Vendas de automóveis no Amazonas despencam 58,88%

Depois do crescimento descolado da média nacional no mês passado, as vendas de veículos automotores no Amazonas despencaram entre março e abril, em sintonia com o mercado brasileiro e os efeitos da crise do Covid-19. O número de abril (1.650 unidades) foi 58,88% inferior ao de março (4.013) e o decréscimo frente ao mesmo mês do ano anterior (4.707) foi de 64,95%. No acumulado, o setor encolheu 13,16%, com 13.789 (2020) contra 15.878 (2019). 

Os números regionais foram disponibilizados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) nesta terça (5). Foram embasados nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Em paralelo com o Amazonas, as vendas brasileiras também derraparam em todas as comparações – e com mais força. As 51.362 unidades vendidas pelas concessionárias de todo o país, no quarto mês de 2020, levaram a uma queda de 69,91%, quando comparada a março de 2020 (249.158) e de 76,8% no confronto com abril de 2019 (221.292). No acumulado (583.905), o decréscimo foi de 27,1% frente ao mesmo período de 2019 (801.280).

Todas as sete categorias listadas pela Fenabrave encolheram na passagem de março para abril, com destaque negativo para caminhões (-67,50%), com apenas 26 unidades vendidas. Foi seguido por automóveis de passeio (-64,37%) e “outros” (-61,54%), com 599 e cinco veículos comercializados, respectivamente. Na sequência, vieram motocicletas (-56,66% e 712 unidades), comerciais leves (-50,92% e 266), implementos rodoviários (-25,93% e 20) e ônibus (18,52% e 22). 

Carros convencionais seguiram como a categoria mais vendida. Mas, assim como ocorrido em meses anteriores, reduziram sua fatia no bolo, de 46,23% para 40,35%, no confronto com os números de abril do ano passado. Motocicletas comparecem na segunda posição, e seguem na direção contrária, ao elevar sua participação no bolo, de 38,42% para 40,35%, na mesma comparação.

Transit time

O presidente do Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas), João dos Santos Braga Neto, disse que os números locais do setor devem ter sido ainda piores. Isso porque ocorre um transit time (tempo de trânsito) entre o faturamento da venda e o emplacamento do veículo, que só ocorre no momento de sua chegada ao Estado, 30 dias depois. 

“O consumidor que pode ficar em casa está receoso de sair. A perspectiva do setor é de reabrir no dia 14, mas acho que, diante da curva de contágio e da situação dos hospitais, a data deve ser postergada para o fim do mês. Mas, há também o medo de comprar e se endividar. Mesmo nas praças onde as concessionárias voltaram a funcionar, o volume de vendas das lojas está entre 18% a 40% do que era registrado em meses normais”, lamentou.

O dirigente não arrisca fazer projeções para o setor, que começou o ano com expectativas de 10% a 15% de alta em 2020. No entendimento de Braga Neto, a queda de confiança do consumidor e o enfraquecimento da economia devem derrubar o nível das vendas das concessionárias em 50%, quando a virulência da pandemia cair. “O mercado vai ficar bem aquém do que era, nesse primeiro momento”, reforçou.   

Retrocesso a 2006

A queda de vendas registrada em abril fez o mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves retroceder 14 anos, voltando aos níveis de 2006, assinala o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, em material divulgado por sua assessoria de imprensa. O dirigente informa que a entidade já pleiteou junto a todos os governos estaduais a reabertura local das concessionárias, e que vem buscando medidas para atenuar a crise do setor.

Em nove Estados – Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – as concessionárias de automóveis e comerciais leves já voltaram a operar, ainda que parcialmente. O consumidor, contudo, se mantém retraído, seja pelo medo da contaminação, seja pelo temor de se endividar e perder o emprego. 

“Nos locais onde as concessionárias estão funcionando, verifica-se queda de 40% a 80% no volume de vendas. Estimamos uma retração média de 50% nas lojas que já abriram. (…) Não sabemos como o consumidor vai se comportar daqui para frente. Pode haver, inclusive, mudança no mix de demanda por modelos, com aumento de procura por versões mais baratas, por exemplo. É uma incógnita o que vai acontecer”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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