Cesta básica sobe 8,49% em novembro na capital

Os produtos da cesta básica de Manaus voltaram a subir em novembro, ficando 8,49% mais caros, em média. Na comparação com outubro, o preço médio subiu de R$ 228,75 ante R$ 248,18, sendo que mandioca e feijão registraram altas de dois dígitos, entre um mês e outro. É o que apontam os dados do mais recente levantamento mensal realizado pela CDC (Comissão de Defesa do Consumidor) da Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas).

O movimento ascendente dos valores nas gôndolas da capital amazonense seguiu em paralelo com a mais recente alta da cesta básica em 15 das 17 cidades sondadas mensalmente na pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) – que com metodologia diferente. Os maiores reajustes, detectados entre setembro e outubro, se concentraram em Brasília (10,03%), seguida por São Paulo (5,77%) e Campo Grande (5,54%). Os preços, contudo, foram mais elevados, variando de R$ 436,76 (Natal/RN) a R$ 595,87 (São Paulo/SP).

Vale notar que a alta no preço dos alimentos também já havia pressionado o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor de outubro) – especialmente neste último, onde os produtos pesam mais –, com expansões de 0,86% e +0,89%, respectivamente, de acordo com os levantamentos mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os vilões, em ambos os casos, foram arroz (13,36%), batata-inglesa (17,01%), óleo de soja (17,44%) e tomate (18,69%).

De acordo com a sondagem da CDC/Aleam, os produtos que mais contribuíram para o encarecimento da alimentação e higiene do consumidor manauense foram registrados na farinha de mandioca (+25,01%), no feijão carioca (+12,13%), no frango (+5,29%) e no papel higiênico (+16,57%), entre outros. Em contrapartida, ovo (-6,14%), vinagre (-3,51%) e desinfetante (-8,24%) teriam ficado mais em conta.

Realizada entre 9 e 11 de novembro, a pesquisa se concentrou em 26 itens que compõe a cesta básica do trabalhador amazonense e verificou seus preços em dez supermercados de Manaus. Além da alta, foram constatadas também diferenças significativas no preço global da cesta na capital, que variou de R$ 202,74 a R$ 311,30, gerando uma diferença de 53,55%. Foi uma variação bem superior à detectada no levantamento de outubro (16,99%)

Desdobradas item a item, a diferenças de preços chegaram a 395%, a exemplo do sabão em pó, que estava custando R$ 1,29 em um estabelecimento, e R$ 6,39, em outro. Outros produtos também tiveram destaque na variação de preços como o papel higiênico (196%), água sanitária (133%), sal de cozinha (129%) e o achocolatado (120%). No caso das proteínas, como frango e ovo, os desníveis nos preços foram de 74% e 24%, respectivamente.

Câmbio e logística

O coordenador regional da Abed (Associação Brasileira de Economistas pela Democracia) e ex-supervisor técnico do escritório regional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) no Amazonas, Inaldo Seixas, observa que a alta dos preços de alimentos se dá, por um lado, em virtude da combinação de demanda internacional e pela alta do dólar, já que o produtor prefere atender o mercado estrangeiro. Mas, para outra gama de produtos, os impactos da pandemia teriam se dado de outra forma, gerando efeitos diferenciais para “mercados longínquos” dos centros produtores, a exemplo do Amazonas.   

“No começo da pandemia, diminuiu a produção e o estoque de muitos itens. Com a retomada, os pedidos vão sendo equilibrados, sendo que mercados mais distantes, como o nosso, levam mais tempo para chegar lá. Enquanto esse risco da covid-19 não estiver equilibrado, teremos essas flutuações e poderemos ver, sazonalmente, alguns produtos com aumentos de preço. Os preços vêm subindo significativamente nos últimos três meses e ainda é cedo para dizermos se chegou a um teto. Ainda mais com o Natal chegando aí”, ponderou. 

O economista estranhou o valor global comparativamente menor da cesta de Manaus, quando comparado aos preços registrados em outras capitais, na pesquisa do Dieese, não deixando de apresentar ressalvas em relação à metodologia da pesquisa da CDC/Aleam. Mas, salientou que, em linhas gerais, os aumentos verificados nela seguem em sintonia com as tendências registradas em outras sondagens, a exemplo das realizadas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), com possíveis desdobramentos negativos na economia brasileira.

“O IGP-M registra inflação acumulada de 18%, em 2020 e há expectativa de maior desequilíbrio fiscal no Estado brasileiro. O Orçamento do governo federal ainda não foi aprovado e não sabemos como ele vai enquadrar as contas. Também tivemos expansão da dívida pública, que eleva o risco de sua rolagem, com repercussões no mercado. Esse será reproduzido para as empresas e poderemos ficar em uma situação de baixo crescimento econômico e alta generalizada de preços. Mas, ainda não dá para falar de hiperinflação. Vai depender de como a economia vai desempenhar nestes últimos dois anos e da reação do governo”, alertou.  

Disparidade de preços

No texto de divulgação da pesquisa sobre a cesta básica de Manaus, o presidente da CDC/Aleam, deputado estadual João Luiz (Republicanos), destacou a importância da realização e divulgação do levantamento, diante da disparidade de até três dígitos nos valores locais dos produtos. No entendimento do parlamentar, em posse de tais informações, o consumidor também estará habilitado a fazer sua parte.

“Essa variação de valores de produtos observada nos [dez] estabelecimentos [sondados] aponta a necessidade de o consumidor realizar pesquisas de preços, na hora de fazer as compras do mês. Neste caso, vale a pena gastar ‘sola do sapato’ para garantir uma economia mensal na renda familiar”, concluiu.

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