Amazonas tem déficit na criação de tambaquis, aponta IBGE

O Amazonas é líder nacional na criação de matrinxã, respondendo por 60,9% de participação na produção total do peixe em todo o país, mas ainda ocupa a sexta posição no ranking brasileiro de produção de tambaqui. Ambos os pescados, por outro lado, registraram índices mais baixos de produção, na passagem de 2018 para 2019, em sintonia com o ocorrido com outros pescados importantes para a atividade local, como a piava e a pirapitinga.

Em contrapartida, curimatã, pirarucu e alevinos registraram incrementos de safra, na mesma comparação de períodos, a despeito de seus valores de produção terem ido em direção contrária. Os dados estão na PPM (Pesquisa da Pecuária Municipal) 2019, divulgada pelo IBGE, nesta semana. O órgão federal de pesquisa ressalta que o estudo levou em conta apenas a aquicultura e não incluiu dados de pesca. 

Em números globais, a piscicultura amazonense produziu 7.981,02 toneladas em 2019 e amargou retrocesso de 2,22% no confronto com os números do exercício anterior (8.162,48 toneladas). Medida em milheiros, a produção de alevinos subiu 12,36%– de 3,64 (2018) para 4,09 (2019) – e incremento de 11,07% nos valores – com R$ 2,91 milhões (2019) contra R$ 2,62 (2018). O valor total da produção, por sua vez, totalizou R$ 71,02 milhões, sendo 1,52% inferior ao de 2018 (R$ 72,12 milhões). 

A piscicultura do Amazonas é a quinta maior entre os sete Estados da região Norte, ficando à frente apenas do Acre e do Amapá. Em âmbito nacional, o Estado está na 18ª posição. Apesar disso, a produção de ambos entrou em evidência. O destaque amazonense veio de Rio Preto da Eva, que foi o maior produtor local de tambaqui (900 toneladas) e matrinxã (800 toneladas) – o equivalente a 23,1% do produzido em todo o país.

Pirarucu e curimatã

Entre os peixes com maiores índices de criação no Amazonas, estão a matrinxã, o tambaqui e o pirarucu. A produção do primeiro caiu 4,4%, de 1.838 (2018) para 1.764 toneladas (2019), enquanto o segundo recuou 1,6%, ao pontuar 5.979 (2019) contra 6.075 (2018) toneladas. O pirarucu, por outro lado, apresentou alta de 4,07%, com 168.400 (2019) contra 161.816 (2018) toneladas.

Entre os 20 municípios brasileiros que lideram o fornecimento de matrinxã, nove deles estão no Amazonas. Depois de Rio Preto da Eva, o segundo maior em criadouros do peixe no Amazonas é Manaus (313.5 toneladas), que é seguido por Manacapuru (198), Presidente Figueiredo (90,7) e Itacoatiara (60). Tabatinga, Ipixuna e Coari também estão na lista.

Com participação de 5,9% do total produzido no país os tambaquis criados no Amazonas ficaram atrás de Rondônia, Maranhão, Roraima, Pará e Tocantins. O único município amazonense a comparecer no ranking dos 20 maiores produtores é Rio Preto da Eva, que ficou na 20ª posição, com fatia de 1%. As cinco cidades locais que mais produziram tambaqui em 2019 foram Rio Preto da Eva, Iranduba (985 toneladas), Manaus (845), Manacapuru (720) e Itacoatiara (500).

Outras produções da piscicultura amazonense que se destacaram no ano passado foram as de pirapitinga (25.702 toneladas) – embora tenha encolhido 30,60% ante 2018 (37.035) – e a de curimatã (32.150) – que aumentou 9,46% no confronto com o exercício anterior (29.370). O valor das produções de curimatã (R$ 299 mil) e pirarucu (R$ 1,622 milhão), entretanto, seguiu a média global, e caiu na comparação com 2018 (R$ 310 mil e R$ 1,625 milhão, respectivamente). O Amazonas ainda figura entre as principais unidades da federação na produção de piratininga (7º), curimatã (11º) e alevinos (15º).

Estatísticas e potencial

Indagado sobre os motivos por trás dos números, o técnico em informações geográficas e estatísticas do IBGE-AM, Anderson dos Santos lembrou que a aquicultura depende muito de subsídios governamentais, principalmente para ração. Mas, minimizou as dimensões dos números capturados na pesquisa. “As variações na produção e nos valores dos pescados do Amazonas não foram estatisticamente significativos. Isso representa que não podem ser creditados a um ou outro fator. Essas pequenas altas e baixas são consideradas normais”, encerrou. 

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, destaca que a piscicultura é uma das atividades rurais mais promissoras para Estado, em virtude da abundância de água e da tecnologia disponível para criação das principais espécies. O dirigente ressalta ainda que o Amazonas dispõe de grande mercado consumidor para o pescado e, por isso, aguarda números melhores para os próximos anos.

“A expectativa é de que a piscicultura cresça no Amazonas, por todo o potencial que apresenta. Agora, para que isso ocorra com maior ou menor intensidade, terá relação direta com o acesso dos piscicultores à assistência técnica, ao crédito rural e à regularização fundiária e ambiental, além de insumos produtivos com custo mais baixo”, finalizou.

Procurado pelo Jornal do Commercio, o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, não respondeu até o encerramento desta reportagem.

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