Custo da Construção Civil emenda segundo mês de alta inexpressiva

O INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas emendou o segundo mês de alta inexpressiva em abril e praticamente empatou com março, a avançar apenas 0,03%. O Estado seguiu, com menos ímpeto, a mesma trajetória da média nacional (+0,25%). O valor local do metro quadrado aumentou de R$ 1.147,06 para R$ 1.147,42.

Enquanto o passivo da mão de obra (R$ 511,62) permaneceu estável no setor pelo quarto mês seguido, os dispêndios com materiais para a atividade (R$ 635,80) avançaram em relação a março (R$ 635,44). Os dados estão na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), divulgada nesta sexta (8).

O incremento do custo da atividade no Amazonas foi maior do que a inflação oficial medida no período, conforme divulgação do mesmo IBGE. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pontuou deflação de 0,31%, na menor variação mensal desde agosto de 1998. O custo da atividade no acumulado de 12 meses (+4,62%) também superou com folga a inflação brasileira (+2,20%).  O mesmo não pode ser dito do quadrimestre onde os números foram +0,20% e +22%, respectivamente.

O aumento entre março e abril fez o Estado cair do 11º para o 19º lugar no ranking nacional de maiores custos da atividade. Rio de Janeiro (+1,89%), Amapá (+0,88%) e Tocantins (+0,84%) ocuparam os primeiros lugares. Em sentido inverso, Pará (-0,31%), Sergipe (-0,17%) e Distrito Federal (-0,12%) ficaram no fim de uma lista com sete resultados negativos e uma estabilidade (Mato Grosso).

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.172,05). O Estado se manteve no 15º lugar entre os maiores valores do país. Santa Catarina segue na primeira posição (R$ 1.338,08), seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 1.320,20) e pelo Acre (R$ 1.296,88). Os menores custos se situaram em Sergipe (R$ 1.000,93), Pernambuco (R$ 1.049,13) e Alagoas (R$ 1.053,07).

O custo de mão-de-obra do Amazonas também permanece inferior à média nacional (R$ 557,57), mantendo-se na 17ª posição do ranking. Santa Catarina (R$ 692,56) ocupou o primeiro lugar, seguido por Rio de Janeiro (R$ 686,15) e São Paulo (R$ 637,22). Em contraste, Sergipe (R$ 457,88), Rio Grande do Norte (R$ 465,28) e Ceará (R$ 467,84) ficaram com os valores mais baixos.

Como de costume, o custo de material puxou o indicador do Amazonas para cima. Com disso, o Estado se manteve em um patamar superior ao da média nacional (R$ 614,38) e no 12º lugar entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 724,90), Rondônia (R$ 688,68) e Distrito Federal (R$ 686,41) encabeçaram a lista. Os menores valores ficaram em Sergipe (R$ 543,05), Espírito Santo (R$ 550,79) e Paraná (R$ 565,06).

“Os valores no custo da construção se mantiveram praticamente inalterados. Apenas a componente de materiais teve pequeno reajuste. Os preços de balcão, por outro lado, não sofreram qualquer influência da quarentena. Tradicionalmente, as vendas nos primeiros meses do ano se mantêm inalteradas, o que leva o comércio a manter os preços e até fazer promoções. Com a continuação da quarentena, a tendência é que a atividade continue desaquecida”, assinalou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ao Jornal do Commercio.

Dissídio e frete

Indagado pelo Jornal do Commercio a respeito da estabilidade no valor contabilizado na mão de obra, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, observa que aumentos nessa variável não costumam ser aguardados pelo setor até meados do ano, quando se aproxima a data de dissídio dos trabalhadores da construção civil do Amazonas. As exceções, conforme o dirigente, costumam se dar quando há um número considerável de empreendimentos em fases que demandem trabalho mais especializado e remunerado. 

Em relação aos materiais, o fator predominante para a pequena elevação – que voltou a empurrar o indicador para frente – teria vindo novamente do fator frete, que se torno mais problemático no período da pandemia. Frank Souza lembra que praticamente 90% dos empreendimentos locais é do “tipo econômico”, demandando materiais mais baratos, e que o setor não ficou imune à crise, embora não tenha parado.

“Temos uma tributação que ajuda na questão das isenções e o preço do material talvez não fique tão caro. Mas, também há a variação do valor segundo a fase das obras. O período chuvoso faz com que muitos materiais mais caros, destinados a áreas externas, não consigam ser aplicados, e isso acaba dando uma diferença na cesta”, arrematou.

Fonte: Marco Dassori

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email