As startups estão entre os modelos de negócios que sofreram os impactos da pandemia, entretanto, em escala menor. O dado faz parte de uma pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em parceria com Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

O levantamento aponta que enquanto 87% dos pequenos negócios convencionais registraram queda de faturamento durante a crise, as perdas foram menos significativas entre as empresas essencialmente inovadoras (startups), onde 68% dos negócios verificaram perda de receita. A mesma pesquisa apontou que 13% dos pequenos negócios inovadores conseguiram aumentar o faturamento apesar da crise. O resultado é bem superior ao percentual encontrado no universo geral das MPE, onde apenas 4% das empresas tiveram elevação da receita.

Nessa direção, as startups de Manaus, nos segmentos de educação, logística e varejo apresentaram bom desempenho e aproveitaram o momento favorável para crescer. Quem afirma é Daniel Goettenauer, especialista em inovação e atua no time de negócios do Manaus Tech Hub.

O especialista garante que a crise pandêmica favoreceu as empresas emergentes no Amazonas, dado que elas ainda  não tem o mesmo nível de consumo do e-commerce de outras regiões e o cenário estimulou esse primeiro contato com as ferramentas. O que faz afirmar que o campo é fértil e próspero para esta modalidade de negócio. “As empresas emergentes conseguem mudar seus processos de forma mais ágil, simplificando e ajustando processos dessa forma conseguindo melhores resultados”. 

 A pesquisa online realizada pelo Sebrae, em parceria com a Finep, colheram dados entre os dias 28 de maio e 3 de junho, com a participação de 833 startups. Em consonância com a percepção de Daniel Goettenauer, o  levantamento mostrou ainda que, apesar dos impactos negativos nos negócios, as empresas inovadoras têm maior capacidade de se reinventar e por isso, 76% delas não demitiram funcionários, enquanto 36% das MPE tradicionais tiveram que demitir.

O comportamento das startups durante a pandemia fez Daniel sondar os efeitos no mercado local, revelando que algumas startups amazonenses puderam ajudar a enfrentar os impactos causados “Nesse contexto, essas empresas foram referência para entender como o uso de soluções tecnológicas podiam nos ajudar em um período nunca vivido no cenário econômico mundial”. 

Ele descreve que após 15 semanas desde o início da pandemia em Manaus (com seu primeiro caso em março), ele procurou algumas dessas startups para saber qual o impacto que o momento atípico provocou em seus negócios e quais as lições aprendidas que podem ser compartilhadas. As startups com as quais conversei foram: eMercado, Onisafra e Trocados.

Por exemplo, a startup eMercado faz a operação online do Pátio Gourmet e da loja de calçados Shop do Pé, relatou um aumento em torno de 10 vezes em volume de venda e número de pedidos, tendo como principal lição aprendida, segundo o seu CEO Flávio Filho, a existência de muitas oportunidades para ajudar o varejo a vender mais e o fato de que a presença digital já não é mais um diferencial, porém uma obrigação.

Para Macaulay Souza, da Onisafra, com operações em Manaus, Belém e São Paulo, maior impacto no volume de vendas foi ainda em março, provocando aumento em 100% e nos meses de abril e maio um crescimento médio de 20% sobre os períodos anteriores.

“O fato de ter um plano de trabalho executável favoreceu a continuidade das operações, juntamente com a cultura da empresa cujo hábito de escutar e implementar o que o cliente espera do serviço, acabou por criar novas oportunidades de negócios”, disse Souza. 

Já a fintech Trocados, liderada pelos sócios Silvestre Paiva e Amaike Keric, relata um aumento de pouco mais de 70% no faturamento da startup, com o dobro dos volumes transacionados na plataforma digital, sendo motivo de comemoração para a empresa.

“Aprendemos que em um momento de crise a cultura bem definida é o que vai auxiliar na tomada de decisão. Se você possui uma cultura fraca e passa por um momento delicado no negócio o desespero e a pressão por tomar decisões rápidas podem fazer você sair do foco e do direcionamento que vinha tendo. O Covid-19 reforçou a atuação forte que nossa cultura tem.”  declarou Silvestre sobre a lição mais valiosa durante a crise.

De acordo com Daniel Goettenauer, todos os negócios precisaram de apoio, e mesmo as startups citadas, pediram ajuda a parceiros e colaboradores para que pudessem transformar o momento atípico em oportunidades.

“O comportamento de consumo irá mudar e cada vez mais as startups farão parte do nosso dia a dia, facilitando ações do cotidiano e provocando mudanças de hábitos

Mais dados revelados na pesquisa

Outro diferencial positivo das startups identificado na pesquisa foi que elas também geraram mais empregos (16% delas contrataram funcionários). Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, esses dados confirmam a importância crucial da inovação como motor da nova economia. “A difusão da inovação entre os pequenos negócios tornou-se uma meta do Sebrae. Acreditamos que somente com inovação as micro e pequenas empresas serão capazes de enfrentar os enormes desafios da crise criada pelo novo coronavírus, que acelerou alguns processos que a economia global já vinha sinalizando: a exigência de mais competitividade e produtividade”, comenta Melles.

Por sua própria essência, as startups possuem poucos colaboradores, o que influência nos resultados apresentados e se caracterizam como empresas nascentes com modelos de negócios altamente inovadores, escaláveis e preparadas para continuar crescendo em condições de extrema incerteza. “Como principal indutora federal da trinca C, T&I, a Finep se dedica ao fomento de startups há mais de 20 anos, quando criou o primeiro grande programa voltado ao venture capital, no Brasil. Esta importante pesquisa reforça muitos dos nossos conceitos: acreditar no inovador, compartilhar riscos, fazer diferença para o setor produtivo”, afirma o general Waldemar Barroso, presidente da Finep.

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