Vendas abaixo da expectativa no varejo

Mesmo sem os dados fechados, as vendas do Dia dos Pais devem ficar abaixo da tímida expectativa de 4% de incremento, prevista inicialmente pelas entidades do varejo em Manaus. De acordo com representantes da classe, o movimento no centro da cidade foi fraco e a injeção da primeira parcela do 13º salário no comércio não ocorreu conforme o esperado.
“É claro que o pagamento de parte do 13º sempre proporciona uma injeção de ânimo ao comércio, mas acredito que este ano, apesar da movimentação dos consumidores, as compras foram poucas e o valor gasto com os presentes, menores”, avaliou o vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.
O dirigente disse apostar em um crescimento nas vendas entre 3% e 3,2%, no máximo, mas lembra que não se pode olhar para esse percentual com pessimismo, “uma vez que o PIB (Produto Interno Bruto) deve crescer menos do que isso. Nesse momento de fragilidade econômica, qualquer incremento é visto com bons olhos”, ponderou.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, concorda que o resultado ficou abaixo da expectativa. “Só detectamos um aquecimento no último dia – sábado – e no domingo nos shopping centers. Ano passado registramos uma movimentação prévia muito maior”, comparou.
Apenas a CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) conservou um posicionamento mais otimista em relação às vendas, apostando em um crescimento de 4%.
“O nosso recado para os lojistas no fim de semana foi vender, vender, vender. O importante era esvaziar os estoques e movimentar o caixa. Vamos aguardar o fechamento do balanço, mas estamos esperançosos”, resumiu o presidente da entidade, Ralph Assayag, sem adiantar os dados.
Ele também informou que o resultado final das vendas do varejo para a data deve ser divulgado pela CDL-Manaus até esta quarta-feira (15).

Inadimplência

De acordo com a avaliação dos dirigentes, o alto índice de inadimplência foi um dos fatores a influenciar o desaquecimento das vendas.
Segundo eles, o pagamento de abono salarial e a primeira parcela do 13º salário para funcionários públicos foi redirecionado quase exclusivamente para o pagamento de dívidas.
“As dificuldades do consumidor para se livrar de suas dívidas ainda são grandes e apesar da inadimplência estar diminuindo pouco a pouco , a resposta ainda é muito lenta. Enquanto isso, o consumidor segue sem estímulo para as compras”, observou Aderson Frota.
Conforme os dados mais recentes da CDL-Manaus, em julho, o Amazonas registrou uma redução de 0,2 ponto percentual no índice de inadimplência, com 3,4% contra os 3,6% do mês anterior.
Ao todo, 5.340 consumidores compuseram o saldo de inadimplentes entre os que entraram e os que saíram da lista do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito).
Segundo o representante, Ralph Assayag, a redução foi provocada justamente pelo pagamento da primeira parcela do 13º salário. “A previsão era de aumento do índice em julho, mas muitos consumidores aproveitaram para quitar suas dívidas, o que nos proporcionou um certo alívio no mês passado”, afirmou.
No entanto, ele lembra que o índice da capital amazonense ainda é alto e inspira cuidados.
“Além disso, a redução de julho não é uma tendência de que nos próximos meses o índice siga em queda. Por isso, continuamos fazendo campanha junto aos lojistas para que eles tenham cautela na hora de aprovar o crédito”, acrescentou.

Segundo semestre

Apesar do quadro delicado, a previsão das entidades para o segundo semestre é positiva.
“Seguimos apostando em um segundo semestre que seja o inverso do primeiro”, destacou Aderson Frota.
Já Ismael Bicharra, embora diga acreditar no bom desempenho do comércio próximo ao Dia das Crianças e ao Natal, avalia que o resultado vai depender diretamente da recuperação das atividades do PIM.
“Já chegamos a 10% de demissões do contingente total de trabalhadores e isso nos impacta diretamente, tendo em vista que o salário do PIM é melhor em relação ao do comerciário e que o volume e trabalhadores da indústria com carteira assinada também é grande”, concluiu.

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