Novo tombo de dois dígitos no comércio do Amazonas

A crise da covid-19 e as medidas governamentais de isolamento social para combate à pandemia cavaram mais fundo no volume de vendas e receita nominal do comércio varejista do Amazonas, em abril. O setor amargou um novo tombo de dois dígitos, sendo que segmentos dependentes de crédito, como veículos e material de construção, caíram com mais força. A média brasileira, contudo, caiu mais. Os dados são da pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta terça (16).

Depois de desabar 16,5% na passagem de fevereiro para março, o varejo amazonense viu suas vendas tombarem mais 14,6% na virada para abril, já com os segmentos de bens não essenciais amargando semanas de portas fechadas e vendas praticamente zeradas. Em relação ao mesmo mês de 2019, a retração foi de 21,6% – contra os -5,6% anteriores. Foi o suficiente para arranhar o acumulado do ano (-0,9%), mas não o de 12 meses (+7,5%).

Apesar do recuo mensal nas vendas, o Estado conseguiu subir do penúltimo para o 12º lugar no ranking de desempenho das 27 unidades federativas do Brasil, com resultado acima da média nacional (-16,8%). Santa Catarina (-4,3%), Tocantins e Roraima (ambos empatados com -8,9%) encabeçaram uma lista composta apenas por números negativos. Em sentido contrário, Amapá (-33,7%), Rondônia (-21,8%) e Ceará (-20,2%) figuraram no rodapé.

A receita nominal do setor – que não considera a inflação do período – retrocedeu 14,4% na comparação com março, ficando pouco acima da marca da sondagem anterior (-14,7%). No confronto com abril de 2019, o varejo do Amazonas reverteu o crescimento anterior (+1,7%) e caiu com mais força (-15,7%). O saldo se manteve positivo no quadrimestre (+6,3%) e no aglutinado de 12 meses (+12,2%).

Em um panorama marcado por desempenhos negativos, a receita nominal registrada na passagem de março para abril fez o Amazonas subir da penúltima para a 11ª colocação, em um patamar pouco acima da média nacional (-17%). Os melhores resultados vieram de Roraima (-8,6%), Santa Catarina (-9,2%) e Tocantins (-10%). Na outra ponta, Amapá (-31,4%), Rondônia (-21,7%) e Distrito Federal (-19,5%) ficaram nas últimas posições.

 Veículos e construção

O volume de vendas do varejo ampliado do Amazonas – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – teve desempenho ainda pior. O decréscimo nas vendas foi de 22% em relação a março de 2020 e de 32% no confronto com abril de 2019, tendo acumulado perda de 5,2% no quadrimestre, mas o acumulado de 12 meses ainda se manteve positivo em 3,6%. As respectivas médias nacionais foram -17,5%, -27,1%, -6,9 e +0,8%.

Já a receita nominal do varejo ampliado caiu 21,1% em relação a março deste ano e 26,8% ante abril de 2019. No quadrimestre, o número se manteve praticamente na estabilidade e não avançou mais do que 0,1%. Em 12 meses, o acréscimo chegou a 7,7%. O varejo nacional superou o local praticamente em todas as comparações, neste cenário, com -16,3%, -23,5%, -3,6% e +3,3%, respectivamente.

 Calendário e retomada

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, reforça que não se poderia esperar muito do setor em abril e maio, dado que a maior parte das empresas estava com as portas fechadas, com a exceção dos segmentos essenciais. Quem continuou operando, prossegue o dirigente, foi a minoria das lojas que conseguiu se manter em delivery e drive-thru.

“Mas, acreditamos que esses dois meses foram o fundo do poço. Com a implantação do calendário de retomada do comércio por ciclos, teremos uma gradual recuperação das vendas. Acredito que já veremos alguma melhora em junho, já que alguns segmentos voltaram a atender. É claro que ainda não vai ser suficiente para chegarmos aos níveis do ano passado, mas será suficiente para diminuir essa diferença”, afiançou.  

 Possível repique

Já o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, assinala que já era esperado pelos empresários que o setor sofresse queda maior no Amazonas em função dos diferenciais de sua economia regional e da dinâmica desta com os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus. E, embora considere que abril foi o fundo do poço da presente crise, o dirigente não descarta a possibilidade de repiques negativos para as vendas, no segundo semestre.

“Não temos um agronegócio impulsionando o setor, como ocorreu em muitas regiões do Brasil. Dependemos muito da indústria que foi muito afetada pela falta de insumos, e também houve falta de consumo. Acredito que abril foi o pior mês deste primeiro semestre, mas não descarto que tenhamos números próximos a esses na segunda metade do ano. Setembro pode ser que seja um mês bem ruim também. Mas, vamos aguardar e ver o que vai acontecer no decorrer dos próximos meses”, encerrou.

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