28 de fevereiro de 2021

‘Vim para fazer diferença’, diz Carol Braz, pré-candidata à prefeitura

Pré-candidata à prefeitura de Manaus pelo PSC nas próximas eleições, Carol Braz afirma que sua prioridade será investir no social, ficar mais próxima das comunidades para ouvir as demandas e executá-las. Em 20 anos de vida pública, ela ressalta que vem colocando em prática medidas bem-sucedidas, levando benefícios à população, principalmente aos mais carentes e com menos visibilidade.

Já dirigiu a Secretaria de Justiça, mas deixou a pasta para ser candidata à prefeitura de Manaus. Foi defensora pública, mas passou, por mérito, através de concursos públicos para outros cargos importantes na área de direito, como a Procuradoria de Justiça. E hoje é presidente do diretório municipal do PSC.

E agora pretende levar toda essa experiência amealhada por longos anos em defesa dos mais desassistidos, já como futura prefeita e, quem sabe, lá adiante como parlamentar.

“Sabemos que é possível fazer mais pela sociedade com um trabalho sério, competente e de muita honestidade. Não há mais lugar para as velhas práticas”, salienta Carol Braz. Mesmo com a pouca participação da mulher na política, ela diz que gosta de desafios e promete fazer diferença em relação às adversidades impostas pelos caciques que dominam os partidos políticos.

“Não sou de recuar. Sempre encarei adversidades. Vim para fazer diferença”, afirma. 

Carol Braz falou com exclusividade ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Manaus tem os mesmos problemas recorrentes das grandes cidades brasileiras. O que a levou a encarar um desafio como este, de administrar uma capital tão problemática?

Carol Braz – Eu venho de uma carreira jurídica sólida de 20 anos. Tive oportunidade de ocupar uma pasta no Executivo, enfrentando situações muito desafiadoras. E isso tudo acende uma esperança. É possível fazer mais com trabalho, com competência, além do conhecimento técnico e vontade. Na Secretaria de Justiça, tive oportunidade de empreender medidas, levando benefícios às populações mais carentes. E todas essas realizações me motivaram agora a seguir em frente, já com a possibilidade de dirigir a prefeitura, levando as experiências que amealhei.

JC – Pode-se dizer que a Secretaria de Justiça representa uma atividade muito desafiadora, tão ou mais que administrar uma cidade como Manaus, principalmente porque nem sempre se tem recursos públicos disponíveis para se fazer uma gestão mais efetiva. Como a sra. avalia essa questão?

Carol – Assumir a Secretaria de Justiça foi muito desafiador, mas nem por isso deixamos de empreender medidas socioeducativas. O CNJ reconheceu o trabalho que desenvolvemos em parceria com o Tribunal de Justiça, Ministério Público, concentrando audiências dentro das unidades Dagmar Feitosa e Senador Raimundo Parente. Todas essas ações sociais possibilitaram a redução dos índices de reincidência juvenil nos últimos três anos, caindo de uma média de 64% no ano passado para 22%.

Hoje, temos também uma das menores taxas de lotação do País. Só 50% de nossa capacidade estão ocupados, ao contrário de São Paulo e de outros grandes Estados, onde os sistemas estão totalmente lotados. Através de uma parceria com a iniciativa privada, conseguimos inserir esses jovens no mercado de trabalho, mostrando que com uma administração efetiva e de maior sensibilidade proporcionamos a eles mudar de vida. Essa juventude só quer oportunidades para crescer. E isso pudemos oferecer. 

JC – O ECA já fez 30 anos. Muitos dizem que o estatuto passa a ‘mão na cabeça’ do adolescente, em vez de ajudá-lo realmente. Qual a sua opinião sobre isso?

Carol – Acho que o ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente, só precisa ser cumprido. Não é uma questão de passar a ‘mão na cabeça’ do adolescente infrator. Mas sim de tratar esse jovem como uma pessoa em formação.  Temos dados concretos de que quando você aposta e dá oportunidade a esses jovens eles passam a ter uma vida mais digna. Não tiveram opções para trabalhar, de ter uma educação de qualidade. Infelizmente, a maioria desses jovens que ingressaram no sistema não tinha escolaridade, nem uma família estruturada. É muito fácil a sociedade cobrar deles. Mas nós precisamos, como poder público e sociedade constituída, garantir mais oportunidades a essa juventude.

Por exemplo, no ano passado, pela primeira vez, oito adolescentes dos programas socioeducativos concluíram o Ensino Médio e foram aprovados no Enem. E dois deles obtiveram notas suficientes para ingressar na universidade pública.

E quando a gente aposta nessa pauta de tirar os jovens infratores das ruas, estamos investindo numa ação social para que eles não matem nossos filhos no futuro, garantindo também mais segurança pública à população.

JC – Sabemos que a participação feminina na política ainda é muito pequena no Brasil, que ocupa hoje a 154ª posição no ranking de 193 países com maior presença de mulheres no Legislativo. Em que momento percebeu que tinha esse perfil e poderia ser uma representante da mulher no Amazonas, onde a maioria dos mandatos é ocupada por homens?

Carol  – Essa estatística, infelizmente, demonstra a total sub-representatividade da mulher na política em nosso Estado. De 24 deputados, temos apenas quatro mulheres. A gente espera, realmente, que essa ampliação venha ganhando corpo, mais voz, e que outras mulheres se sintam motivadas, mais encorajadas, e tirem da cabeça de que a política é um ambiente exclusivamente masculino, ou até mesmo sujo.

Venho de uma carreira limpa, de uma carreira jurídica sólida. Acredito que as mulheres precisam somar forças. Temos que tomar essa decisão, ter mais paridade, para que possamos trabalhar lado a lado com os homens, respeitando as diferenças, por uma sociedade melhor. Juntos, poderemos construir muito.

JC – A política é uma vitrine, mas ao mesmo tempo uma vidraça. E se está sujeito aos apedrejamentos de ocasiões. Em que momento, a sra. percebeu que poderia se colocar nessa vitrine e ao mesmo tempo se expor a essas questões?

Carol  – Quando fui convidada para ser secretária de Justiça, tinha duas opções: ou eu continuo reclamando da falta de políticas públicas, ou eu meto a cara e assumo o cargo.  Entrei realmente para fazer diferença.

A gente faz um curso de Direito para fazer justiça. E vi na secretaria que é possível desenvolver políticas públicas. Já fui alvo de vidraças, de acusações infundadas. Já sofri ataques, mas ninguém segura na minha mão. Estou trazendo toda essa experiência de 20 anos. E esse trabalho é um caminho para a gente construir algo melhor à população, que confia a nós o papel de representá-la em todas as demandas.

Na Secretaria de Justiça, conseguimos inúmeras melhorias. E um exemplo disso é o PAC em Movimento, que tem imensa demanda. Em um ano, atendemos 40 comunidades, aldeias indígenas, e entregamos mais de 3 mil documentos de identidade, certidão de nascimento. Fomos ao distrito de Pari-Cachoeira, em São Gabriel da Cachoeira, onde nunca tinha chegado o poder público. Conhecemos um senhor de 67 anos, que nasceu deficiente e deixou de receber o benefício do governo federal porque não tinha identidade.

Com a emissão de documentos, essas comunidades vão poder receber os benefícios da União que chegam para transformar a vida da população, a questão econômica, a saúde, a merenda das escolas públicas.

JC – E por que a escolha do PSC?

Carol  – Na verdade, o PSC traz os princípios cristãos e da família. E eu me alinho a essas particularidades. É um partido em que senti mais confiança e vontade de participar na política.

JC – Ser gestor é ter prioridades. Claro, não dá para fazer tudo. E sabemos que Manaus tem muitos problemas, como na questão do transporte, na mobilidade. Quais suas impressões sobre esses aspectos?

Carol  – Falta hoje um pulso firme. Temos uma Lei Orgânica do Município que estabelece em 25% a renovação da frota de ônibus a cada ano. Nos últimos dez anos, entraram apenas nove veículos novos no sistema.

Em 2010, tínhamos 1.550 ônibus e, hoje, temos 1.559 coletivos. Nesse período, a população de Manaus saltou de 1,8 milhão de habitantes para 2,2 milhões. Portanto, é preciso ter investimentos e, principalmente, cumprir o que diz a legislação. Mas você precisa estar disposta a enfrentar interesses, não ter o rabo preso com ninguém. Eu conheço a lei e sei quais as condições a que estão expostos os contratantes que não cumprem essas questões, sujeitos a ter inclusive a perda da concessão. Mas não se vê essa cobrança, que só vem da população. Os usuários sofrem ao andar em ônibus sem as mínimas condições de tráfego. Vamos cobrar a execução desses contratos.

Não existem abrigos. A população pega sol e chuva. Precisamos ter uma engenharia de trânsito inteligente, que pode dar mais fluidez ao tráfego. Manaus já passou da hora de mudar essa mobilidade. Hoje, o nosso transporte é exclusivamente terrestre. Temos uma orla que pode ser aproveitada para o trânsito de passageiros de um bairro a outro.

No dia que tivermos essa orla organizada, trabalhando, vamos fomentar o turismo e a diversificação dos meios de transporte. Precisamos garantir mais mobilidade à população.

JC – As mais recentes pesquisas sobre a corrida eleitoral apontam para uma tendência de polarização entre Amazonino Mendes e David Almeida, o que aumenta a distância em relação aos outros pré-candidatos. A sra. aparece no Instituto Projeta com apenas 1,97% da preferência do eleitorado. Quais suas impressões?

Carol  – Gostei muito da pesquisa. Na última, eu aparecia com 0,4%. E num período curto já subiu para quase 2%. Mostra que realmente a população vem criando uma consciência de que tem outras alternativas. Muitos ainda estão indecisos, não querem votar nem em A e nem em B. E estão aguardando o momento certo para se definir, depositar sua confiança. Mas é aí que a gente vem conquistando as pessoas, mostrando o trabalho, ouvindo as demandas. E todas essas ações vêm mostrando que estamos avançando nas pesquisas.

JC –Nas últimas eleições, vimos a questão do velho e o novo. Qual sua estratégia ou segue também nessa linha?

Carol  – Não, hoje a nossa linha é mostrar muito trabalho, competência e principalmente vontade de fazer. Tenho conhecimento técnico e venho me preparando nesses 20 anos de vida pública. Iniciei como escrivã de polícia, estive na defensoria do Judiciário e depois dentro do Poder Executivo administrando uma pasta. Agora, quero pôr em prática toda essa experiência na política. Sou ficha limpa, uma pessoa que veio para mostrar que a força está em administrar com honestidade, seriedade e muita firmeza.

JC – Os caciques que dominam os partidos são um dos maiores empecilhos a uma maior participação da mulher na política. A nossa estrutura eleitoral fortalece a ação deles. Como analisa essa questão?

Carol  – Totalmente verdade. Há muita dificuldade em penetrar num ambiente predominantemente masculino. Enfrentamos essas barreiras. Em geral, são homens que dirigem os partidos. Hoje, estou como presidente do diretório municipal do PSC, o que vem motivando a uma maior participação das mulheres no Legislativo. Precisamos ter condições de concorrer em pé de igualdade, mas é difícil romper porque existem nomes já consolidados. Mas quem vai ditar um no rumo, mais promissor à política, é o povo, que pode romper tudo isso.

JC – Estamos no meio da floresta, mas Manaus tem pouca ou quase nenhuma arborização. Como pensa na questão do meio ambiente, será uma de suas prioridades?

Carol  –Um estudo aponta que Manaus figura no ranking das piores cidades em termos de arborização. Precisamos utilizar o potencial da nossa flora regional. Por exemplo, administrações anteriores utilizaram palmeiras, de altos custos, que não eram adaptadas ao nosso clima e não sobreviveram. Nossa diversidade vegetal pode melhorar a sensação térmica. E temos uma equipe muito boa que está trabalhando essas questões que vão trazer frutos ao turismo, à economia. E essa diversificação vai passar pelo respeito ao meio ambiente, preparando uma cidade onde as pessoas vão ter realmente gosto de viver.

JC – E a questão da saúde?

Carol  – Vimos que a falta de uma maior infraestrutura de saúde agravou o atendimento durante a pandemia. Vamos investir mais na prevenção, trabalhando em nichos como no atendimento à mulher, ao idoso, para que não possamos ser pegos de novo de surpresa, como aconteceu no início do ano. Mais preparados, poderemos desafogar os serviços de médio e grande complexidades.

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