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Indústria fecha trimestre com altas de vendas, produção e empregos no AM, na contramão nacional 

A indústria amazonense de transformação fechou o primeiro trimestre com escalada de vendas, produção e empregos, na contramão da média nacional. Em março, no entanto, o setor reduziu o ritmo e avançou somente em faturamento e massa salarial. Em contraste, a quantidade de horas trabalhadas na produção, média de uso da capacidade instalada fabril, e contratações voltaram a encolher. É o que revelam os números locais dos Indicadores Industriais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), compilados em parceria com a Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas).

O faturamento real cresceu 8,8% na variação mensal de março –que teve três dias úteis a mais. Embora robusto, o ganho veio um pouco mais fraco do que o registrado em fevereiro (+11,6%) e janeiro (+13,2%). O confronto com março do ano passado indicou uma elevação de 16,5%, mantendo o trimestre (+33,7%) na escala dos três dígitos. Na média nacional, as vendas líquidas desaceleram 0,6% ante fevereiro de 2024 e desabaram 4,3% frente ao mesmo mês de 2023, comprometendo o acumulado do ano (-0,4%). 

Já a situação das horas trabalhadas nas linhas de produção fabril do Estado aponta um patamar mais preocupante, após o forte repique de janeiro. Já trabalhando em ritmo normal, após o boom de produção que se seguiu à crise logística aberta pela vazante histórica, sofreu desaceleração de 3% em relação a fevereiro, reforçando a perda do mês anterior (-1,3%). O confronto com a marca de 12 meses atrás, contudo, resultou em uma variação positiva de 19,8%. Em três meses, a alta foi de 32,4%. Os respectivos números do nível de atividade em todo o país (-1,6%, -0,9% e +0,9%) foram piores. 

O mesmo se deu na UCI (utilização da capacidade instalada) da indústria do Amazonas. Passou de 84,9% para 84,5%, frente ao mês anterior, com redução de 0,5 ponto percentual (-0,47%). O vigor do ritmo de produção da indústria amazonense se manteve renovado em relação a igual mês de 2023 (83,5% de uso) , confirmando uma elevação de 1 p.p. (+1,2%). A UCI do trimestre ficou em 87,9% (+2,4 p.p.). Com percentual menor de máquinas industriais em uso, o indicador nacional (78,4%) também retrocedeu ante fevereiro de 2024 (78,6%), além de ficar abaixo de março de 2023 (79%).

Os números da CNI confirmam o panorama apresentado pela pesquisa do IBGE para a produção industrial do Amazonas. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a produção da indústria amazonense conseguiu fechar o trimestre no azul, com 4,4% de expansão, sendo alavancada por seis dos dez segmentos industriais sondados –incluindo eletroeletrônicos, bens de informática e duas rodas. Mas, quebrou uma série de três altas consecutivas, para mergulhar em março, nas variações mensal (-13,9%) e anual (-10,9%).

Empregos e salários

Os indicadores relativos à mão de obra e sua remuneração voltaram a emplacar desempenhos divergentes. De acordo com a CNI, a média do saldo de contratações no parque fabril do Estado retrocedeu 0,6% quando comparada a fevereiro, repetindo o dado do levantamento anterior. Mas, foi catapultada em 36,9%, no confronto com o mesmo intervalo do exercício anterior, com reflexos positivos no acumulado do ano (+27,5%). Os números brasileiros (+0,5%, +2,2% e +1,2%) foram todos positivos, nesse quesito.

A pesquisa da CNI diverge um pouco do ‘Novo Caged’ –que contabiliza apenas os empregos formais. A base de dados do Ministério do Trabalho e Previdência mostra que a indústria de transformação foi o setor que mais contratou localmente em março, registrando alta de 1,03% e 1.224 novos postos de trabalho, superando as marcas de fevereiro (+1.017) e janeiro (+1.122). Os resultados positivos se disseminaram em 17 de suas 25 atividades, principalmente nas linhas de produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+498). No acumulado do ano, foram geradas 3.363 vagas (+2,88%).

Os Indicadores da CNI mostraram performance significativamente melhor para a massa salarial, que se manteve positiva em todas as comparações. Houve um acréscimo mensal de 11,2%, compensando a estabilidade de fevereiro (0%) e o tropeço de janeiro (-3,4%). A soma dos vencimentos dos trabalhadores manteve a musculatura no confronto com mesmo mês de 2023 (+23%) e nos três meses iniciais de 2024 (+36,5%). A indústria brasileira como um todo (+3,6%, +6,7% e +4,2%) acompanhou esse movimento.

Acomodação ou mudança

Em texto e vídeo divulgados pela assessoria de imprensa da CNI, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, salientou que a queda de produção em âmbito nacional não foi brusca e “não representa, necessariamente, uma mudança de rumo”. O economista salienta ainda que, apesar do “mês mais fraco”, a indústria brasileira de transformação continua “mais aquecida” do que ano passado, em todas as frentes, mostrando uma atividade e mercado de trabalho “fortes”.

“Os indicadores mostraram uma certa perda de ritmo da atividade industrial. Depois de dois meses de bons resultados, a gente teve uma queda nas horas trabalhadas, e estabilidade [estatística] em faturamento e utilização de capacidade instalada. Esse recuo vem depois de dois meses de atividade mais forte e pode sugerir uma falta de impulsos novos para a atividade. Precisamos esperar para ver se isso continua nos próximos meses, com reflexos nas vendas e na UCI. Ou se foi apenas uma acomodação”, analisou.

Azevedo salienta que os empregos e a massa salarial –que inclui não apenas salários, mas também verbas extras e PLR –continuaram em ritmo ascendente. “Esses indicadores continuaram em tendência de crescimento, como já vem acontecendo há alguns meses. O mercado de trabalho segue com desemprego baixo e altas contratações. Neste mês, tivemos uma expansão mais forte em massa salarial e rendimentos médios, devido ao fechamento de uma fábrica e pagamento de verbas rescisórias. Em abril, provavelmente esse número deve voltar a um patamar menor”, conjecturou. 

“Perspectivas positivas”

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Fieam, e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, reforçou que o estudo dos Indicadores conta com amostragem local “pequena”, contribuindo para que os dados regionais sinalizem mais uma “tendência do setor”. Em nova entrevista, o presidente da Fieam considerou que os números do início de ano são promissores e corroboram com a expectativa do PIM de manter tendência de crescimento ao longo de 2024, “porém em ritmo mais lento”. 

“A estiagem e crise logística do final de 2023 resultaram em um panorama de demanda represada que pode ter se refletido ainda no elevado crescimento registrado em janeiro. As perspectivas econômicas positivas também criam um cenário econômico que propicia a produção e reforçam nosso otimismo. Especificamente sobre o aumento da massa salarial, é preciso considerar que, para o cômputo geral do valor, são considerados eventuais custos relacionados aos desligamentos, o que acaba por criar essa distorção no indicador, que apresenta crescimento apesar da retração nos demais índices”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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