Trabalho formal no Amazonas cresce em junho, aponta “Novo Caged”

O saldo de empregos com carteira assinada cresceu pelo quarto mês seguido, no Amazonas, entre maio e junho. No total, foram criados 5.423 postos de trabalho celetistas, gerando alta de 1,27% na variação mensal, dada a predominância das admissões (+17.514) sobre os desligamentos (-12.091). Foi um resultado superior ao registrado no mês passado (+0,90% e +3.843), na melhor performance do ano, chegando próximo ao dado de novembro de 2020 (+5.436). Os acréscimos se concentraram principalmente em Manaus (+5.129) e foram novamente puxados pelos serviços e pela indústria.

O desempenho mensal do Amazonas bateu as médias nacional (+0,76%) e da região Norte (+1,17%). Com a performance positiva de junho, o Estado conseguiu se manter no azul nos saldos dos acumulados do ano (+3,04% e +12.783) e dos últimos 12 meses (+9,93% e +39.187). O estoque – que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos – registrado no mês passado foi de 435.506 ocupações formais. Os números estão na mais recente edição do “Novo Caged”, divulgada pelo Ministério da Economia, nesta quinta (29).

A mesma base de dados informa que o Brasil apresentou saldo de 309.114 empregos celetistas, em junho, em decorrência de um novo predomínio das contratações (1.601.001) sobre as demissões (1.291.887). Impulsionado por comércio e serviços, o resultado superou maio (+280.666), abril (+120.935) e março (+184.140), mas ainda ficou aquém da marca de fevereiro (+401.639). No acumulado de 2021, foram criadas 1.536.717 vagas (+3,17%), com a entrada de 9.588.085 trabalhadores e a saída de outros 8.051.368. O estoque contabilizou 40.899.685 vínculos empregatícios em todo o país. 

Serviços e indústria

Todos os cinco setores econômicos listados no Amazonas pelo “Novo Caged” conseguiram saldos positivos, na passagem de maio para junho. Em números absolutos, o melhor dado veio dos serviços, que abriu 1.999 novas vagas celetistas, gerando acréscimo de 1,04% em relação ao estoque anterior – e com número melhor do que o de maio (+1.710). Isoladamente, a maior parte veio dos subsetores de atividades administrativas e serviços complementares (+512 ocupações), alojamento e hospedagem (+430), e transporte, armazenagem e correios (+316), entre outros.

Com geração de 1.586 postos de trabalho formais, em junho, a indústria ocupou a segunda posição e avançou 1,45% ante o estoque do mês passado. A quase totalidade das vagas veio da indústria de transformação (+1.530), sendo seguida de longe pelas divisões de eletricidade e gás (+35) e extrativa (+22). O destaque negativo veio do segmento de eletricidade e gás, que amargou o enxugamento de um emprego celetista.

No mês do Dia dos Namorados, o comércio caiu da segunda para a terceira posição, no ranking das atividades econômicas do Amazonas (+937), registrando alta 0,92%. Os resultados foram novamente melhores no varejo, do que no atacado e no subsetor de veículos. Construção (+848) veio na sequência, com a maior alta proporcional da lista (+3,75%), sendo seguida por agropecuária (53 vagas e +1,58%). Até o fechamento desta edição, o painel digital do “Novo Caged” ainda não havia sido atualizado com os dados do acumulado.

Pandemia e e-commerce

No entendimento do presidente da Assembleia Geral da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, considera que o comércio se manteve como um importante gerador de emprego, no mês passado e aponta que o fato de a indústria ter tido um número melhor se deveu à entrada em operação de novas plantas industriais no parque fabril da capital amazonense.

“Vale lembrar que a própria indústria alimenta postos de trabalho no varejo, a exemplo das concessionárias que trabalham com as montadoras do PIM. Acredito que as coisas tendem a melhorar para o varejo, no mesmo ritmo da vacinação. É uma questão de tempo, porque muita gente ainda não está saindo para a rua. Mas, por esse mesmo motivo, o e-commerce está tomando muitas vendas do setor, inclusive no interior. Acredito que os saldos tendem a ser menores nos próximos meses, pelo menos até novembro e dezembro”, avaliou. 

“Volta à normalidade”

Vídeo fornecido pela assessoria de imprensa do Sinduscon-AM Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), mostra que o presidente da entidade, Frank Souza, já aguardava números robustos para o desempenho do setor em empregos e ritmo de produção. A expetativa do dirigente é que, com a aceleração do processo de imunização, tanto o segmento, quanto a economia como um todo, voltem à “sua base normal”. 

“Tivemos um crescimento de 25% em 2020, ano principal da pandemia, e passamos por um período de apreensão no terceiro trimestre.  Em compensação, tivemos expansão a partir de abril e maio e a perspectiva é que 2021 seja um ano muito positivo, apesar da inflação dos insumos. Já estamos conseguindo equilibrar os contratos e o índice de confiança do setor já trafega acima dos 50 pontos [o que indica satisfação]. As coisas estão voltando a normalidade e a atividade vai crescer bastante. Essa é a perspectiva”, afiançou.

Segunda onda

Já o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, assinala que os dados positivos já eram uma expectativa do mercado e que o atual momento econômico, ainda que “brando”, é de recuperação econômica. O dirigente observa que os números apresentados pelo país são positivos, o que denota que a economia vem demonstrando sinais de recuperação, ainda que “tímidos”. Da mesma forma, observa que a cronologia antecipada da segunda onda do Amazonas teria dado uma ajuda ao Estado, mas ressalta que ainda há motivos para cautela. 

“O Amazonas, em particular, iniciou esse processo de retomada da atividade econômica antes dos demais Estados, haja vista que foi o primeiro a entrar no segundo pico da pandemia em janeiro passado. É preciso, todavia, que analisemos com cautela esses indicadores, já que desde o último ano houve uma mudança na metodologia do cadastro, que agora considera também os empregados temporários, assim, necessitamos de uma série histórica maior para afirmarmos que o país segue em ritmo constante”, finalizou.

Foto/Destaque: Divulgação

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