Selic em 14,25% preocupa empresários

Os setores de indústria e comércio amazonenses demonstram preocupação quanto a produtividade e captação de investimentos, fatores que foram afetados com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central na última quarta-feira (8) em manter a Selic (taxa básica de juros) em 14,25%, porcentagem que se mantém desde julho passado. Um dos temores dos setores produtivos e comerciais reside no encarecimento de crédito que causa queda no consumo. Segundo o Copom essa é a saída para conter a inflação.
Esperar que a nova equipe econômica do governo Temer resolva essa equação de forma menos dolorosa para o Estado, por enquanto é só o que se pode fazer, disse o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco. “Essa reunião do Copom foi a última sob o comando do Alexandre Tombini, que lá estava desde o começo do mandato de Dilma Rousseff. A nova equipe ainda se arma para resolver essa equação e espero que a resposta não seja tão prejudicial à indústria e que o crescimento logo seja retomado”, disse.

Efeito cascata

No PIM (Polo Industrial de Manaus), na construção civil e no setor primário a tendência será de queda na produção. Com a taxa Selic alta, menos dinheiro é posto em circulação e menos produtos e serviços são comprados. “O enfraquecimento da economia fica evidente. Quem está empregado já não consome, por não ter garantias de que permanecerá no emprego. A retração do consumo ocasiona a baixa produtividade e com isso aumentam as demissões”, lembra Périco.
De acordo com Périco, o momento de recessão prejudica indústria por dificultar a captação e atração de investimentos. “Nesse momento, o investidor prefere retrair investimentos por conta das especulações. O crédito encarecido prejudica a atividade econômica e, consequentemente, inibe a geração de empregos”, comenta. Segundo Périco, não se combate inflação com juros altos e crédito encarecido. “Se o foco é atingir a inflação, o governo federal deve se preocupar em manter as propostas de reduzir o gasto público, revisar a carga tributária e reforçar a política de investimentos o que aumentaria a competitividade”, disse.
A decisão do Banco Central anunciada na última quarta-feira (8) mantém a porcentagem das últimas sete reuniões do Copom e confirma as previsões de economistas. Ainda assim pode causar estragos para o comércio, diz o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas) Ismael Bicharra. “O empresariado e os consumidores serão afetados de imediato. O aumento de juros traz baixo consumo, com isso, haverá ainda mais desaquecimento do comércio e consequentemente menos contratações e possíveis demissões”, disse.

Nova diretoria do BC

Com a saída de Tombini, o BC será dirigido por Ilan Goldfajne que declarou em sabatina no Senado Federal cumprir a meta de inflação de 4,5% estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). “Os limites de tolerância servem para acomodar choques inesperados que não permitam a volta ao centro da meta em tempo hábil”, disse Goldfajne.

Como somos afetados pela taxa Selic?

A taxa Selic serve de referência para todas as demais taxas de economia (do cheque especial, do crediário, dos cartões de crédito, da poupança), dando aos bancos a margem de cálculo para cobrança de juros, assim definindo quanto será cobrado para a concessão de crédito, afetando diretamente a vida do consumidor. Quanto mais baixa a Selic, mais “barato” fica para o consumidor fazer um empréstimo ou comprar a prazo.

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