Renda cresce 50% em 10 anos

A renda da família da classe média cresceu 5% ao ano, nos últimos 10 anos, segundo o estudo Vozes da Nova Classe Média, divulgado ontem pela SAE (Secretária de Assuntos Econômicos da Presidência da República). Um crescimento de 50,6% acima da média nacional de 32,6%. No Amazonas 32% da população é considerada classe média, o que impulsiona a criação de empreendimentos em regiões menos nobres da cidade.
O ritmo de crescimento fez com que a renda de um trabalhador da classe média subisse de R$ 382 para R$ 576. Segundo analisa o economista, Francisco Mourão, o trabalhador da classe média evoluiu sua condição financeira, ao mesmo tempo em que manteve os costumes e continuou morando em sua região. “Os gostos e os costumes ainda são de pessoas mais simples, eles não querem sair de seus bairros, com isso abre-se esse espaço para construção de shoppings e novos empreendimentos nestas regiões” destaca.
Francisco Mourão relembra que o governo estendeu o conceito de classe média, “A classe média virou mais abrangente e isso deve ser levado em conta, com isso reforça-se ainda mais a necessidade de se pensar nesse mercado consumidor”, reitera. Segundo definição apresentada por uma comissão de especialistas da SAE em julho deste ano, agora são consideradas classe média no país quem tiver renda entre R$ 291 e R$ 1.119. Segundo a comissão, para chegar a essa definição a secretaria levou em consideração o padrão de despesa das famílias, os gastos com bens essenciais e supérfluos e a probabilidade de retorno à condição de pobreza.

Empregos têm alta rotatividade

Pela primeira vez, mais da metade dos trabalhadores no Brasil são assalariados formais e mais de 75% dos assalariados no setor privado têm uma carteira de trabalho assinada. De acordo com o estudo o número de postos de trabalho subiu 20%, com ampliação de 16 milhões de vagas. Passando de 76 milhões para 92 milhões, no entanto a taxa de ocupação ficou estável em 60% se levarmos em conta que a população com idade ativa sofreu acréscimo de 19% no período.
A pesquisa também demonstra que o nível de escolaridade sofre um acréscimo de 27% no período. O número de anos de estudo saltou de 6,7 para 8,5. Sendo que cada ano extra de estudo costuma impactar em 8% a mais de renumeração. O economista Francisco Mourão critica os dados, “Deveriam ser dados qualitativos não quantitativos. Ainda há uma grande falta de qualificação, sobretudo aqui no Norte. O que acontece é que hoje se aprova o aluno mais facilmente, mas não há uma melhora em capacitação” questiona.
Apesar do crescimento na oferta de empregos e da renda os dados ainda demonstram certa insatisfação da classe média. Segundo a pesquisa 44% dos trabalhadores considera o emprego algo passageiro por que não tem algo melhor e 20% se sentem explorados no serviço em relação ao que ganham. Quatro em cada empregados não permanecem no emprego por 1 ano completo. A incidência é maior entre os de menor qualificação.
“Isso gera um prejuízo para as empresas com a alta rotatividade e todos os direitos que se tem que pagar. Os cerca 20% insatisfeitos é até um número baixo perto do número de trocas de empregos que vemos. Há uma mentalidade por aqui de não gostar do patrão e da empresa” opina.
Segundo os dados, a remuneração de um trabalhador da classe média aumetou 31%, mais de 3% ao ano, no período. 54% da força de trabalho são formadas por pessoas da classe média, o que equivale a 47 milhões e 55% destes atuam no setor privado. A pesquisa levou em consideração os anos de 2001 a 2011.
Uma das propostas da SAE é vincular parte do subsídio do trabalhador a realização de cursos técnicos, para buscar assim ampliar o conhecimento e capacitação dos trabalhadores, além de diminuir o incentivo para interrupção de vínculos trabalhistas, buscando reduzir a alta rotatividade nos empregos.

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