Tempo de transe… tempo de decepção

Nilson Pimentel (*) 

Transe, o carnaval, decepção, a vida real!!!

Domingo ensolarado na capital amazonense, convite para passear em seus arrabaldes e subúrbios dessa Manaus de contrastes e surpresas. Ano eleitoral com eleições importantíssimas para o município de Manaus e seu futuro. Sem contratempo algum, pertenço a uma Instituição de pesquisadores manauaras que tratam de questões da Ciência da Economia, e que estão preocupados com os rumos que a política partidária está tomando, notadamente em ano eleitoral municipal, principalmente na estagnante Manaus. O cenário da periferia da grande Manaus é de estarrecer os contrates que se vê com a ambiência urbana da Cidade. Ressaltem-se alguns aspectos que enaltece e ao mesmo tempo constrange, Manaus é a “capital” de shoppings e supermercados diversos (e a cada mês se instalam novos), comparativamente com capitais de mesma densidade populacional e aspectos ou marcadores econômicos semelhantes. Há algum fator ou variáveis que estão fora das pesquisas e das analises procedidas para que os fatos constatados sejam a realidade da capital Manaus. Exemplo: ali no bairro do P10 (da “Bola do Mindú”), naquela avenida que liga ao Parque das Laranjeiras, somente naquele perímetro existem seis supermercados/estabelecimentos comerciais assemelhados (em menos de 6 km). Fato constatado é só observar!  Em Manaus acontece cada “coisa” que até deus duvida! Voltando ao passeio dominical na capital, constatou-se que a bacia do Tarumã continua poluída de flutuantes de toda espécie, poluindo as águas daquele majestoso e único curso d’água ainda sem grande poluição ambiental da cidade de Manaus, (mesmo tendo Ordem Judicial para a Prefeitura Municipal de Manaus proceder à retirada daqueles flutuantes). Outra questão que preocupa é o descarte do lixo urbano, o antigo lixão, poluidor dos lençóis freáticos daquela área urbana de Manaus, ainda em operação, está totalmente sem nenhuma providência ambiental adequada para aquela área da cidade.  O outro, muito mal localizado e permitido por todas as autoridades ambientais do Estado e da Prefeitura de Manaus possui forte potencial poluidor ambiental (lençóis freáticos) e desmatou significativa área urbana, é preocupante tal descaso da autoridade que deveria cuidar de Manaus. Há inúmeros assentamentos irregulares de indígenas nos arrabaldes da capital e de invasões/ocupações de terras particulares e públicas. Ainda se desconhece alguma política pública de efeito populacional, migratório para capital e ordenamento regulatório de ocupação do solo urbano. Em ano de eleições municipais isso é muito preocupante, pois há permissividade de todos os lados, visando às eleições municipais. Também, constatamos pessoas morando em lugares e moradias insalubres, correndo sérios riscos de vida, saúde, segurança, etc. muita pobreza, fome e condições degradantes de vida, perdidas do poder público municipal e estadual. A realidade é bastante cruel, bem diferente dos comerciais e propaganda de governos.  Não obstante, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-Am), publicado no documento Síntese de Indicadores Sociais de 2022, divulgado no dia 7/12/2023, no Amazonas, 55,1% dos habitantes deste Estado vivem na condição de pobreza, sendo que os que estão na extrema pobreza somam 438 mil pessoas, equivalente a 10.5% do total da população. Sendo assim, o contingente de pessoas pobres chega a 2,2 milhões e pergunta-se: onde estão as políticas públicas do Governo estadual e da Prefeitura municipal, voltadas a esse povo que sejam razoavelmente exequíveis? O que se vê na realidade da vida, muitos experimentando dificuldades alimentares, com a fome batendo em suas ‘portas’ e muitos outros mantidos como “invisíveis”, pois se encontram fora daquelas áreas de ressonância das propagandas públicas, estão para além das periferias, comunidades esquecidas. No sentido comparativo, a média nacional de pessoas na extrema pobreza é de 5,9%, sendo que no Amazonas apresenta 10,5% dos habitantes nessa condição. Por outro lado, constata-se nessa mesma analise do IBGE, que 9,1% da população do Amazonas apresentam rendimento per capita superior a R$2000,00.  As desigualdades socioeconômicas e ambientais apresentadas nos documentos do IBGE- 2023/12 devem ser combatidas e inaceitáveis e não como senso comum as avessas de aceitação geral, exigindo que governos estadual e municipal e as demais organizações da sociedade civil reconheçam tão grave a situação e apresentem políticas e mecanismos para enfrentar e superar a extrema pobreza da população dando-lhe direcionamento para uma vida digna. Chega!  Não é possível festejar o desenvolvimento via publicidade e propaganda governamental, quando a realidade da vida real é de pobreza e fome. E você, cidadão? Pode fazer alguma ação? Vamos cobrar mais dos políticos que estão no poder! Deputados estaduais e Vereadores municipais de Manaus.

(*) Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador Sênior, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

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