25 de junho de 2022

Renda domiciliar do Amazonas é a menor desde 2012

Real Moeda brasileira

O rendimento médio mensal das famílias do Amazonas caiu 9,29% entre o começo de 2012 e o fim de 2021, ao passar de R$ 893 para R$ 810. Foi o menor valor em dez anos. O Estado seguiu a tendência nacional, mas a remuneração domiciliar amazonense ficou atrás das médias brasileira (R$ 1.353) e das regiões Norte (R$ 871) e Nordeste (R$ 843) – os patamares mais baixos do país. Na outra ponta, Sul (R$ 1.656) e Sudeste (R$ 1.645) tiveram os melhores números. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua – Rendimento de todas as fontes 2021, do IBGE.

O levantamento mostra que a parcela da população amazonense com rendimentos de qualquer tipo também encolheu de 50,4% (2020) para 49,3% (2021), chegando a 2,02 milhões de pessoas, e no menor nível desde 2017 (49%). Vale notar que renda foi na direção contrária do avanço vegetativo da população do Amazonas, que cresceu de 3,5 milhões para 4,1 milhões em uma década. Segundo o IBGE, a redução dos rendimentos ocorreu em todas as regiões, mas foi mais forte no Norte (53%) e no Nordeste (56,3%) contribuindo para o aumento da desigualdade no país. O Sul (64,8%), por outro lado, continua com a maior estimativa, como nos anos anteriores. 

O fator pandemia é um divisor de águas. De um lado, a parcela da população com rendimentos oriundos do trabalho aumentou entre 2020 (33,7% ou 1,3 milhão) e 2021 (36,4% ou 1,4 milhão). Do outro, a fatia de residentes com rendimentos provenientes de “outras fontes” – com destaque  para programas de transferência de renda – foi na direção inversa, ao passar de 23,7% (960 mil) para 17,7% (727 mil). O IBGE explica que essa tendência ocorreu em todas as regiões, mas salienta que o maior peso do trabalho não compensou a diminuição a queda das demais fontes, deixando uma parte maior dessas populações a descoberto.

A categoria “outros rendimentos” – na qual se inserem os repasses para programas sociais – representou 11,4% (468 mil) da população residente e foi a única a expressar queda substancial, já que respondia por 17,3% do total em 2020. Aposentadoria e pensão ocupam a segunda posição (5,6% e 230 mil), seguidas por pensão alimentícia, doação e mesada de não morador (0,7%) e aluguel e arrendamento (0,4%). Estes dois últimos (R$ 341 e R$ 948) chegaram ao menor valor per capta mensal da série histórica.

Auxílio e desigualdade

No texto de divulgação do IBGE-AM, a analista da pesquisa, Alessandra Scalioni, explica que houve um “aumento importante” na rubrica de ‘outros rendimentos’ no primeiro ano da pandemia, em virtude do Auxílio Emergencial. As alterações ocorridas nos critérios de concessão e valores do benefício em 2021, entretanto, reduziram sua importância no bolo, com “menos gente ganhando e com o valor também diminuído”. O benefício esteve presente em 18% (202 mil) dos domicílios do Amazonas em 2021, correspondendo à metade da amplitude do ano anterior (36,1% e 395 mil).

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Com isso, o índice de Gini – onde valores próximos a um mostram desigualdade máxima e vice-versa – avançou em todo o país. Após relativa estabilidade em 2019 (0,544) e queda em 2020 (0,524), o rendimento médio mensal domiciliar por pessoa retomou o patamar de dois anos atrás. No Amazonas, o indicador pontuou 0,541 no ano passado, também superando 2020 (0,533). A distância entre o topo e a base subiu em todas as regiões mas, a alta foi mais forte no Norte e Nordeste, onde a proporção de pessoas que vivem dependem de programas transferência de renda é maior. 

Em sintonia com o avanço da vacinação e os números mais amenos da pandemia, o inverso se deu nos rendimentos do trabalho, que teve seu Gini diminuído de 0,513 para 0,481. “Esse resultado demonstra que o retorno de parte da população ocupada em 2021 reduziu a média de rendimento, mas melhorou o cenário da distribuição de renda do trabalho no Amazonas”, pontuou o IBGE-AM.

O Amazonas foi ponto fora da curva em massa mensal de rendimentos do trabalho. Esta avançou de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,7 bilhões entre 2020 e 2021, uma diferença de 8%. Em contraste a média nacional recuou 3,1% na mesma comparação, e não passou de R$ 216,7 bilhões. O IBGE avalia que o incremento se deve à “relativa estabilidade” do rendimento médio do trabalho em âmbito local e ao aumento da população ocupada, que saltou de 1,3 milhão (2020) para 1,49 milhão (2021).

Políticas públicas 

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que a queda no rendimento domiciliar per capita é o indicador que melhor reflete a situação da renda no ano passado. “A pandemia impactou diretamente o ganho financeiro das pessoas. O isolamento social e o aumento da desocupação inibiram o acesso à renda. Outro fator preocupante é a desigualdade nos rendimentos. De uma maneira geral, os dados mostram quão grave podem ser os reflexos econômicos da crise sanitária”, frisou.

O economista, advogado e consultor Farid Mendonça concorda que a pandemia pesou nos números, mas destacou também que estes apontam para lacunas em políticas públicas. “É uma sequência de situações que vivemos desde o governo Temer [2016 – 2018]. Sabemos que o salário mínimo está aquém da inflação e a população tem sua renda corroída. Há também diminuição dos postos de trabalho e 38% dos trabalhadores ganham apenas o mínimo. Mas, o governo se preocupava apenas com uma questão eminentemente fiscal e, agora, descumpre esse parâmetro de olho nas eleições”, lamentou.

Mendonça diz que o Planalto acertou no Auxilio Emergencial, contribuindo para o país atingir menor nível de miséria em 2021. Mas, ressalva que o caráter da medida foi apenas circunstancial, com efeitos ainda mais acentuados em âmbito local. “No Amazonas, nosso patamar é ainda inferior e esse é o padrão há anos. O governo, por outro lado, prefere atacar modelos exitosos, como o da Zona Franca de Manaus, como fez, ao editar os decretos de IPI”, encerrou.

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