Construção civil ainda estável no Amazonas

O INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas emendou o terceiro mês de alta inexpressiva na passagem de abril para maio e praticamente empatou com o levantamento anterior, ao avançar apenas 0,05%. O Estado seguiu a mesma trajetória da média nacional (+0,17%), embora com ímpeto muito menor. Com isso, o valor local do metro quadrado para a atividade aumentou de R$ 1.147,42 para R$ 1.147,97.

Enquanto o passivo com a mão de obra (R$ 511,62) permaneceu rigorosamente estável no setor, pelo quinto mês seguido, os dispêndios com materiais totalizaram R$ 636,35, ficando 0,09% acima dos de abril (R$ 635,80). Os dados estão na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).

O incremento do custo da atividade no Amazonas foi maior do que a inflação oficial medida no período, conforme divulgação do mesmo IBGE. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pontuou a segunda deflação seguida (-0,38%), no menor número desde agosto de 1998. O passivo acumulado pela construção do Amazonas em 12 meses (+4,3%) também superou com folga a inflação brasileira (+1,88%).  O mesmo pode ser dito do aglutinado do ano, onde os números foram +0,25% e -0,16%, respectivamente.

A despeito do aumento entre abril e maio, o Estado subiu do 19º para o 16º lugar no ranking nacional de maiores incrementos no custo da atividade. Maranhão (+1,57%), Amapá (+0,67%) e Roraima (+0,54%) ocuparam os primeiros lugares. Em sentido inverso, Rio Grande do Norte (-0,10%), Bahia (-0,05%) e Pará (-0,04%) ficaram no fim de uma lista com cinco resultados negativos e três estabilidades (Rio de Janeiro, Sergipe e Paraíba).

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.174,02). O Estado se manteve no 15º lugar entre os maiores valores do país. Santa Catarina segue na primeira posição (R$ 1.337,61), seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 1.320,20) e pelo Acre (R$ 1.302,41). Os menores custos se situaram em Sergipe (R$ 1.000,97), Pernambuco (R$ 1.050,65) e Rio Grande do Norte (R$ 1.053,65).

O custo de mão-de-obra do Amazonas também permanece inferior à média nacional (R$ 558,46), mantendo-se na 17ª posição do ranking. Santa Catarina (R$ 693,16) ocupou o primeiro lugar, seguido por Rio de Janeiro (R$ 686,20) e São Paulo (R$ 637,22). Em contraste, Sergipe (R$ 457,88), Rio Grande do Norte (R$ 465,18) e Ceará (R$ 467,84) ficaram no fim da fila, com os valores mais baixos.

Como de costume, o custo de material puxou o indicador do Amazonas para cima. Com disso, o Estado se manteve em um patamar superior ao da média nacional (R$ 615,56) e subiu do 12º para o 11º lugar entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 730,43), Rondônia (R$ 693,40) e Distrito Federal (R$ 686,83) encabeçaram a lista. Os menores valores ficaram em Sergipe (R$ 543,09), Espírito Santo (R$ 553,29) e Paraná (R$ 571,02).

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, assinalou ao Jornal do Commercio que o momento atual não é propício para as vendas de balcão, fazendo com que os preços se mantenham sem reajuste. “A mão-de-obra ocupada não tem tido qualquer aumento em sua remuneração, e as obras estão paradas, tirando qualquer incentivo à alteração de preços e mantendo estável o indicador no Amazonas”, frisou.

Selic e demanda

Indagado pelo Jornal do Commercio a respeito do indicador, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, observa que as reduções seguidas nos juros básicos da Selic vem pressionando para baixo a taxa de financiamento de imóveis e pode também pode diminuir os custos de materiais em paralelo com o crédito. O dirigente ressalta, contudo, que o mesmo fator também pode contribuir, no limite, para um posterior aumento no insumo, caso a pressão da demanda se materialize na escassez do produto, mais adiante.

“Mas isso só deve acontecer no futuro. Temos uma tendência a uma estabilidade nesse valor, no Amazonas. Aqui, as coisas sempre demoram um pouquinho, pois temos uma logística demorada, que faz com que os materiais levem de 30 a 40 dias para chegar. Mas, com essa crise, não tem ambiente para aumento de materiais. E, no quesito mão de obra, a tendência talvez seja até de reduzir. Ninguém fez obras novas e não há clima para lançamentos ou para evoluirmos para empreendimentos com materiais mais caros”, finalizou. 

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