Integração do CBA viabiliza bionegócios no Amazonas

O Visão  JCAM, um olhar Amazônida, realizou, nesta segunda-feira (19), a sua segunda live para discutir as potencialidades da biodiversidade do Amazonas na geração de novos empregos e renda à população do Estado. O objetivo é debater a viabilidade de novas matrizes econômicas que viriam a se somar às atividades da ZFM (Zona Franca de Manaus).

Depois da mineração, desta vez o tema abordado foi a bioeconomia, centrado no CBA (Centro de Bionegócios da Amazônia), que vai incorporar a nova denominação ao ganhar personalidade jurídica após mais de 20 anos de criação.

De lá para cá, foram vários imbróglios jurídicos sobre o papel do CBA, que troca o nome ‘biotecnologia’ por ‘bionegócios’. Estiveram presentes nas discussões, que aconteceram novamente na Cachaçaria do Dedé, o presidente do Cieam (Centro das Indústrias  do Estado do Amazonas), Wilson Perico; o professor e pesquisador da UEA (Universidade do Estado do Amazonas) Sergio Duvoisin Júnior, o geólogo e consultor Daniel Nava, o coordenador-geral do CBA, Fábio Calderaro, e o superintendente do Jornal do Commercio, Adalberto Santos.

O empresário Sócrates Bomfim, que assumiu a direção do JC após a morte do pai, jornalista Guilherme Aluízio de Oliveira Silva, abriu as discussões de forma online, ressaltando que a “bioeconomia é uma das apostas para o desenvolvimento do Estado do Amazonas”.

O superintendente Adalberto Santos destacou que o saudoso jornalista Guilherme Aluízio, proprietário do JC, já falava em novas alternativas de desenvolvimento regional. “Era um homem de muita visão de futuro”, disse.

Os jornalistas do JC Caubi Cerquinho e Fred Novaes, editor-chefe do jornal, intermediaram os debates com os especialistas.

Segundo o professor Sergio Duvoisin, a vocação do Amazonas ou da Amazônia está no grande potencial da biodiversidade.

“Temos uma biodiversidade gigantesca, mas não conhecemos ainda 96% dos fungos que existem, não sabemos para o que servem”, afirma o pesquisador. Ele ressalta que seu grupo na UEA pesquisa moléculas, enzimas, que podem se transformar em produtos agregados para serem utilizados pela indústria regional, como acontece com biodiesel, sabão, entre outros itens de alto consumo.

De acordo com o professor, a produção de enzimas movimenta aproximadamente US$ 700 bilhões no mundo. E o Brasil tem participação praticamente zero nesse contexto.

Hoje, os insumos usados na produção de cerveja, sabão, vêm de uma empresa europeia, segundo ele. “Poderíamos aproveitar essa tecnologia com o potencial que temos na região, permitindo menores custos, menos tributos, gerando mais empregos e renda”, acrescenta o pesquisador. “Hoje, 70% dos insumos de que precisamos poderiam estar sendo produzidas aqui”.

O professor sugere uma maior proximidades do CBA com os pesquisadores. “É importante um apoio mais efetivo da instituição para viabilizar uma indústria que fortaleceria as atividades da Zona Franca de Manaus, alavancando o desenvolvimento regional”, ressaltou o professor.

Segundo o empresário Wilson Perico, uma das grandes lideranças da indústria da ZFM, existem hoje pelo menos 160 patentes criadas no Amazonas com base em insumos da biodiversidade, mas somente três são utilizadas pelas empresas – entre elas, uma fibra de açaí usada na fabricação de selas de motocicletas e num perímetro que se transforma em compensado.

“A ZFM precisa de uma nova matriz econômica com base no potencial de sua rica biodiversidade que viria a se somar às atividades das indústrias locais. O polo industrial representa, hoje, 90% de toda a receita do Amazonas. Então, é necessário diversificar a produção com novos produtos com foco nos recursos naturais. Esse incentivo às empresas não acontecerá sempre. Precisamos estar preparados quando isso acabar”, salientou o gestor.

Mais autonomia

Para Wilson Périco, novas matrizes econômicas poderiam tornar a Zona Franca mais independente em relação às decisões de Brasília, com maior poder de autonomia para ditar os rumos do desenvolvimento regional. “´É hora de buscar novas opções para fortalecer a indústria”, afirmou.

De acordo com Périco, hoje o maior desafio é “equacionar o Estado socioeconomicamente”. Ele ressalta que as indústrias da ZFM repassam R$ 360 milhões em recursos à UEA na busca por novas alternativas econômicas, com foco na biodiversidade da região.

O geólogo Daniel Nava disse que o Amazonas é o maior laboratório do planeta, com mais de 40 mil espécies animais e vegetais detalhadas. “Temos aqui mais de 3 mil peixes com capacidade de uma produção fantástica de proteínas, afirmou. “Mas só conhecemos, porém, 3% desses recursos, micro-organismos, que podem alavancar a economia do Estado”, avaliou.

O coordenador Fábio Calderaro  disse que o CBA pode muito bem exercer o papel  de apoiar, de forma mais eficaz,  o empreendedorismo. Esse é o principal desafio da nova gestão da instituição.

Segundo Calderaro, as metas do CBA serão agora focadas em três vertentes – organização e qualificação das cadeias produtivas, desenvolvimento de novos produtos usando insumos da biodiversidade e o uso correto de resíduos agroindustriais.

“O novo CBA terá um papel de parque tecnológico junto às empresas privadas, acelerando a criação de empresas de bioecnomia”, disse ele.

Calderaro afirmou, ainda, que as empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) geram duas toneladas/dia de lodo, resíduos, que poderiam ser reaproveitadas para a fabricação de uma série de produtos, transformando-se em grandes ativos econômicos. “Estamos também desperdiçando esse potencial”, avaliou.

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