17 de agosto de 2022
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Whirlpool busca minimizar resíduos

Em Manaus, o segmento de ar-condicionado enfrenta sua pior fase, contabilizando uma queda de 60% na produção, em relação ao ano passado, segundo dados da Suframa. No entanto, empresas como a Whirlpool Latin America trabalham sob o conceito de inovação sustentável, ou seja, o desenvolvimento contínuo de produtos e processos cada vez mais eficientes. Neste ano, a multinacional lançou mais de 200 produtos no mercado e pretende manter esse ritmo nos próximos anos.

Os investimentos também continuam, mesmo diante da crise que vem assolando a economia do país, a empresa já injetou R$ 21 milhões em máquinas, equipamentos e instalações. O esforço rendeu 2.400 toneladas de resíduos industriais retornáveis, ou melhor, deixaram de serem enviadas para o aterro, tudo aconteceu por meio do programa Resíduo Zero.

A expectativa para 2017 não é nada otimista, mas como o ar-condicionado está sempre alta no país de clima tropical, a multinacional garante o investimento nas três fábricas, dois escritórios administrativos, quatro centros de tecnologia, 23 laboratórios e três centros de distribuição instalados no Brasil. São mais de 11 mil colaboradores com a missão de, a cada dia, atender e antecipar as necessidades dos consumidores, além de traduzi-las em produtos e serviços que sejam sustentáveis, pioneiros, únicos e façam a vida das pessoas cada dia melhor.

De acordo com o vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação, Eficiência Operacional, Novos Negócios e Sustentabilidade da Whirlpool Latin America, Armando Ennes do Valle Júnior, o Brasil precisa fazer novas reformas para sair da crise, a médio prazo. “A tendência ainda é bastante ruim para 2017. É da Inteligência das empresas lidar com esse assunto de forma franca e aberta. O setor de ar-condicionado, inteiro, está caindo 60% neste ano. Então, não vemos grandes contratações de final de ano. A indústria de ar-condicionado agora era para estar bombando, e não está”, informou.

Contundo, segundo Ennes quem é líder de mercado precisa continuar lançando produtos novos para não correr o risco e ficar para trás. “A produção já está adequada, não tem mais má notícia, todo mundo já se adaptou a essa crise. Quanto aos produtos novos, quem é líder precisa lançar todo o ano, assim, neste ano lançamos mais de 200 e no ano que vem não vai ser diferente. O plano de investimento nós mantemos sempre, inclusive o de produto”, frisou.

Resíduo Zero

De forma pioneira, a fábrica da Whirlpool de Manaus iniciou o programa Resíduo Zero. “Estar na Amazônia onde nós estamos produzindo ar-condicionado, mexe com ar, mexe com a Amazônia faria mais sentido começarmos por aqui e depois nas outras unidades”, disse Ennes. Em 2015 e 2016 o programa obteve boa visibilidade atingindo a marca de 100% de resíduos controlados. “Porque nós zeramos, definitivamente, todo e qualquer resíduo para aterro seja líquido ou sólido. Mas é um trabalho que vem funcionando há bastante tempo. Desde 2011 foi implantado um projeto interno de intensificar a destinação correta para aterro”, ressaltou o executivo.

Ennes destaca que foram mais de R$ 21 milhões investidos em sustentabilidade pela Whirlpool, no período de 2014 a 2015, de uma forma geral. Só no ano passado, o volume poupado foi de 1.100 toneladas de resíduos recicláveis do total de 2.400 toneladas. “Tem investimentos em pessoas, na fábrica, no transporte, em tempo de negociar com fornecedor. Mas, vinte e um milhões foram aplicados em máquinas, equipamentos e instalações”, ratifica.

Logística Reversa

E, como se faz para controlar 100% da saída de todos os resíduos durante o processo fabril? Segundo Ennes, primeiro tem que haver um pacto com todos os fornecedores, que recebem de volta o rejeito, ou a finalização, ou ainda a destinação dos resíduos, por meio da logística reversa. “Os fornecedores sabem lidar com isso. Se falarmos em aço, alumínio e cobre é fácil. No entanto, a tinta é um problema que nós temos que fazer retornar para o fornecedor, porque ele tem condição de reutilizar isso. Hoje nos contratos, em todos os materiais nós temos uma cláusula de logística reversa para devolver, tratar ou cuidar de resíduos de uma forma controlada e compromissada”, garante.

Na fábrica de Manaus, os materiais que não são reutilizáveis passam pelo processo de incineração. Já os resíduos alimentares são reaproveitados, pelos fornecedores, no preparo de compostagem orgânica. “A nossa lixeira tem ar condicionado. Tudo é refrigerado, tudo é cuidado até o momento de sair da fábrica. Então tem custo, mas sempre assim, pensando na marca, na companhia, nos acionistas que parece complexo”, disse o vice-presidente.

A meta da multinacional é de implantar esse sistema de resíduo zero até 2022, em todas as unidades espalhadas no planeta. “A Whirlpool no mundo tem meta de fazer isso até 2022 em todas as fábricas. E no Brasil nós já conseguimos em todas elas”, comemora. Ainda segundo Ennes destinar lixo e resíduos nos aterros é um problema no Brasil. “Os aterros são muito ruins, não são autorizados e tudo o que se põe no aterro acaba sendo seu filho eterno”, alertou Ennes.

Uma empresa como a Whirlpool, de capital aberto com ação na Bolsa de Valores de Nova Iorque e com marcas Brastemp e Consul, não pode correr o risco de amanhã ou depois, ser descoberto qualquer problema com a destinação de resíduos.

“No ano passado, aqui em Manaus, houve um problema grande envolvendo grandes marcas e que ainda não está solucionado. Era, teoricamente, um coletor que estava autorizado, tinha certificação, mas que espalhou lixo na cidade inteira. Ainda estão achando pedaços de caixas de empresas, na cidade”, relembra o executivo.

Política de Resíduos Sólidos

A Whirlpool e a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) juntas fizeram pressão no Senado para aprovar a lei nº 12.305/10, que institui a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), onde contempla a questão da Logística Reversa. “A Lei de Resíduos Sólidos no Brasil é uma legislação muita avançada, que fala de responsabilidade compartilhada. Que significa dizer que se o consumidor pegar um refrigerador e jogar na rua é crime. O problema do fabricante é disponibilizar onde e como descartar esses produtos usados, como destinar na hora que estiver de posse deles e como garantir que esse processo foi feito”, explicou Ennes.

A lei brasileira oferece ao consumidor o sistema de troca, por exemplo, quando ele compra uma geladeira, tem a oportunidade de devolver a usada no ato da entrega da nova. “Ou no dia em que ele quiser descartar a velha, vai ter que ligar para uma central de atendimento da loja e agendar a retirada, mas neste caso o consumidor vai ter que pagar o custo do frete. O ciclo do mercado é indústria -> varejo -> consumidor e a rota da Logística Reversa é consumidor -> varejo -> indústria”, esclarece o executivo.

A Whirlpool também incentivou a criação da Abree (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos) onde junta todos os fabricantes de linha branca do Brasil, dentre outros segmentos, promovendo convênios com as centrais de recolhimento. “Quando o produto retorna para a empresa vira um problema da indústria e muitas vezes não é assim, porque o consumidor acha que se ele jogar um produto na rua o fabricante tem que ir buscar. Por isso o melhor jeito é utilizar a Logística Reversa, quando o caminhão for deixar um produto, ele já recolhe o velho. Isso é mais barato do que ir buscar e mais sustentável inclusive”, afirma Ennes.

Neste cenário, a meta é rastrear o produto, por meio do código de barras, desde a sua fabricação até destinação final após o descarte responsável. “O revendedor pode ver valor no produto usado, pode querer reciclar, o que não tem nada de errado nisso, ele está indo buscar e pode fazer. Mas, a indústria tem que saber que fim levou o produto descartado pelo consumidor”, conclui o vice-presidente da Whirlpool Latin America, que atua no Brasil com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid.

Resultados Projeto Resíduo Zero Whirlpool

3 De 2011 a 2014, mais de 2400 toneladas de resíduos industriais deixaram de ser enviadas para aterro
3 Cerca de 1.800 toneladas de resíduos não industriais deixaram de ser destinadas para aterro
3 Só no ano passado (2015), o volume poupado foi de 1.100 toneladas
3 Composição do material:

Resíduos não-industriais:
3 50% lixo comum
3 21% resíduos sanitários
3 11% não recicláveis de restaurante
3 10% resíduos orgânicos (sobra de refeição)
3 8% se referem à construção civil
Resíduos industriais:
3 Espuma de poliuretano
3 Tapulhos de borracha (uso na vedação)
3 Óleo (usado na lubrificação de máquina industrial)

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