Auxílio emergencial estimula o consumo das famílias

O auxílio emergencial de R$ 600 foi o grande responsável pelo aumento do consumo das famílias das regiões Norte e Nordeste. Um estudo do Banco Central indica que no Norte, esse percentual teria subido 37% em relação  entre os meses de fevereiro, março e julho. O comportamento leva em consideração os municípios mais pobres. 

O recurso beneficiou mais de 65 milhões de brasileiros. Apesar das fraudes e dos relatos de trabalhadores que não tiveram acesso ao benefício, a medida do governo federal é considerada como a saída para a crise atual. 

De acordo com Marcel Balassiano,  mestre em economia empresarial e finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que tem avaliado os efeitos do programa na população mais vulnerável,   a crise atual é diferente da recessão mundial de 2009, por exemplo, ou de tantas outras crises que o mundo e o Brasil passaram nos últimos anos. Justamente por ser uma crise ligada a uma pandemia, medidas (corretas) como o distanciamento social foram implementadas na maior parte do mundo, inclusive no Brasil. Com isso, o setor de serviços, que corresponde a mais de 70% do valor adicionado da economia e é o que mais emprega as pessoas foi bastante impactado com a diminuição da circulação das pessoas.

 “Diversas lojas, restaurantes, hotéis, bares, ficaram fechados por alguns meses e há muita incerteza sobre a recuperação. Não somente os serviços, mas a indústria também foi impactada por esta crise. Somente a agropecuária deve apresentar algum crescimento positivo em 2020, segundo as expectativas de mercado do Boletim Focus”.

Porém, não somente o setor formal foi impactado nessa crise, pois o setor informal também sofreu bastante. Por exemplo, o pipoqueiro que vendia pipoca na porta das escolas ficou alguns meses sem poder fazer isso, pois as escolas estavam fechadas (e ainda estão, na maior parte dos casos); o ambulante que vendia cerveja na porta de estádios de futebol ou de shows ou boates, também precisou se “reinventar”, dado que esses eventos foram cancelados por algum tempo – e os que voltaram (futebol), sem público; entre outros diversos exemplos de trabalhadores informais.

Ele diz que o auxílio emergencial foi direcionado, principalmente, para quase 70 milhões de brasileiros numa situação mais vulnerável do mercado de trabalho, entre desempregados, desalentados, subocupados e informais (aproximadamente 40 milhões, nesta última categoria), ainda reflexo da forte recessão de 2014 e 2016.

“Obviamente que não foi um programa perfeito. Houve fraude. Uma parcela menor que não precisava receber teve acesso, mas no geral o programa foi muito bem sucedido, especialmente na situação complicado que o país está vivendo, ainda mais no auge o pico essas pessoas conseguirem manter a sua subsistência e para a economia”. 

Para o economista, se não fosse a liberação do o auxílio, a queda do PIB deste ano seria ainda maior  do que o esperado de 5,5%, segundo as expectativas de mercado do Boletim Focus. “Essas projeções já foram até um pouco maiores agora a gente está num processo de revisões para perdas menores”. 

Segundo Marcel, obviamente nos estados mais pobres em que a taxa de formalidade é maior receberam mais do que Estados mais ricos onde esse contingente de informais, desocupados e desalentados é menor. “Todos os estados do Norte e do Nordeste tem mais de 50% dos domicílios recebendo o auxílio emergencial com exceção de Rondônia que não chega a esse percentual, mas com 48%. Esse recurso ainda é mais importante para essas regiões do Brasil”. 

Números

O IBGE lançou a pesquisa Pnad Covid, similar à pesquisa Pnad Contínua, sobre o mercado de trabalho, mas com algumas informações novas e específicas sobre a crise. Porém, como as amostras são diferentes, as pesquisas Pnad Covid e Pnad Contínua não podem ser comparadas. Além de dados semanais para o Brasil, há dados mensais para os estados, para os meses de maio e junho. Duas variáveis estaduais contidas na Pnad Covid são a taxa de informalidade (em proporção da população ocupada) e a porcentagem de domicílios que receberam o auxílio emergencial. A taxa de informalidade média do Brasil, em junho de 2020, foi de 34,8%; e 29,4 milhões de domicílios (43,0%) foram beneficiados com o auxílio emergencial em junho.

As pessoas foram classificadas como trabalhadores informais quando eram ocupadas como: empregado do setor privado sem carteira; trabalhador doméstico sem carteira; empregador que não contribui para o INSS; trabalhador por conta própria que não contribui para o INSS; e trabalhador não remunerado em ajuda a morador do domicílio ou parente.

Por dentro

Conforme o levantamento do BC, quanto menor a renda do município, maior o consumo de bens e serviços essenciais. Entre os segmentos de atividades com maior consumo estão supermercados e farmácias, que detém a maior parcela no padrão de gastos das famílias. 

O estudo comparou as três primeiras semanas de julho e a média do período entre 4 de fevereiro e 16 de março, pré-crise. Nordeste e Centro-Oeste, tiveram alta de 16%. Já as regiões Sudeste 2% e Sul 1%.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email