Com o início da pandemia, em março de 2020, a maioria dos eventos no Brasil teve de ser cancelada ou adaptada para o meio digital. Tanto que se estima que o setor teve mais de 90% de suas atividades afetadas devido ao isolamento social e às medidas de segurança estabelecidas para combater a Covid-19, segundo pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Hoje, após mais de um ano da chegada desse fenômeno que marcou a história mundial, os produtores de eventos veem o futuro com bons olhos, seja do ponto de vista de grandes celebrações ou de encontros empresariais.

A reinvenção do setor de eventos no Brasil

Entre o período de 2013 e 2019 tem-se que o segmento de eventos como um todo tenha crescido, em média, 6,5% ao ano, para o estudo “Dimensionamento Econômico da Indústria de Eventos do Brasil” da Abeoc (Associação Brasileira de Eventos), do Sebrae e da Universidade Federal Fluminense.

Somente em 2013, a pesquisa constatou que o segmento movimentou R$ 209,2 bilhões em 2013, o que representa uma participação do setor de 4,32% do PIB. Além disso, a área empregava, direta e indiretamente, 2 milhões de pessoas –mais do que a indústria automobilística.

Os números vinham em alta, tanto que em 2019, a Abrape (Associação Brasileira dos Produtores de Eventos), ao reunir mais de 60 mil empresas de toda a cadeia de serviços, contabilizou que estas, nos últimos tempos, ao organizarem feiras, congressos e exposições, lucraram R$ 59 bilhões. Em 2002, a receita delas não chegava a R$ 4 bilhões. Entretanto, a pandemia causou um impacto inicial que ninguém podia prever, o que desestabilizou o setor financeira e economicamente.

“Cerca de 97% das atividades do setor de eventos estão completamente paralisadas desde março do ano passado. Isso corresponde a mais de 350 mil eventos que deixaram de ser realizados em 2020 –o número inclui shows, festas, congressos, rodeios, eventos esportivos e sociais, teatro, entre outros. Isso fez com que o setor deixasse de faturar ao menos R$ 90 bilhões. A paralisação gerou perda de arrecadação de R$ 4,6 bilhões em impostos federais e mais de 450 mil profissionais ficaram desempregados”, explica Doreni Caramori, empresário e presidente da Abrape.

Em consonância com tudo isso, estudos também mostram que mais de 200 mil MEIs estão sem faturamento há mais de um ano.

Por isso, a fim de se reinventar e de não deixar de cumprir contratos inadiáveis, os organizadores passaram a adotar um novo formato de evento, especialmente voltado ao entretenimento e à cultura que, hoje, já é um velho conhecido do público: as lives. Segundo o presidente da Abrape, essa foi uma alternativa paliativa para suprir as lacunas em um momento cheio de restrições, mas que não deve durar no pós-pandemia por três motivos:

● Saturação do modelo;

● Necessidade de movimentação nacional de dinheiro que não é completamente atendida pelo formato;

● Clientes sentem falta da experiência presencial dos eventos.

O especialista salienta que o cenário atual ainda é incerto. Porém, acredita que, cedo ou tarde, quando for seguro, os eventos majoritariamente presenciais e ao vivo serão maioria, já que esses modais realmente correspondem à principal missão do setor, que é congregar pessoas físicas e jurídicas por meio da troca de experiências e informações.

“Eventos híbridos e virtuais sem dúvida acontecerão, até como um legado da evolução tecnológica combinada com a pandemia. Contudo, entendemos que serão minoria se analisarmos todo o universo do segmento”, diz Doreni Caramori.

Perspectivas para o futuro

Com a média de casos e óbitos por Covid-19 reduzindo semana a semana e com a vacinação acelerando, as previsões para a realização de eventos no Brasil são positivas. Unindo isso ao fato de que o setor planeja executar testes, o presidente da Abrape pontua que é possível retomar as atividades presenciais no final de 2021, caso os resultados obtidos sejam animadores.

Uma dessas provas de fogo será nos dias 21 e 22 de julho, em Santos (SP), quando irá ocorrer a Expo Retomada – Evento Seguro, organizada pela Abeoc, Abrade (Associação Brasileira de Cenografia e Estandes), pelo Sindiprom (Sindicato de Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos do Estado de São Paulo) e pela Ubrafe (União Brasileira dos Promotores de Feiras).

A ação tem a chancela do governo do Estado e da prefeitura local. A ideia é utilizar os dados obtidos com o experimento para decidir sobre a liberação da realização de uma parcela dos eventos. A expectativa é de que 1000 pessoas circulem, por dia, no recinto.

“Os testes serão uma forma de coletar informações, observando as características regionais, para firmar premissas claras nos protocolos a fim de termos uma volta rápida e segura. Além disso, essas diretrizes serão fundamentais para esclarecer as dúvidas do setor público e transmitir segurança àqueles que querem voltar a frequentar os eventos presenciais. O setor é pujante e resiliente, e acreditamos que, passada a tormenta, todos nós voltaremos mais fortes e saudáveis”, afirma Doreni Caramori.

A preocupação da entidade é notável, tanto que há uma cartilha com orientações de como os organizadores devem agir e uma planilha atualizada frequentemente com informações sobre a diminuição das medidas restritivas e que possibilitam a execução de eventos nas capitais e nos Estados brasileiros, em países do exterior, o andamento da vacinação e as medidas econômicas de apoio ao setor de eventos.

O presidente da Abrape ressalta, ainda, que a instituição tem feito pesquisas quinzenais em parceria com a Ambev e com a consultoria Provokers sobre a expectativa da população sobre a volta aos eventos e os dados recentes justificam as perspectivas positivas. “83% dos entrevistados sentem falta e mais de 60% tem intenção de voltar a frequentar eventos assim que houver condições sanitárias para tal. Nesse sentido, estamos otimistas de que a volta do setor, quando autorizado a funcionar por completo, será envolta em prosperidade e com uma demanda bastante aquecida”, finaliza.

Foto/Destaque: Divulgação

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