Metro quadrado no Amazonas chega a R$ 1.158

O custo da construção civil no Amazonas reforçou a alta entre junho e julho e avançou 0,49%. O valor local do metro quadrado aumentou de R$ 1.152,52 para R$ 1.158,20. O incremento foi favorecido especialmente pela escassez de materiais de construção, levando o Estado a seguir a mesma trajetória da média nacional, inclusive com o mesmo índice de elevação acima da inflação oficial. Os dados estão na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).

O passivo com a mão de obra (R$ 511,73) mal se moveu, pontuando apenas 0,02% de expansão, por força da do dissídio dos trabalhadores do setor, após seis meses seguidos de estagnação. Os dispêndios com materiais, por outro lado, subiram 0,87%, passando de R$ 640,90 para R$ 646,47. Os números confirmam recente estudo do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), que aponta altas de dois dígitos nos preços locais de itens como cimento, aço, tijolo e areia.

O incremento mensal do custo da atividade no Amazonas (+0,49%) foi maior do que a inflação oficial medida no período, conforme divulgação do mesmo IBGE. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,36%, após o repique do mês anterior, sendo a maior para o mês desde julho de 2016. A diferença foi ainda maior nos acumulados do ano – onde os números foram +1,14% e +0,46%, respectivamente – dos últimos 12 meses – 4,23% e 2,31%, na ordem.  

A despeito do resultado detectado entre junho e julho levou o Estado caiu do terceiro para o oitavo lugar no ranking nacional de maiores incrementos no custo da atividade. Os primeiros lugares foram ocupados por Paraíba (+2,25%), São Paulo (+1,05%) e Acre (+0,86%). Em sentido inverso, Roraima (+0,06%), Paraná (+0,07%) e Pará (+0,08%) ficaram no fim de uma lista sem resultados negativos.

Abaixo da média

Apesar da nova alta, o custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.181,41) e caiu do 15º para o 16º lugar, na lista dos maiores valores do país. Santa Catarina segue na primeira posição (R$ 1.340,30), seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 1.330,97) e pelo Acre (R$ 1.314,18). Os menores custos se situaram em Sergipe (R$ 1.006,98), Pernambuco (R$ 1.055,91) e Rio Grande do Norte (R$ 1.059,80).

O custo de mão-de-obra do Amazonas (R$ 511,73) também permanece inferior à média nacional (R$ 561,83) e caiu da 18ª para a 20ª posição do ranking brasileiro. Rio de Janeiro (R$ 698,71) ocupou o primeiro lugar, seguido por Santa Catarina (R$ 694,43) e São Paulo (R$ 644,73). Em contraste, Sergipe (R$ 457,88), Rio Grande do Norte (R$ 465,41) e Ceará (R$ 469,60) se situaram no fim da fila.

Em contrapartida, o custo de material de construção civil no Amazonas (R$ 646,47) ainda está em um patamar superior ao da média nacional (R$ 619,58), e se manteve em décimo lugar entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 742,35), Rondônia (R$ 698,39) e Distrito Federal (R$ 691,96) voltaram a encabeçar a lista. Os menores valores, por outro lado, ficaram em Sergipe (R$ 549,10), Espírito Santo (R$ 555,05) e Paraná (R$ 571,03).

Permanência ou sazonalidade

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que o aumento detectado pelo Sinapi em julho foi o maior registrado pelo Amazonas neste ano, ajudando a reforçar o índice nos acumulados e posicionando o Estado entre os mais caros para a atividade em todo o país. 

“A elevação no custo da construção civil do Amazonas no ano já maior do que o dobro da inflação oficial acumulada, de 0,46%. As notícias locais dão conta do aumento de alguns produtos regionais na cesta da construção, o que de certa forma é confirmado pela pesquisa. As próximas divulgações vão confirmar ou não se essas remarcações são permanentes ou apenas sazonais”, ponderou. 

“Mercado vendedor”

No entendimento do presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, diferente do ocorrido nas obras públicas – enfraquecidas pela necessidade prioritária dos governos de investir em saúde –, o mercado imobiliário “está vendedor”, assim como a procura das famílias por materiais para fazer obras em casa no período da quarentena. O aquecimento da demanda, aliado a um despreparo da indústria de insumos da construção civil, segundo o dirigente, produziu preços acima da inflação.

“Bateu certinho com as nossas expectativas. No quesito de mão de obra, o indicador segue rigidamente com a recomposição do INPC. Mas, o crescimento descola da inflação nos preços dos materiais, que acabam representando 51% do preço do metro quadrado. Na minha avaliação, esses preços vão reduzir, porque estão ligados ao momento. Com a readequação das empresas, os valores vão voltar a um nível aceitável, embora não ao que eram antes. Mas, o mercado vai seguir vendedor até o final do ano”, finalizou.

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