Taxa cai com maior inatividade

A taxa de desemprego em novembro igualou a menor marca da série histórica do IBGE, mas, ao esmiuçar os números, nota-se que o recuo não se deu diante de um cenário de expansão dos postos de trabalho. O motivo da queda é a saída de pessoas do mercado de trabalho.
O que determinou a redução da taxa de desemprego para 4,6% em novembro foi a migração de um contingente expressivo de trabalhadores para a chamada inatividade. Ou seja, cresceu a parcela daqueles que não procuram trabalho nem estão ocupados.
O total de inativos subiu 0,8% de outubro para novembro, com um acréscimo de 148 mil pessoas. Já na comparação com novembro de 2012, a alta de 4,5% correspondeu a 801 mil pessoas a mais sem trabalhar ou buscar uma vaga.
“Não é um cenário favorável. O melhor seria se a taxa de desemprego caísse por conta do crescimento do emprego, o que não ocorreu”, disse Cimar Azeredo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE.
O número de empregados subiu apenas 0,1% de outubro para novembro (ou 14 mil pessoas), mas registrou queda de 0,7% (170 mil pessoas) na comparação com novembro de 2012. A migração para a inatividade, diz, pode ter várias razões. Uma delas, vista em outros meses de novembro, é que empregados temporários já acertaram suas contratações, mas não começaram efetivamente a trabalhar. Desse modo, são considerados fora do mercado de trabalho, ainda que já tenham conseguido uma ocupação.
Outros motivos, afirma, são o desalento (desestímulo para procurar emprego diante de um cenário econômico difícil) ou a saída temporária do mercado de trabalho por conta do final de ano.
Para Pereira, a alta da renda em novembro -2% ante outubro e 3% em relação a novembro de 2012 -não sinaliza uma melhora do rendimento familiar a ponto de permitir que alguns membros deixem de procurar trabalho.
O gerente do IBGE ressalta que a renda melhorou em novembro, mas registra um desempenho pior neste ano do que em 2012. Na média de janeiro a novembro, o rendimento cresceu 1,7%, num ritmo inferior ao de anos anteriores. Nesse período, a taxa de desemprego média ficou em 5,5%, pouco abaixo dos 5,6% de janeiro a novembro de 2012.

Prenúncio

A consultoria Rosenberg & Associados diz, em relatório, que “chama a atenção” o fato de as taxas de crescimento do emprego e da força de trabalho (composta por ocupados e por aqueles que procuram emprego) “estarem muito próximas já há alguns meses”. “Isso poderia ser um prenúncio de taxas de desemprego mais elevadas.”
Tal aproximação, afirma a consultoria, não “era observado desde 2005 [ano de crise]”.

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