21 de janeiro de 2022

Retomada impulsiona polos de informática e de mídias digitais

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A retomada da produção industrial de bens e componentes de informática pretende por no mercado mais 800 mil unidades de microcomputadores, inclusive portáteis, ‘made in Amazonas’.

A retomada da produção industrial de bens e componentes de informática pretende por no mercado mais 800 mil unidades de microcomputadores, inclusive portáteis, ‘made in Amazonas’, ultrapassando em 35,95% o volume global de produção do PIM (Polo Industrial de Manaus) no ano passado, algo em torno de 588,43 mil de unidades.

Na carona dessa expansão, a indústria de mídias graváveis -CDR e DVDR-, que enviou para o mercado consumidor 656,46 milhões de unidades em 2009, é outra que pretende ampliar neste ano pelo menos 10% a mais sobre o total do ano passado, atingindo 722,10 milhões de unidades.

As estimativas foram, respectivamente, divulgadas pelo Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus) e Sindicato dos Meios Eletromagnéticos e Mídias Virgens, trazendo como base de cálculos os números oficiais divulgados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

No entendimento do presidente do Sinaees, Wilson Périco, embora pareça um avanço expressivo, é perfeitamente possível o crescimento estimado para este ano, uma vez que há demanda reprimida por microcomputadores em virtude da instabilidade econômica no primeiro semestre de 2009. Sobre os novos investimentos, o dirigente afirmou que, com a retomada da economia, os recursos financeiros disponibilizados pela indústria estão mais seletivos, e as decisões sobre novos investimentos estão sendo mais bem pensadas, tomadas em colegiado. “A regra é maximizar os investimentos já realizados antes de pensar em novos, além de rever os níveis de retorno planejados com aquilo que está sendo obtido”, apontou o dirigente.

Automação das linhas

Périco afirmou ainda que o aumento da capacidade instalada da indústria do setor prevista para este ano não significa necessariamente ampliação da mão de obra, uma vez que a automação das linhas fabris é fato consumado. Ainda assim, o executivo estimou que o setor ultrapasse de 5% a 7% a marca dos 100 mil empregos diretos registrados no ano passado, não contabilizados os temporários. “Investimentos na capacidade de produção levam, em primeiro momento, à elevação de custos fixos, e isto gera desequilíbrio em curto prazo. Assim, é preciso planejar com muita racionalidade investimentos em mão de obra, pois ajustes necessários nos custos fixos irão se tornar menos flexíveis”, completou.

O presidente das indústrias de mídias virgens, Amaury Blanco, concordou que o impacto do dólar baixo na balança comercial do país traz um efeito danoso ao mercado e ao emprego. Segundo o empresário, com as receitas de exportações em baixa e os preços de produtos importados mais competitivos, as indústrias do PIM precisam rever matrizes de custos e identificar claramente processos sem valor agregado. “Dólar baixo, concorrência desleal com a China e alta competitividade do mercado são alguns dos fatores que teremos de enfrentar ao longo deste ano. Apesar da expansão prevista de 10% na produção, não acredito em ampliação da mão de obra”, asseverou.

Tudo leva a crer que o setor pretende ultrapassar de fato o desempenho de 2008. Na Positivo Informática, uma das indústrias de computadores do PIM, as vendas até setembro (conforme balanço divulgado) cresceram 8,5% em 2009. Quem puxou o avanço foram os notebooks. Nos primeiros nove meses do ano passado, foram 500 mil unidades (alta de 51%). E mais 60 mil netbooks (93,7%). As ações da empresa subiram 230,62% em 2009, bem acima do Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo), que avançou 82,66%.

Para o economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), Paulo Martins Gomes, já era de se esperar que o impulso industrial no segmento de eletroeletrônicos não representasse aumento das frentes de trabalho. No entendimento do especialista, com a retomada do fôlego atividades internas, como custos com fretes, níveis de estoques, gastos com manutenção não produtiva e investimentos que não atingiram o retorno esperado precisam ser repensados. “Antes de reagir às consequências da baixa contratação, é compreensível que as indústrias locais trabalhem mais neste primeiro momento em soluções de como ampliar a escala fabril e os ganhos, postergando para o segundo semestre o mercado de trabalho”, complementou.

Em nota ao Jornal do Commercio, o economista e consultor da Marketing Manaus, José Ricardo Benayon, considerou que apesar da tendência de crescimento nas exportações de commodities, os produtos com valor agregado, como os bens de informática, enfrentam uma concorrência desleal com a China, impactando fortemente nas empresas brasileiras. “Na última década, tivemos uma enorme retomada na capacidade de compra da população, com as classes menos favorecidas inseridas no mercado consumidor. Este ano, nosso parque industrial teve de se modernizar, mas ainda carece de muito investimento para minimizar o impacto dos produtos chineses, além de ter que lidar com a grande carga tributária”, finalizou Benayon.

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