Um mundo e uma economia sem contato

“Não se fala em outra coisa, é necessário refletir, reconfigurar, repensar, reorganizar, rever modelos consolidados, agora inúteis no que pôs abaixo todas as convicções. Concordo com todas as premissas”, comenta a administradora de empresas e professora doutora em Marketing, Angela Bulbol de Lima, CEO da ABL Consultoria. Sobre tantos ‘RES’, ela acrescenta: “mais do que refazer é necessário antecipar o futuro e começar, agora, a integração entre o que já é passado e o futuro que já vivemos, já que estamos sem presente. Empurrados pela crueza de um vírus que desconhecemos tanto e, às vezes, ignoramos o impacto de seus danos no mundo e todas as nossas relações já não são mais as mesmas. Jamais retornaremos àquele lugar que deixamos para trás. Nossa demonstração de afeto, de calor, amor e amizade, emoção e escolhas também terão um jeito diferente de dizer como são! Nada escapará!”. O Jornal do Commercio conversou com a professora sobre as mudanças que já estão presentes no Mundo. Leia a entrevista.

 JORNAL DO COMMERCIO – Como se desenham a nova economia e as formas de consumo no futuro?

 ANGELA BULBOL DE LIMA – O consumo na sua forma tradicional não existirá mais, não tenho uma visão apocalíptica, muito pelo contrário, trazendo aqui a premissa do recomeço. O ser humano, por natureza e necessidade, é um ser em constante desejo. Então, imposta a lógica da insatisfação humana continuada, porém sentenciados a distância e ao medo, que não superaremos tão cedo, não estaremos mais tão juntos assim, para realizarmos decisões e escolhas; trocas e contato! Desenha-se uma economia dentro de um mundo com contatos medidos, literalmente.

JC – Que transformações viveremos? De uma certa maneira já vivemos algumas…

ABL – Um jeito de transacionar mantendo uma distância segura, mas que garanta a realização dessa fonte inesgotável de vontades, o desejo humano de continuar querendo decidir, escolher e viver.

JC – Trata-se, exclusivamente, de uma economia digital?

ABL – Não é uma questão exclusiva de moeda ou cenário. O nome dessa revolução é “reset your min set”, ou seja, refaça seu modo de pensar e entender e sentir. A revolução da mentalidade e entendimento e novos e desconhecidos limites! É isso; o novo agora impõe limites físicos, insuperáveis no longo prazo, limites determinados por uma revolução inesperada e sombria, que antecipou rupturas inescapáveis no que aconteceria também no longo prazo, que reconfigurará a indústria do consumo. Vamos experimentar de um jeito diferente através de uma nova concepção, formato, design, de produtos e serviços!

JC – Pode explicar melhor?

JC – Num certo sentido, gosto de dizer que o global tornou-se local de novo. Pessoal. Pense nas mudanças que ainda não vivemos, pois já experimentamos o novo e estamos nos adaptando fácil e comodamente, ao rigor de uma nova ordem. Delivery é só um canal, um meio de distribuição, entrega; o que nos acostumamos silenciosamente, foi a um mundo sem degustação e presença. Ruptura mesmo é viajar e ir a lugares de uma forma diferente, sem estar lá desfrutando de seus aromas, consumir moda diferente, moda que é a mola do desejo de status e diferenciação, diferente agora pois existem balizas morais inclusive, de uma nova memória de privação e restrições, marcante e definitiva. O mundo sem excessos.

JC – Que valores adquirimos a partir de uma experiência de introspecção e restrições nunca experimentados?

ABL – Bem.. Continuamos na saga de sermos humanos em marcha e carentes, ardentes, poéticos, desejosos por abraços o tempo todo; somos tato, sentido sempre. Não houve tempo para esquecimento e refazimentos; foi um empurrão. Mas como humanos, persistentes e heroicos, sobreviveremos mais uma vez, talvez mais marcados e por algum tempo melancólicos, loucos para prosseguir e viver a humanidade na sua plenitude de novo.

JC – O que juntamos à mudança?

ABL – Humanidade, parcimônia, temor do futuro, fronteiras, introspecção, novos valores também, criatividade, superação, organização no caos, o aprendizado para o foco, o diálogo. Sempre gosto de pensar na decisão de amenizar a vida, promover gentileza e ter calma. Transformar a tragédia num momento criativo, emocional e mental, cientes de nossa responsabilidade com as novas gerações tão desacostumadas ao ócio criativo e ao tempo livre, obrigadas ao prazer contínuo. 

JC – Protagonistas do povir? 

ABL – Sim, responsáveis também com o futuro de nossas organizações que prosseguirão certamente reconfiguradas em suas missões, revigoradas por alguns tombos no caminho, com novos consumidores à espreita das mudanças que seguirão.

QUEM É

ANGELA BULBOL DE LIMA é Administradora de Empresas, Doutora em Ciências da Informação e Marketing pela Universidade Fernando Pessoa – UFP (Porto, Portugal. 2017). Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Amazonas. Professora da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, com experiência nas áreas de Marketing, Estratégia, Gestão de Projetos e Comportamento Organizacional.

Fonte: Mazé Mourão

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