Selic marca recorde histórico a 2%

Como antecipado pelo mercado, o BC (Banco Central), diante dos rescaldos da crise da covid-19 e da dificuldade de restabelecimento da economia, o BC (Banco Central) diminuiu os juros básicos da economia pela nona vez seguida, nesta quarta (5). O Copom (Comitê de Política Monetária) foi unânime em definir o corte em 0,25 pontos percentuais, reduzindo a Selic 2% ao ano, o menor piso histórico para a taxa.

De outubro de 2012 a abril de 2013, os juros básicos da economia foram mantidos em 7,25% ao ano, até que a deterioração econômica levasse a altas que reposicionaram a taxa em 14,25%, em julho de 2015. Em outubro de 2016, com o avanço da crise do impeachment e do desemprego, o Copom voltou a reduzir a Selic até que esta chegasse a 6,5%, em março de 2018. O ciclo de reduções foi retomado em julho de 2019, sendo que a pandemia aumentou o ritmo e o tamanho dos cortes.

As lideranças das entidades classistas ouvidas pelo Jornal do Commercio se dividem quanto ao alcance e efetividade da iniciativa. Há quem comemore a nova queda nos juros básicos na economia ou acredite que a taxa já deveria ter sido levada a zero. Outros preferem a cautela e aponta que, como todo remédio, a redução da Selic pode se tornar um veneno, caso venha em dosagem excessiva. 

Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Lima, a redução do custo do dinheiro é positiva e deve produzir resultados significativos, em meio à pandemia. “Vejo que essa diminuição da Selic para 2% vai aumentar ainda mais o crédito neste momento de crise, impactando de forma positiva o volume de negócios e melhorando a economia. Vejo dessa forma”, opinou.

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, é outra liderança que não vê ressalvas na decisão do Copom. “Esse novo corte mantém a tendência de redução da Selic e é uma medida acertada e necessária nesse momento de retomada da economia. Para o setor agropecuário essa diminuição da taxa já influenciou na queda dos juros previstos no Plano Safra, lançado recentemente pelo Governo Federal e que baliza as linhas de crédito destinados ao setor rural”, comemorou.

Prestações e financiamentos

Para o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, o impacto do reforço do Copom no corte dos juros é “extremamente positivo”, já que o valor da prestação na ponta do consumo tende a cair, assim como montante financiado às empresas incorporadoras para que estas realizem as obras. 

“E é melhor para a economia, de uma forma geral, que vai ter mais crédito para movimentar a economia. Quanto mais o dinheiro for barato, menor a preocupação do empresário, ao buscar recursos no banco. O que nos preocupa é que o preço dos materiais não está acompanhando isso e todos os preços da cadeia da construção civil estão subindo”, ponderou.

Investimento forçado

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag considera que, em princípio, o governo está fazendo que é correto, pois ao baixar a Selic, os empresários que têm recursos e “que sabem que uma aplicação não vai render nada”, vão pegar o dinheiro que está entesourado e ter de investir e fazer novos negócios.

“Talvez essa seja uma das saídas para o governo. Para o comércio, em princípio, caem também as taxas de juros e vale a pena buscar dinheiro nos bancos e fazer vendas a prazo, assim como arriscar e investir. E o cidadão vai poder comprar uma geladeira ou fogão em dez vezes, com o preço próximo ao de a vista. A gente espera que o governo libere também os financiamentos sem tanta burocracia e exigência de garantias. Se garantir isso, vamos sair dessa crise mais rápido”, asseverou.  

Liquidez e inflação

Mais cético, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, diz que toda ajuda do governo no sentido de reduzir o custo de capital é bem vinda, mas salienta que os efeitos da iniciativa demoram muito para chegar na ponta do consumo e gerar efeitos no volume de vendas do varejo. O dirigente ressalva também que, no cenário atual de escassez de alguns produtos, injetar recursos demais no mercado pode não ser um bom negócio para o varejo e para a inflação, embora ajude a reduzir o volume das dívidas de inadimplentes.

“Só vamos realmente saber qual é a real situação do país, quando voltarmos a uma realidade sem o excesso de liquidez que o governo federal está colocando no mercado, por meio de auxílio emergencial, saques de FGTS, etc, etc. A economia precisa disso para impulsionar, concordo. Mas não tem como dizer se esse novo corte vai ser sentido no curto prazo, porque o país está muito aquecido. Pela lei da oferta e demanda, o pessoal acaba cobrando mais caro pelas coisas”, sentenciou.

Dívida pública

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, considera que o movimento gradual do Copom em relação ao custo do dinheiro está sendo inócuo para incentivar investimentos produtivos ou consumo e voltou a reforçar ao Jornal do Commercio que, por força da crise da covid-19, a Selic deveria ir simplesmente a zero.

“Isso ajudaria, inclusive, o governo federal com relação à dívida pública. A questão da taxa de juros, hoje, nos bancos, está impeditiva, mas não é por conta da Selic. Reduzir a taxa vai afugentar o investimento especulativo. Não vai fazer diferença nenhuma para o cidadão e para o investidor, mas para o ajuste das contas do governo federal”, finalizou.

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