‘Vamos implantar programas de fomento’ diz Orsine Oliveira

O empresário Orsine Oliveira vê no turismo um grande potencial de crescimento no Estado do Amazonas. Para ele, essas atividades viriam a se somar às indústrias da ZFM (Zona Franca de Manaus), viabilizando uma nova matriz econômica na região.

Orsine  já foi secretário de Turismo e diz conhecer de perto os maiores gargalos para dinamizar um polo turístico que gere novos empregos e renda, a exemplo de cidades  como Salvador e Fortaleza, dois grandes centros urbanos que vivem praticamente desse segmento.

Depois da iniciativa privada, Orsine se prepara, agora, para tentar alçar o seu mais alto voo no empreendedorismo, desta vez na vida pública, administrando Manaus nos próximos quatro anos. Concorre como vice na chapa do Capitão Alberto Neto (Republicanos) na disputa pela prefeitura nas eleições de 15 de novembro.

“Temos dinamismo, vitalidade, experiência, conhecimento necessário, para viabilizar a prefeitura que toda a população manauara almeja. Como vice-líder do governo Bolsonaro, o capitão Alberto Neto terá condições de trazer mais recursos federais para Manaus”, avalia o candidato.

Questionado sobre pesquisas que apontam a sua chapa com uma das menores colocadas na preferência do eleitorado, Orsine diz ignorar esses números porque, na sua avaliação, não refletem verdadeiramente o sentimento dos eleitores.

“São dados subjetivos, muito voláteis. Já vi candidato A ou B liderando as intenções de voto e acabarem perdendo as eleições”, salienta. “Só vamos saber, realmente, quem ganha no final das eleições”, acrescenta.

Segundo Orsine, o orçamento anual de quase R$ 7 bilhões da prefeitura daria para melhorar o transporte, a saúde, a segurança pública, a educação, hoje as maiores demandas população.

“Nós temos recursos, sim. O problema é que eles estão sendo mal utilizados ou desviados”, afirma. “Vamos fazer uma prefeitura diferente de todas que Manaus já teve até agora”, ressalta.

Ele deu uma entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – É a primeira disputa eleitoral de sua vida?

Orsine Oliveira – Como candidato, sim, mas já fiz muito eleição coordenando campanhas. Fizemos aliança com o capitão Alberto Neto. Não tem composição, curva política melhor do que essa, ao lado dele.

Política se  faz construindo, não destruindo. Vamos trabalhar pelo que Manaus , hoje, mais precisa. Esse é o nosso interesse em administrar a prefeitura da cidade.

JC – A pandemia trouxe muitos prejuízos à economia. E o turismo foi um dos setores mais afetados. Caso cheguem à prefeitura, como pretendem tratar o segmento?

Orsine Oliveira –  Bem, eu sou empresário de turismo, já trabalho com o segmento há 28 anos. Fui diretor de relações da Amazonastur, cheguei a secretário de Turismo no último governo.

O turismo é uma das maiores indústrias do mundo. O setor no Amazonas precisa de ordenamento e estrutura básica. Precisamos fazer uma promoção turística forte de Manaus. Nós não vendemos o Amazonas e tampouco estamos vendendo Manaus.

Manaus não é conhecida como porta de entrada da Amazônia. Precisamos investir nisso. Temos sol e praia – Tupé, Anavilhanas, Escondido, Praia Grande. Tem muita coisa bonita para trabalhar, mas falta uma infraestrutura básica para receber bem os turistas.

Quem vem ao Estado, gosta de turismo de aventuras – pesca, percorrer trilhas. Não precisa de grandes investimentos nas instalações. O visitante quer ver habitações de palhas, coisa rústica mesmo, porque adora se sentir no meio da floresta, junto com os animais exóticos, pitorescos.

O turismo de eventos também pode agregar muito valor. Traz de 5 mil a 10 turistas em cada realização. Durante a copa, Manaus foi considerada uma cidade de padrão Fifa. Por que não podemos fazer isso também com o turismo?

Eu e o Alberto Neto vamos investir pesado nesse segmento.

JC – A questão da segurança é ponto comum entre os candidatos. A ação do capitão Alberto Neto que frustrou um assalto a ônibus, prendendo um assaltante, foi muito comentada nas redes sociais. Coincidência ou não, houve uma espécie de deslumbramento com o ato. Quais medidas preveem para o setor?

Orsine Oliveira – Para nós, a segurança pública é 100% importante. Falando sobre o episódio com o capitação Alberto, estávamos num balneário quando duas senhoras gritaram por socorro. Ele, que é policial militar, fez a abordagem, frustrando a ação e prendendo o assaltante.

É um bom exemplo. O capitão é um policial 24 horas por dia, não só no quartel.

Manaus passa por um abandono na área de segurança. A prefeitura não aparelhou a Guarda Municipal, não fez concursos, não deu treinamento. Ela foi criada há 71 anos e até agora não tem sequer estatuto.

Nosso objetivo é reforçar o contingente, protegendo mais escolas e ruas.

Vamos armar a Guarda Municipal. Já está garantido na Constituição. Cidades com mais de 500 mil habitantes já podem fazer essa mudança. Vamos criar ainda a Secretaria Municipal de Segurança.

JC – A pandemia mostrou o quanto ainda é frágil o nosso sistema de saúde. O assunto também tem grande prioridade na chapa de vocês?

Orsine Oliveira – Sim, obviamente. O capitão Alberto Neto  é vice-líder do governo do presidente Jair Bolsonaro. Ele tem como melhorar a verba da saúde em Manaus.

Hoje, a capital é uma das cidades que menos recebem recursos do governo federal que chegam via SUS (Sistema Único de Saúde).

Quer dizer, Manaus é um paraíso para os cofres públicos – contribui muito e recebe menos esses recursos.

Temos que ampliar os horários das UBS. A doença chega a toda hora. E, no sábado, algumas não funcionam normalmente.

Hipertensos, diabéticos, precisam de uma assistência contínua, efetiva. Vamos entregar remédios na casa dos doentes.

Temos como aumentar o número de agentes na cidade. Existe verba para contratar pelo menos mais 5 mil.

Pretendemos fazer uma parceria de gestão com os profissionais de saúde. A atenção básica só tem 45% de cobertura. Aumentando vai salvar vidas.

JC – Como o sr. avalia as pesquisas sobre a preferência do eleitorado manauara?

Orsine Oliveira – Pesquisa é algo muito subjetivo, muito volátil. Já tivemos certeza da não eleição de candidato A ou B que supostamente liderava as preferências junto ao eleitorado.

Vejo os números um pouco diferentes. A rejeição ao capitão Alberto Neto é muito baixa, 1,7%. Ou seja, nós não temos rejeição. Hoje, 60% da população ainda não escolheu o candidato.

Tem que ser notado nosso crescimento. Na última pesquisa, tínhamos 5,5%, agora temos 6,1%.

Nosso engajamento nas redes sociais é muito grande. E sabemos que essas pesquisas não refletem o eleitor por completo.

A pesquisa é um balizamento, mas não reflete necessariamente a campanha.

Estamos muito satisfeitos porque estamos crescendo. Temos tudo para conquistar o voto dessas pessoas – vitalidade, e experiência e, mais ainda, estamos preparados para administrar a prefeitura.

JC – Administrar significa dar prioridades. A prefeitura tem um orçamento anual de mais de R$ 6 bilhões. Dá para fazer muita coisa com esses recursos?

Orsine Oliveira – Acho que uma das primeiras coisas é ordenar a cidade. Temos no orçamento recursos para asfaltar Manaus, deixar a cidade mais limpa e mais iluminada

Porque são serviços prioritários. O prefeito e o vice são os síndicos da cidade.

Vamos ter patrulha cidadã, que vai ficar vigiando a cidade e fazer também outros. Serviços.

Nossa força-tarefa terá  um impacto, um choque de gestão, para a população que Manaus tem realmente prefeito e vice nas ruas. Nosso gabinete será itinerante.

Em temos de questões orçamentárias, há muitos recursos no governo federal.

Nossa intenção também é trazer investimentos de fora, que é  minha especialidade.

Muita gente quer investir em Manaus.

O Banco Mundial tem uma linha de crédito, a fundo perdido, para o transporte aquaviário, que iria do Tarumã até o Puraquequara.

Temos, sim, recursos, o problema é que eles são mal utilizados ou estão sendo desviados.

Na nossa prefeitura, vamos fazer gestão de cada centavo e com muita  transparência.

Alberto foi escolhido como um dos parlamentares mais transparentes do Congresso.

E essa transparência é que vai fazer o dinheiro público render.

Eu sei fazer gestão. Venho do empreendedorismo privado.

Na empresa privada você não dispensa nenhum cafezinho.

JC – Como vocês pensam estimular os micro e pequenos empreendedores, que é onde surgem oportunidades de emprego e renda, principalmente agora com essa crise na saúde?

Orsine Oliveira – Um projeto que é nosso compromisso de campanha é o PAE, o pronto-atendimento ao empreendedor.

Não é possível em uma cidade como Manaus demorar 200 dias para se abrir uma empresa.

Não é possível exigir licença ambiental para se ter uma padaria, um salão de beleza.

Já passou de um certo limite. A prefeitura tem que ser indutora do empreendedorismo. E não dificultar.

Vamos implantar programas de fomento em nível federal, estadual e municipal.

Temos que dar assistência técnica, capacitar. Pretendemos reativar a construção civil. A indústria da invasão está sobrevivendo da carência de moradias.

Como vice-líder do governo Bolsonaro, o capitão Alberto Neto pode acessar o programa Casa Verde e Amarela.

E construindo moradias se resolve o problema da falta de casas. E ainda a questão de emprego e renda.

JC – É possível transformar o Distrito Industrial num cartão-postal da cidade, com paisagismo, showroom?

Orsine Oliveira – Temos fábrica da Harley Davidson e não podemos visitar. Somente a Ambev tem programa de visitação online.

Podemos viabilizar esses projetos revitalizando as ruas do Distrito Industrial. Paisagismo é importante, limpeza também.

Falta política pública com esse direcionamento.

JC – Manaus tem ‘mundos separados’ que não convivem com a mesma realidade. Os serviços básicos à população não chegam a muitos lugares. Como vocês avaliam isso?

Orsine Oliveira – Isso é muito preocupante.  Digo que a indústria da invasão é um dos portais para toda sorte de infortúnios com as pessoas mais carentes.

A invasão é consolidada e elas não têm acesso a serviços públicos.

Porque Manaus está de costas para essas pessoas.

Tem que auxiliar as áreas que já foram consolidadas. E evitar que aconteçam novas invasões. E a zona rural é a mais esquecida do poder público.

Eles não querem ônibus executivo. Só querem ser lembrados.

O esquecimento só vai gerar mais violência, miséria, falta de educação. Nosso futuro está nas crianças.

JC – O prefeito Arthur Neto diz que fez muitas obras em Manaus, mas admite que não conseguiu resolver a questão do transporte público, que é o seu calcanhar de Aquiles. Como pensam resolver o problema, e ainda a questão da mobilidade urbana?

Orsine Oliveira – Integrando todo o sistema de transporte público. Temos que fiscalizar e pedir a renovação de 25% da frota de ônibus. Quem não cumprir, terá o contrato quebrado.

Essas empresas que estão aí não vêm cumprindo os contratos há mais de 40 anos. E continuam fazendo um serviço muito precário.

Podemos trazer empresas internacionais para operar o setor. A frota tem que ser monitorada.

Deveríamos ter 1.500 ônibus circulando, mas se contar, somente 800 estão nas ruas.

A tarifa de 3,80 reais é cara porque o serviço é de má qualidade.

JC – A pandemia mostrou a necessidade de se ter uma cidade mais inteligente, com sistemas digitais. Mas percebe-se um grande atraso nesse sentido. Essa questão também será prioridade no governo da chapa?

Orsine Oliveira – A cidade digital só acontece nas redes sociais. Em quatro horas, todo mundo sabe de um fato que aconteceu.

Mas se alguém precisar de alguma licença de órgão público, não consegue. Temos que digitalizar os serviços. Acabar com o sistema antigo de protocolos.

A inciativa privada já presta esses serviços não tendo um orçamento anual de 6,2 bilhões de reais. Tudo é digital.

Por que os órgãos públicos não fazem o mesmo?

Vê-se  Manaus, com uma pujança de economia que é a sétima do País, ainda não tendo nada nesse sentido.

É possível, sim, aumentar o volume de serviços online da prefeitura e fazer a desburocratização.

JC – O funcionalismo da prefeitura é hoje suficiente ou vocês pensam realizar concurso. Alguns candidatos admitem dispensas. Como avaliam essa questão?

Orsine Oliveira – Eu acho que o quadro de funcionalismo é suficiente. Existem áreas onde há excesso de pessoal. E outras onde faltam mais servidores.

O reflexo do funcionalismo público é de quem comanda a prefeitura. Conosco, Manaus vai ter comando, sim. Seremos prefeitos presentes.

Quando o funcionalismo vê um prefeito que quer trabalhar também se sente motivado.

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