Desafios da indústria 4.0 no Amazonas

O Visão JCAM, um olhar Amazônida, realizou, nesta segunda-feira (16), a terceira live para discutir as potencialidades da inovação tecnológica no Amazonas, com foco na geração de novos empregos e renda à população do Estado.

Depois da mineração e da bioeconomia, desta vez o tema abordado foi a indústria 4.0, uma realidade industrial que já começa a ser operada nas linhas de produção das fábricas instaladas na ZFM (Zona Franca de Manaus).

Estima-se que, em cinco ou dez anos, a nova tecnologia já esteja operando em 100% nas mais de 500 empresas do parque industrial do Estado e também no País, a exemplo do que acontece no Japão, Europa, Estados Unidos e em outros países do primeiro mundo.

O grande questionamento dos especialistas é se toda a indústria nacional está preparada para absorver uma indústria que traz avanços tecnológicos de última geração. E se tem mão de obra qualificada para operar um sistema tão sofisticado que extrapola os processos de automação.

Agora, além de interagir, a máquina também pensa e pode fazer tudo sozinha, uma evolução que não se imaginava na então primeira revolução industrial.

 “Este tema trata de um assunto essencial para a Zona Franca de Manaus, que é a efetivação da indústria 4.0. Essa reunião traz debatedores do mais alto nível, como tem sido em todos os eventos produzidos pelo Jornal do Commercio”, ressaltou o diretor-presidente da empresa jornalística, Sócrates Bomfim Neto. “Que esse seja mais um encontro produtivo”, acrescentou.

Os jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, editor-geral do JC, mediaram as discussões sobre o tema, reunindo Nelson Azevedo, vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas); Marcelo Cavalcante, coordenador-geral de Gestão Tecnológica da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus); José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros (Associação de Fabricantes de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos); o geólogo Daniel Nava e o superintendente do JC, Adalberto Santos. Alberjan Pinto, Gerente do CITS  e do Programa Prioritário de Industria 4.0

Fator humano

Segundo Marcelo Cavalcante, os desafios para a implantação da indústria 4.0 são muito grandes, principalmente em relação à questão da disponibilidade de profissionais qualificados para operar o novo sistema.

“Hoje, existem indústrias no PIM (Polo Industrial de Manaus) que não estão nem na indústria 1.0. Os desafios são enormes em termos de produção, mas o fator humano pesa muito ainda. Precisamos avançar muito nessa questão de profissionalização”, disse ele. “Uma revolução industrial não ocorre de um ano para outro. É um processo constante, gradativo”.

De acordo com Cavalcante, a nova indústria funciona com base no tripé governos, universidades e empresas. “A grande pegada do novo sistema é a conexão. Para isso, devemos ter um sistema de internet altamente evoluído para atender a essas necessidades”, afirmou.

Alberjan Pinto compartilha do mesmo argumento. Segundo ele, a qualificação é um dos principais fatores para a instalação da indústria 4.0. “ O grande gargalo é a aquisição de pessoal humano qualificado, com boa formação”, ressaltou ele.

O empresário José Jorge Nascimento Junior, presidente da Eletros, ressaltou que muito se confunde indústria 40 com automação. “São coisas bastante distintas. O sistema surgiu na Alemanha em 2011 e, há dez anos, ainda estamos tentando implementar essa nova revolução industrial”, afirmou.

Segundo Nascimento, o Brasil figura hoje na 69ª posição no ranking de países com mais inovação tecnológica no mundo. “Não é algo que inspire muita confiança em nosso processo produtivo que precisa de uma mudança imediata  para se tornar também mais competitivo”, afirmou.

Alberjan Pinto anunciou  que coordena um programa em parceria com universidades e institutos para o desenvolvimento de novos conhecimentos tecnológicos. “O objetivo é que a indústria local absorva todo esse know how de processos desenvolvidos no Amazonas, de acordo com as peculiaridades regionais”, disse.

O geólogo Daniel Nava questionou se, realmente, a indústria nacional está preparada para operar esse novo sistema, muito sofisticado. “São demandas que exigem muito formação, maior qualificação de profissionais”, afirmou.

O superintendente Adalberto Santos ressaltou a importância de um maior estreitamento entre as ações da indústria da ZFM com as universidades. “Só assim poderemos alavancar o desenvolvimento tecnológico regional”, afirmou.

Há um senso comum entre as expertises sobre a indústria 4.0 de que o novo sistema não agravará a questão do desemprego. As mudanças obrigarão o trabalhador a se qualificar cada vez mais, surgindo novas funções nos processos produtivos.

E quem não se qualificar, vai ficar de fora do mercado de trabalho. Ou seja, a qualificação ditará os rumos que devem ter os novos trabalhadores que vão operar a nova indústria produtiva, extremamente inteligente e eficaz.

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