Flutuantes agregam valor como opção aos turistas

Pandemia, decretos governamentais mandando fechar tudo. Ainda assim a Afluta (Associação dos Flutuantes do rio Tarumã-Açu) surgiu, criada em julho e registrada em setembro passados, porém, para completar a desilusão dos donos de flutuantes, ao menos dos que funcionam apenas como restaurantes, quando o Governo do Estado decretou que eles podiam reabrir, exatamente por serem restaurantes e, como tal, se obedecerem os protocolos de higienização contra o coronavírus, não oferecem perigo de os clientes contraírem covid, a vazante do rio já se faz presente e os clientes só vão voltar com força lá pela segunda metade de dezembro.

“Atualmente temos de dez a quinze restaurantes flutuantes no Tarumã-Açu. Só eles foram liberados para voltar a funcionar a partir desta segunda-feira (16), mas o decreto veio tardiamente porque estamos na vazante do rio, que começou em setembro. Agora, por todo o mês de novembro as águas sobem e lá para dezembro estarão plenas”, contou o empresário Lúcio Bezerra, proprietário do flutuante Eco Lazer, e presidente da Afluta.

Lúcio lembrou que tradicionalmente as águas voltavam a subir exatamente no dia 2 de novembro, mas com as mudanças climáticas que ocorrem no mundo, esse dia agora varia.

“Este ano a subida começou no dia 8, mas a vazante foi muito forte. Alguns restaurantes flutuantes, com acesso por terra, até conseguem funcionar, mas aqueles, cujo acesso é somente por água, vão ter que continuar com suas atividades paralisadas, agora por decreto da natureza”, destacou.

Boom de ocupação

Lúcio calcula que existiam entre 150 e 200 flutuantes concentrados em uma parte do Tarumã-Açu. Por enquanto, 64 são associados da Afluta.

Afluente do Negro, o Tarumã-Açu é o maior rio da zona urbana de Manaus. Sua nascente encontra-se no quilômetro 40 da BR-174 e sua foz é na margem esquerda do Negro. Sua extensão é de 37.612 km. Belo rio de águas negras, a cachoeira do Tarumã foi um aprazível balneário até o início da década de 1990, quando suas águas ficaram totalmente poluídas, enquanto a cachoeira alta era um cartão postal da cidade desde o início do século passado. Hoje virou depósito de lixo. Agora os integrantes da Afluta lutam para que o rio continue com suas águas limpas e aprazíveis.

“Dos 64 associados, 61 possuem estação de tratamento de efluentes. Um flutuante está em construção e dois são de ribeirinhos. Um destes foi convidado por nós para se associar e o outro buscou se associar. Estamos cuidando para que eles montem sua estação de tratamento, que é um equipamento caro”, disse.

“Quanto aos demais flutuantes, que ainda não estão associados, alguns, com certeza, têm estação de tratamento; enquanto outros, também com certeza, não têm. Estes, são flutuantes de ribeirinhos, que tradicionalmente sempre fizeram suas necessidades nas águas do rio, mas queremos que todos se associem à Afluta, e se enquadrem às normas de higiene e limpeza do rio. Isso vai ser bom para todo mundo”, destacou.

Lúcio lembrou que todos os associados da Afluta exploram alguma atividade comercial: são tabernas, bares, restaurantes, oficinas, locais para eventos e locação. Locação, por sinal, é a atividade comercial mais recente a ser explorada e que nos últimos anos causou um boom de ocupação do Tarumã-Açu, ainda que tenha começado há 15 anos, exatamente com Lúcio.

“Eu fui o primeiro a ter um flutuante para aluguel, aqui no Tarumã, o Eco Lazer, inaugurado em 2005. Até 2013 eu fui único a existir neste espaço. Em 2014 começaram a surgir outros, um aqui, outro ali, e foram sendo construídos mais e mais nos anos seguintes. De 2019 até este ano acredito que uns 60 flutuantes ocuparam esta área antes sem ninguém”, revelou.

Flutuante Eco Lazer, um dia já foi primeiro e único

Área para turismo

Lúcio garantiu que mesmo com a invasão de tantos flutuantes, todos continuam ganhando dinheiro, inclusive ele, que não viu seu empreendimento ser afetado.

“O mercado é amplo, mas tudo tem um limite. Não dá para ficar lançando flutuantes eternamente aqui no Tarumã-Açu, por isso criamos a Afluta e agora estamos ‘correndo atrás’ para regulamentar a atividade”, adiantou.

Durante a reunião com o governador Wilson Lima, na sexta-feira (13), para decretar a reabertura dos restaurantes flutuantes, outra pauta apresentada foi a regulamentação dos estabelecimentos, que está em debate na Assembleia Legislativa desde o ano passado, tendo à frente a deputada Therezinha Ruiz, que integra um Grupo de Trabalho no parlamento estadual com o objetivo de propor normas para o setor, com a participação da sociedade e dos órgãos de controle.

“Também tive uma reunião com a Roselene Medeiros, presidente da Amazonastur, para viabilizarmos a transformação de todo aquele espaço onde estão os flutuantes numa área turística, que possa receber os visitantes de nossa cidade”, falou.  

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