Protótipo funcional: etapas

Daniel Nascimento-e-Silva, PhD

Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

Os protótipos funcionais são a terceira ou quarta etapa do processo global de prototipagem de diversas tecnologias ou produtos tecnológicos. A primeira é a prototipagem conceitual, a segunda pode ser tanto a prototipagem estrutural quanto a processual, dependendo se o que se pretende gerar é um produto ou um processo. Se for feita apenas a prototipagem estrutural ou somente a processual, a funcional será a terceira. Contudo, se forte feita a estrutural e em seguida a processual, ou vice-versa, a processual será a quarta. A razão dessas diferenciações é que a prototipagem funcional é descritiva e demonstrativa. Ela descreve o funcionamento de um componente ou elemento constituinte de alguma estrutura de uma maneira que permita a compreensão da dinâmica da tecnologia a ser gerada. De forma semelhante, demonstra através de desenhos, vídeos, animações e outras formas o funcionamento prévio daquilo que se pretende inventar. Assim, quando se fala em prototipagem funcional o que se deve ter em mente é a necessária compreensão, visualizada, sentida ou lida, de como a tecnologia integral vai funcionar, assim como cada uma de suas partes. Para que isso aconteça, algumas etapas essenciais precisam ser seguidas. Estruturas e processos têm etapas distintas.

Na prototipagem funcional baseada em estruturas, a primeira etapa é a compreensão dos benefícios que a tecnologia pretende entregar e que estão descritos nos protótipos conceitual e estrutural. Essa compreensão compreende a descrição das formas através das quais cada benefícios é produzido. Se uma tecnologia entrega dois benefícios, a prototipagem rem que responder à seguinte pergunta para ambos: como a tecnologia gera esse benefício? As respostas a essas questões compreende a funcionalidade total do artefato tecnológico.

A segunda etapa é a reprodução do mesmo procedimento para cada parte da tecnologia. É preciso descrever o funcionamento de cada uma dela para que se saiba como ela age para gerar o seu subproduto, que vai ser acoplado a um ou mais subprodutos gerados pelas outras partes. Esse mesmo procedimento tem que ser feito para os componentes de cada parte, depois para os subcomponentes e ir descendo até que se descreva o funcionamento da menor das suas peças. É sempre fundamental que se compreenda que o foco na prototipagem funcional é a ação interna, não relacional, de uma parte. Não é a pretensão, aqui, saber como uma peça se une a outra para produzir determinado resultado.

A terceira etapa é a representação esquemática de cada funcionalidade. Essa representação pode ser feita através de desenho, diagrama, maquetes, vídeos e animações. Cada tipo de estrutura tem mais de uma forma adequada para demonstrar a sua funcionalidade. Aliás, a demonstração do funcionamento é o foco essencial da terceira e última etapa da prototipagem funcional. Aqui deve demonstrar como a tecnologia e cada um de seus componentes estruturais funciona, como gera seus subprodutos e benefícios tecnológicos.

Na prototipagem funcional baseada em protótipos processuais o foco da primeira etapa são os benefícios que o novo processo vai entregar. Novamente, esses benefícios estão contidos nos protótipos conceitual e processual previamente elaborados. O desafio do protótipo funcional é explicar como o processo funciona de forma global para gerar os benefícios prometidos aos seus clientes e demandantes.

A segunda etapa é a identificação das etapas e subetapas do processo. Cada etapa foi escolhida para gerar um resultado que, por sua vez, vai alimentar uma ou mais etapas seguintes. Embora todo processo e subprocesso tenha uma relação de causa-efeito, aqui também ela vai ser deixada de lado. O grande desafio é conseguir descrever o funcionamento de cada etapa, de como ela gera o subproduto que vai alimentar a próxima etapa. Processos complexos são compostos por etapas com vários níveis de subprocessos. Cada um deles precisa fazer parte do protótipo.

A terceira etapa é a representação esquemática da funcionalidade do processo. Enquanto na etapa anterior o desafio é descrever por escrito, nesta etapa a missão é fazer desenhos, representações diagramáticas e meios visuais de demonstrar o funcionamento de cada constituinte dos subprocessos e processos para gerar os subprodutos e produtos. Nessas representações é fundamental levar em consideração a ideia de produtos e subprodutos em escalas cada vez mais crescentes, como se fossem camadas sobre camadas. Outra concepção essencial é a de cliente-fornecedor, em que uma etapa é sempre a cliente de uma anterior e a fornecedora de uma posterior. Isso quer dizer que o subproduto da primeira etapa tem que estar de acordo com o que a segunda etapa prevê e espera receber. Todos os subprodutos, por esse motivo, são planejados simultaneamente pelos clientes e fornecedores das etapas para que se possam evitar confusões, conflitos, ambiguidades e toda sorte de problemas relacionais que os trabalhos em equipes costumam ocasionar. A prototipagem, nesse mister, é uma espécie de manual a ser consultado todas as vezes que não se souber como fazer alguma coisa ou como uma parte da tecnologia deve ser produzida.

Fazer um protótipo funcional é dizer como algo vai funcionar. Como consequência, dizer como algo vai funcionar é detalhar, etapa por etapa, como cada a tecnologia produz cada benefício que vai ser entregue aos seus clientes, usuários ou demandantes. A prototipagem funcional é tão importante que é baseado nela que são possíveis as realizações de melhorias contínuas, que geram versões cada vez mais aperfeiçoadas de todas as tecnologias que fazem parte do nosso dia-a-dia. É com base nos protótipos funcionais que peças e componentes estruturais são eliminados ou acrescidos ou etapas são eliminadas, fundidas ou acrescentadas aos processos. Pode-se até dizer que sem os protótipos funcionais as tecnologias seriam apenas belos desenhos imaginativos.

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