Semana do Brasil decepciona o comércio no Amazonas

Encerrada nesta segunda (13), após dez dias de realização, a segunda edição da Semana do Brasil rendeu resultados bem abaixo dos aguardados pelos lojistas do Amazonas, que haviam projetado um crescimento de 5% a 8% nas vendas em relação ao ano passado. A expectativa era capitalizar a nova Black Friday verde e amarelo para fugir da sazonalidade de um mês sem datas comemorativas, mas a pandemia e o desabastecimento abortaram o plano.

Além da falta de mercadorias em muitos pontos de venda, em decorrência da desarticulação das cadeias produtivas pela crise da covid-19, o comércio não pode investir o que se esperava para a data, para evitar aglomerações e riscos de repiques nos casos de contágio do novo coronavírus. Em sintonia com os protocolos de segurança estipulados pelos decretos estaduais anti-pandemia, a FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde) se opôs à realização do evento.

Para contornar o impasse, lideranças do setor sugeriram que os estabelecimentos adotassem canais online para as vendas e efetivassem as entregas por delivery ou drive-thru – iniciativa que contava com a simpatia da FVS-AM. As entidades preferem não falar de números, mas garantem que, mesmo com todas as medidas para evitar problemas, o resultado ficou bem aquém do desejado. 

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, destaca que, em razão dos gargalos, a própria taxa de adesão foi menor do que o esperado pela entidade e ficou aquém do registrado na primeira edição da Semana do Brasil, apesar do maior tempo de duração em relação a esta. Segundo o dirigente, as empresas estavam entusiasmadas com a data, mas o receio de ter problemas falou mais alto.

“Infelizmente, não deu para detectar qualquer crescimento de vendas, neste ano. Tivemos uma reação que não ficou acima de 800 empresas. Elas entraram na campanha, tiveram seu resultado, mas nada que fosse acima da realidade. Pelo menos, marcaram território para que a gente possa fazer uma coisa bem maior no ano que vem, saindo a covid-19. Porque não se podia fazer tumulto nessas lojas”, lamentou.

Público e fechamento

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Lima, concorda que a pandemia e os protocolos de distanciamento social ajudaram a minar as expectativas dos lojistas, mas tem avaliação diferente sobre o potencial da Semana do Brasil. O dirigente avalia que as promoções da data comemorativa não teriam tanto retorno para as empresas, por estarem mais voltadas a um público que não foi beneficiado pelas medidas federais de proteção econômica das populações mais vulneráveis.

“O que está ajudando nas vendas do comércio é, em grande parte, o auxílio emergencial e a resposta do consumidor de baixa renda. Acho que essas promoções são voltadas mais para as classes A e B e os shoppings, que ficaram mais precavidos com a pandemia e os protocolos. Tivemos uma reunião com a FVS-AM e o pessoal do governo, no dia 10, e eles nos informaram para termos todo o cuidado. O governador até nos disse que, se os números aumentarem, pode ser necessário fechar de novo”, alertou.     

Desabastecimento e demanda

Já o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, afirma que todas as informações que chegam a seus ouvidos indicam que a Semana do Brasil foi “um momento muito bom de recuperação de vendas”. O dirigente pondera, no entanto, que as vendas poderiam ter sido melhores, se não houvesse desabastecimento de produtos na atividade comercial. 

“É claro que o comércio passa hoje por dificuldades, como a falta de navios e contêineres. Se você conversar com alguns empresários, eles vão dizer que a maioria do comércio está desabastecido. Mas a Semana do Brasil foi muito positiva e o projeto do governo federal de um Black Friday verde e amarelo foi muito válido. Acho que deve se repetir no ano que vem”, ponderou.

O presidente da Fecomercio-AM aponta ainda que, em sintonia com os impactos econômicos da pandemia, a demanda tem se mostrado mais significativa no varejo de bens essenciais, que não fecharam suas portas durante os meses mais difíceis da pandemia e do isolamento social. Diante desse quadro, Aderson Frota ressalva que os próximos meses, que costumam ser tradicionalmente de aquecimento para o comércio varejista, ainda apresentam uma incógnita para o setor. 

“De qualquer maneira, ainda não temos a certeza se, neste ano, a economia vai se manter no mesmo patamar crescente, ou se vai viver momentos de vendas fracas. Não temos essa convicção. Alguns segmentos estão crescendo muito, principalmente os de alimentação e medicamentos, que hoje praticamente respondem por 50% da arrecadação do Estado. Foram, com certeza, os responsáveis pelo resultado positivo do setor”, arrematou.

Fiscalização da FVS-AM apresenta queda de 0,2% em Manaus

Procurada pela reportagem do Jornal do Commercio para falar sobre a fiscalização e eventuais incidentes envolvendo o varejo durante a Semana do Brasil a assessoria da FVS-AM respondeu com uma nota enviada à imprensa. No documento, é citado um balanço, apresentado aos representantes dos poderes do Amazonas, na última sexta (11), no qual a média móvel de casos aparece com queda de apenas 0,2% em Manaus, nos 14 dias anteriores. A FVS-AM diz que ainda não é possível afirmar que o Estado passa por uma segunda onda, mas assinala que o comportamento da população vem favorecendo a propagação do vírus,

“Essa desaceleração na queda de casos e aumento de internações é reflexo das aglomerações, cada vez mais frequentes, ocasionadas por uma parcela significativa da população que não adotou e, cada vez mais, está abandonando as medidas não farmacológicas preconizadas (como distanciamento social, não aglomeração, uso constante de máscara e lavagem frequente das mãos)”, encerrou a nota. 

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