Oferta e procura de empregos é discrepante no Amazonas

O mercado de trabalho do Amazonas ainda oferece discrepâncias pontuais entre oferta e demanda de empregos, apesar da larga presença de ocupações com menor exigência de qualificação e especialização em ambas as listas. A conclusão vem dos dados do Sine-AM (Sistema Nacional de Emprego – Amazonas), fornecidos pela Setemp (Secretaria Executiva de Trabalho e Empreendedorismo). As restrições de distanciamento social impostas pela pandemia, contudo, ajudaram a dificultar as tentativas de diminuir a lacuna.

No ‘top-10’ da demanda dos trabalhadores amazonenses, registrada em outubro, despontam, na ordem, colocações para cargos de auxiliar de produção, auxiliar de serviços gerais, agente de ressocialização, vendedor, auxiliar de produção PcD (pessoa com deficiência), eletricista, agente de portaria, motorista, artífice, operador de empilhadeira. 

Já a oferta das empresas que buscam os serviços do Sine-AM para intermediar as contrações incluiu também profissões que demandam afinidade com atividades de escritório. A prioridade foi para, igualmente na ordem, auxiliar de produção, auxiliar administrativo, auxiliar financeiro, agente de portaria, auxiliar almoxarifado, operador de empilhadeira, operador de caixa, estoquista e auxiliar de serviços gerais (para pessoas portadoras de deficiência).    

Destaca-se a ausência na lista de profissões em setores de tecnologia – uma demanda constante no PIM – ou cargos de gerência e direção. Em matérias anteriormente publicadas no Jornal do Commercio, o Sine-AM informou que os profissionais que buscam uma colocação nessas áreas geralmente não procuram o órgão, dado que as empresas também não disponibilizam tais vagas. 

Em 2019, o Sine-AM recebia em torno de 500 pessoas por dia, para cadastro. A Setemp reforçou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a pandemia restringiu o atendimento ao modo online, com 2.000 a 3.000 e-mails diários, mas não soube estimar quantos o número de cadastros efetivados. “Dependendo do número de vagas, é uma loucura de quantidade mensagens, porque está todo mundo atrás de emprego”, mencionou a assessoria. A secretaria também não detalhou números de vagas e candidatos para ambos os rankings, nem média de vagas ofertadas. 

“Sem discrepâncias”

Em relação às discrepâncias entre demanda e oferta de empregos no Amazonas, o diretor do departamento de Promoção ao Trabalho da Setemp – e também do Sine-AM –, Helder Cintra, salienta que o órgão busca sempre entregar uma mão de obra qualificada ao mercado de trabalho local, por meio de termos de cooperação técnica com o Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas).

“Não basta tão somente ter a comprovação do tempo de serviço. Precisamos também da atualização dos instrumentos, ofícios e afins do candidato. Quando a empresa encaminha um perfil, verificamos a comprovação do exercício do ofício de seis meses a um ano, em média – em alguns casos, até dois anos. E também acompanhado da qualidade técnica, com a comprovação de um curso especifico e de uma formação mais delimitada para a área de atuação”, ressaltou.

Por isso, o diretor do Sine-AM não vê discrepâncias entre oferta e procura de vagas no Amazonas. Cintra destaca que o serviço de intermediação de mão de obra efetivado pelo órgão estadual não se limita à colocação dos trabalhadores, mas inclui também o ato de lapidar o empregador, trazendo o melhor candidato e negociando a inserção do profissional no mercado de trabalho. 

“Às vezes, o perfil que a empresa sugere é um que talvez nenhum outro departamento de RH [Recursos Humanos], ou mesmo o Estado, possa conseguir atender. Nosso esforço vem de unir e negociar, fazendo esse relacionamento entre empregador e empregado, para que eles possam alcançar a contratação, e daí ter efetivação de salário, trabalho e afins. Queremos entregar não apenas um profissional que tenha tempo de serviço, mas também que seja qualificado. E podemos aprimora-lo, quando não tiver a especificação na medida do ofício”, ponderou. 

Otimismo e esforços

No entendimento da titular da Setemp, Neila Azrak, os dados estatísticos mais recentes do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados na semana passada, apontam que há “grande otimismo” no mercado, com relação ao aumento de contratações, o que demandaria ênfase no trabalho de captação de vagas por parte da Secretaria Executiva de Trabalho e Empreendedorismo.

Puxado pelos setores de serviços e comércio, o Amazonas avançou 1,37% no saldo positivo de empregos com carteira assinada, em outubro. No total, foram criados 5.669 postos de trabalho, já que as contratações (16.013) voltaram a bater as demissões (10.344). Foi o suficiente para empurrar o acumulado do ano, pelo segundo mês seguido, desde o começo da pandemia. De janeiro a outubro, o Estado avançou 1,47% e criou 6.076 vagas – 126.464 admissões e 120.388 desligamentos –, elevando o estoque para 421.451 ocupações.

“Todos os esforços e equipe estão comprometidos em cumprir o objetivo de intermediar a contratação, deixando sua estrutura física e administrativa à disposição dos empresários, reforçando o compromisso do governo do Amazonas em impulsionar a empregabilidade. Em breve, novas vagas serão divulgadas nos portais de comunicação, devendo a população ficar atenta às redes sociais da Setemp”, encerrou.

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