Mais fôlego no comércio do Amazonas

O comércio varejista do Amazonas respirou melhor na passagem de abril para maio. Ainda sob os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus e das medidas de combate a ela, o setor conseguiu avançar na variação mensal embora ainda esteja devendo em relação aos números do ano passado. Segmentos dependentes de crédito, como os de veículos e de material de construção, tiveram um desempenho comparativamente melhor. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta quarta (8). 

Depois de desabar 15,6% na passagem de março para abril, o varejo amazonense viu suas vendas subirem 13,2% na virada para maio, com os segmentos de bens não essenciais ainda amargando semanas de portas fechadas e vendas limitadas ao delivery e drive-thru, em Manaus. Em relação ao mesmo mês de 2019, ainda houve retração de 12,4% – contra os -22,8% anteriores. Não foi suficiente para tirar o acumulado do ano (-3,6%) do vermelho, embora o aglutinado de 12 meses (+6,1%) tenha se mantido positivo. 

Apesar do incremento mensal nas vendas, o Estado caiu do 12º para o 13º lugar no ranking de desempenho de vedas das 27 unidades federativas do Brasil, com resultado abaixo da média nacional (+13,9%). Rondônia (+36,8%), Paraná (+20%) e Goiás (+19,4%) encabeçaram uma lista composta apenas por números positivos. Em sentido contrário, Pará (+0,9%), Distrito Federal (+3,9%) e Rio Grande do Norte (+5,7%) figuraram no rodapé.  

A receita nominal do setor – que não considera a inflação do período – avançou 12,1% na comparação com abril, ficando bem acima da marca da sondagem anterior (-15,3%). No confronto com maio de 2019, o varejo do Amazonas se manteve em campo negativo (-7,9%). O saldo se manteve no azul nos acumulados dos cinco meses (+3%) e de 12 meses (+10,8%). 

Em um panorama marcado por desempenhos positivos, a receita nominal registrada na passagem de abril para maio fez o Amazonas se manter na 11ª colocação, em um patamar pouco acima da média nacional (+9,9%). Os melhores resultados vieram de Rondônia (+31,5%), Paraná (+18%) e Santa Catarina (+17,2%). Na outra ponta, Pará (0%), Distrito Federal (+3,4%) e Maranhão (+5,5%) ficaram nas últimas posições.

Veículos e construção

O volume de vendas do varejo ampliado do Amazonas – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – teve desempenho comparativamente melhor. O acréscimo no volume de vendas em relação a abril de 2020 foi de 19,3%, embora o confronto com maio de 2019 tenha apontado para queda de 17%. O acumulado do ano apresentou retração de 7,7%, enquanto o de 12 meses rendeu alta de 1,8%. As respectivas médias nacionais foram -19,6%, -14,9%, -8,6 e -1%.

Já a receita nominal do varejo ampliado subiu 17,8% em relação a abril deste ano e caiu 13,2% ante maio de 2019. Em cinco meses, o número recuou 2,8%. Em 12 meses, por outro lado, houve acréscimo de 5,9%. O varejo nacional perdeu para o local em praticamente todas as comparações, neste cenário, ao pontuar +15,1%, -12,1%, -5,4% e +1,4%, respectivamente.

“Longo caminho”

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, avalia que, aparentemente, o comércio varejista do Amazonas chegou “ao fundo do poço” em abril, mas salientou que o crescimento de maio é “muito incipiente”, já que a comparação é feita com “o caos” nos números de abril.

“Quando olhamos as comparações com o ano passado, vemos que o comércio ainda tem um longo caminho a percorrer em 2020. Nesse momento, é necessário retomar as vendas e depois buscar novas metas, que infelizmente não dependem apenas de abrir as portas e esperar os clientes. A boa notícia vem do comércio ampliado, que pode indicar um fio de esperança para as retomadas”, asseverou.

Auxilio emergencial

Mais cético, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, assinala que os números do IBGE sobre o desempenho do varejo amazonense em maio “falam por si só”, ao apontar um crescimento de vendas do setor no mesmo momento em que o governo federal começou a irrigar a economia com os recursos do auxilio emergencial, uma medida que pode ter fôlego curto.

“Acredito que, enquanto tiver esse dinheiro, o comércio varejista do Amazonas vai estar com uma situação de vendas melhor. Quando acabar essa ação do governo, é que realmente nós vamos poder ver como vai se comportar a economia do país e o desempenho do setor, sem esse auxílio”, encerrou. 

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