Da teoria do cansaço histórico (Final)

Bosco Jackmonth*

Segue-se, nas manifestações anteriores (01/04), bordadas aqui mesmo nesta idêntica coletânea de artigos semanais limou-se seuS conflitos bélicos vestidos em países da Europa, mais Japão e China, prevendo-se a extensão da guerra a todo o mundo, como de fato se deu, segundo se narrará em seguida. Sucede, gesta-se no relato dessa luta armada buscar algum esgotamento do conflito por motivo de mirrado cansaço, segundo o título desta crônica que trafega vizinha em homenagem ao entendimento Lulista, habituado a dar o norte a tanto, eriçado belicoso e destemperado, fustigando na má condução nefasta e atrevida do nosso país, como já se abordou em passagem anterior, lesada pelo ímpeto individual, mal-ajambrado

Seria uma novidade teimosa e tanto, de uma pseuda intelectualidade assim arrodeada. Não? Continuemos. Sucede, em que pese o conflito se nutrir e esbarrar-se em toda a Europa e Oriente, a chama da paz nunca esmoreceu, só que se tinha sempre em vista como solução outro que não o armistício manifestado aqui e ali. Enquanto isso, contudo, o ânimo belicoso cruzara o Atlântico chegando à América Latina, mas não causou muita impressão nos Estados Unidos, ou no Canadá, que se movimentaram firmemente no rumo do Estado do bem-estar, depois de 1929.

 Mas a ideologia fascista — ou uma espécie de ideologia pseudofascista – produziu forte impressão em certos países da América Latina, e no fundo desta crônica, não há como não observar os fatos da guerra. Assim é que depois da Primeira Guerra Mundial, o Canadá e os Estados Unidos que se movimentaram firmemente no rumo geralmente reconhecid

o como nações plenamente soberanas e democráticas, portanto alheias ao conflito e muito menos distante de algum processo de busca da paz, pelo cansaço ou mesmo armistício.De fato, os países da América Latina, apesar de brava exibição de constitucionalismo, tinham sido, quase todos, na realidade, ditaduras, com acessos intermitentes de genuínos governos representativos, durante todo o século XIX até a Primeira Guerra Mundial. A verdadeira democracia veio a funcionar na Argentina, no Uruguai e no Chile no início do século XX. 

Para não nos afastarmos mais ainda do pano de fundo, passemos ao ocorrido com tais países. Assim é que o México do velho regime ditatorial de Porfírio Diaz derrubou-se em 1911. Já o Brasil experimentou desde 1930 a revolução de uma ditadura semifascista chefiada por Getúlio Vargas (1883-1954). Da Argentina pode-se dizer que tem oscilado entre práticas genuinamente democráticas e ditaduras, tais como a de Juan Perón que durou de 1946 a 1955. Venha o Chile, que é um dos países mais democráticos da América do Sul, que possui uma economia estável, o que o leva, quem sabe, a gozar neste século de um grau relativamente elevado de estabilidade política.

Sucede, dos países latino-Americanos menores se reconhece que tomaram parte na Primeira Guerra Mundial e tornaram-se membros da Liga das Nações. Foram importantes, e essa política foi acentuada pela crescente significação de suas contribuições à economia mundial. A América Latina, certamente, produzia muitas das utilidades que eram crescentemente procuradas pelos países mais altamente industrializados.  Tais eram, a prata e o petróleo do México, o petróleo da Venezuela, a borracha, o ferro e os diamantes do Brasil, e nitratos do Chile, o estanho do Peru e do Equador, o trigo e a carne da Argentina. Países que não tiveram que revelar cansaço para encerrar guerras. (Conclusão).

Advogado (OAB/AM 436). Ex-funcionário do Banco do Estado do Amazonas e Banco do Brasil em Manaus e no Rio de Janeiro. Cursou Jornalismo. Contabilidade. Técnicas de Vendas e Oratória. Lecionou História. Contacto [email protected]. Tel. 991553480. 

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