechadas em Manaus e 90% do PIM, parado. A taxa de participação na força de trabalho se manteve constante em comparação a junho, mas o nível de ocupação diminuiu para 43,2%.

A taxa de informalidade caiu de 51,5% (681 mil) para 50,4% (ou 652 mil), mas se manteve bem acima da média nacional (34,7%). Pelo menos 72% do total de pessoas afastadas do trabalho (131 mil) ficaram nessa condição em virtude das medidas de distanciamento social, mas 84 mil ficaram sem remuneração. Em contrapartida, 62,6% dos domicílios no Amazonas receberam auxílio emergencial. Os dados estão na Pnad Covid19, divulgada pela IBGE, nesta quinta (20).

Entre as mais de 4 milhões de pessoas residentes no Estado, 2,98 milhões estavam aptas a trabalhar – tinham 4 anos ou mais –, sendo que o número de pessoas na força de trabalho era pouco menos do que a metade desse contingente (1,56 milhão). Desse total, 1,29 milhão estavam ocupados e 265 mil, desocupados. A taxa de desocupação do Amazonas (17%) foi a maior do país, superando Maranhão (16,7%) e Bahia (15,9%). Na outra ponta, Santa Catarina (8,4%), Rondônia (9,1%) e Piauí (9,7%) tiveram os menores índices.

O total de amazonenses fora da força de trabalho chegou a 1,43 milhão, superando junho (1,42 milhão). Já a fatia dos trabalhadores que, embora não tenham procurado emprego, admitem que gostariam de trabalhar (2,276 milhões) caiu em relação a junho (2,285 milhões), mas está acima de maio (2,245 milhões). Em sintonia com a flexibilização econômica, o número de não ocupados que não buscaram emprego em virtude da pandemia ou falta de oferta vem caindo ao longo de maio (560 mil), junho (496 mil) e julho (484 mil).

Atividades e informalidade 

Das 1,29 milhão de pessoas ocupadas no Amazonas, em julho, 463 mil (35,8%) trabalhavam por conta própria, 320 mil (24,8%) atuavam no setor privado com carteira assinada e 147 mil (11,4%) eram militares e servidores estatutários. O número de trabalhadores familiares auxiliares vem aumentando de maio (71 mil) para junho (108 mil), até chegar a julho (114 mil). Mas, a maioria dos trabalhadores domésticos não era celetista (32 mil). 

Em sintonia, pelo menos 652 mil dos trabalhadores do Amazonas (50,4%) estavam na informalidade, superando maio (641 mil), apesar do recuo em relação a junho. O Estado se situa bem acima da média nacional (34,7%) nesse quesito, perdendo apenas para Maranhão (51,7%) e Pará (51,4%). Em contraste, Santa Catarina (20,1%), Paraná e Rio Grande do Sul (ambos empatados com 25,9%) têm as menores taxas.

As atividades de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais ainda reúnem a maior quantidade de trabalhadores no Amazonas (260 mil). Na sequência, vêm agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (207 mil), comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (180 mil) e indústria geral (122 mil) – sendo que 101 mil pessoas estão na indústria de transformação e 21 mil na extrativa.

Em torno de 182 mil amazonenses permaneciam afastadas do trabalho, em julho, número menor do o registrado em junho (271 mil pessoas) e em maio (367 mil pessoas). Dessa parcela, 131 mil (72%) ainda estavam nessa situação por conta do distanciamento social e 51 mil por algum outro motivo diferente. Entre os trabalhadores afastados, 84 mil deixaram de contar com remuneração, enquanto os 99 mil continuaram recebendo ou já não eram remunerados.

Entre os 1,11 milhão amazonenses com alguma ocupação e que não foram afastados, por outro lado, 61 mil (5,5%) trabalhavam de forma remota, em julho. Houve um decréscimo significativo de amazonenses atuando em home office, em relação a maio (87 mil e 9,3%) e junho (65 mil e 6,2%).

Desocupação em alta

De acordo com o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a taxa de informalidade elevada do Amazonas se deve, possivelmente, ao aumento do número de pessoas ocupadas como trabalhador familiar auxiliar e trabalhador por conta própria. O pesquisador conclui também que os dados apontam para uma tendência de decréscimo do número na taxa de ocupação, ao mesmo tempo em que há um aumento significativo de pessoas desocupadas, entre maio a julho.

Indagado sobre os motivos para essa tendência, que se mostrou mais forte nos setores público, industrial e primário, o pesquisador disse que, no atual momento, é difícil firmar uma análise que justifique as ocorrências. Adjalma Nogueira Jaques considera que pode estar ocorrendo redução para adequar alguma necessidade das atividades em questão, mas salienta que, dadas as circunstâncias atuais, é improvável que haja apenas um motivo.

“Temos um aumento considerável na taxa de desocupação, muito em função da perda de postos de trabalho das pessoas ocupadas em julho. Algumas atividades se destacaram negativamente, principalmente agricultura, governo e industrial. Essa taxa veio para agravar ainda mais o quadro, pois agora temos uma outra frente negativa no ocupados perdendo emprego. Por outro lado, há demanda reprimida. Os números mostram disposição dos não ocupados para trabalhar, mas eles estão recolhidos. Isso pode indicar que mais pessoas irão entrar no grupo dos desocupados em busca de trabalho”, finalizou.

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