7 de maio de 2021

Mostrando a força do pirarucu na culinária amazonense, o restaurante Langrill, com o prato ‘Medalhão de pirarucu recheado’ trouxe para o Amazonas o prêmio de segundo lugar na final nacional do concurso ‘O quilo é nosso’, promovido pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e realizado na terça-feira, 17, no Rio de Janeiro, na escola de gastronomia Le Cordon Bleu. E o Langrill só não trouxe o título máximo porque nas duas edições anteriores do concurso o Amazonas foi o Estado vencedor com os restaurantes Gaúcho’s Gourmet (Lombo de pirarucu a Solimões), em 2018; e o Kilomania (Pirarucu pai d’égua), em 2019. Sempre com o pirarucu ‘nas paradas’.

O pirarucu, mais conhecido como bacalhau da Amazônia, é sucesso na gastronomia

“Se o Amazonas ganha mais uma, aí os outros estados não iam mais querer participar”, brincou Ademir Soares, proprietário do Langrill, comemorando o resultado junto com o chef Eraldo Bentes, um dos idealizadores do prato.

“Até o início de outubro eu nem pensava em participar do concurso, aí o Fábio Cunha (presidente da Abrasel Amazonas) me convidou. Reuni minha equipe e perguntei se eles topavam enfrentar aquele desafio. Todos concordaram. Aí começamos a testar vários pratos, uns cinco, seis, até que no ‘Medalhão de pirarucu recheado’ o Eraldo finalizou o molho que ele pesquisa há cinco anos, e decidimos que o prato seria aquele. Não deu outra. Ganhamos aqui e, de certa forma ganhamos lá, também, pois só levar a gastronomia amazonense para pessoas e chefs de outros estados conhecerem, e eles se maravilharem, já é uma vitória”, destacou Ademir.

hef Eraldo e Ademir Soares

Um artista da gastronomia

Para a final do concurso no Rio de Janeiro, Eraldo colocou na mala, postas de pirarucu mais pupunha, tucumã, castanha do Brasil, banana pacovã e farinha de Uarini (para o recheio), além de cupuaçu e uma série de temperos e especiarias (para o molho branco), ou seja, se era para ser regional, ele levou o máximo de ‘armas’ que podia.

“Fui preparado para fazer o ‘medalhão’ não só para os jurados, mas para quem estivesse presente. Os chefs dos outros restaurantes competidores e os presidentes das Abrasel estaduais que estavam lá, provaram e acharam o prato fantástico. Isso já foi um grande prêmio para mim”, contou Eraldo.

Como praticamente todo parintinense, Eraldo é um artista, não das artes plásticas, dos bumbás, mas da gastronomia. Há anos ele é um apaixonado pela gastronomia regional e nunca pra de buscar novos sabores na mistura de peixes com frutas, ervas e temperos amazônicos. Mas se bobear ele também sabe desenhar e pintar.

“Nasci na comunidade Vila Bentes, que leva esse nome porque foi formada pela minha família. Fica a umas três horas antes de chegar na ilha Tupinambarana, de quem desce o rio”, contou.

Eraldo começou na cozinha de sua casa, fazendo café, sob a supervisão da avó que dizia que o menino seria um grande cozinheiro quando crescesse.

“Um dia meu tio, que me criou, mandou eu fazer um caldo para tomar com carauaçu e me ‘obrigou’ a fazer um caldo bem feito sob pena de ‘se ver’ com ele quando voltasse. Com a minha avó dando opinião, o caldo ‘ficou no jeito’ e foi elogiado por todos, aí eu ganhei moral. Não parei mais de fazer comidas. Eu mesmo pescava e fazia os pratos”, lembrou.

Menino, Eraldo brincou no Garantido pelas ruas de Parintins, mas seu destino era Manaus. Com 15 anos ele veio para a capital.

Valorizando a comida regional

“Em Manaus, ganhava algum dinheiro pintando camisas e quadros, arte que aprendi sozinho, até que, com 22 anos, arrumei meu primeiro emprego numa empresa do Polo Industrial de Manaus, lavando panelões. Com uma semana o chefe da cozinha me chamou para trabalhar com ele e começou aí meu caminho na gastronomia”, contou.

São inúmeros os restaurantes por onde Eraldo passou, e em cada um aprendeu alguma coisa. Sua circulação por vários restaurantes foi exatamente porque buscava sempre o novo, o diferente.

Em 2001 Ademir inaugurou seu restaurante Premiatto, no Studio 5 e, ao pedir um cozinheiro para o Senac, lhe foi indicado Eraldo, que estava se especializando na instituição. Desde então os dois formaram uma parceria.

“Eu havia trazido chefs de São Paulo para instruí-lo, mas com o conhecimento que tinha, foi o Eraldo que passou a instruí-los”, riu Ademir.

Mas depois de uns anos, Eraldo voltou a circular por outros restaurantes só voltando a trabalhar com Ademir, em 2013, quando se tornou um consultor de gastronomia regional.

“Trabalhei nos restaurantes de vários shoppings e achava estranho não valorizarem a comida regional, exatamente o que eu gostava de fazer. Com o Ademir, tenho liberdade para criar, aqui no Langrill, onde sempre o cliente vai encontrar peixes e outras iguarias amazônicas”, adiantou.

Quem quiser saborear o ‘Medalhão de pirarucu recheado’, o segundo com sabor de primeiro, pode passar no Langrill localizado no Millennium Shopping.       

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