Redução de impostos pode evitar demissões

Para impedir uma possível onda de demissões na capital, cujo volume alcançaria entre 10% a 15% do efetivo atual (calculado em até 14,2 mil pessoas, não contabilizados os temporários e terceirizados), os empresários do comércio amazonense querem que o governo estadual estude incentivos fiscais semelhantes aos dispensados à indústria amazonense.
Entre as propostas para evitar o achatamento do quadro funcional, os comerciantes defendem a redução no aperto fiscal para reativar os investimentos no comércio local, além de cortes temporários no pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na taxa de energia elétrica.
O presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, afirmou que o governo deve analisar com cuidado o atual cenário de necessidade por liquidez e a adoção de uma política de taxas com juros baixos em que o comércio vem passando. Fazendo alusão às incertezas geradas pela crise financeira que atingiu a indústria local, o executivo apontou a política fiscal como o instrumento mais eficaz para reanimar a atividade econômica em retração pela qual o mercado poderá passar no segundo trimestre. “A redução no arrocho fiscal é justa e poderá significar um incentivo a mais para o empresariado continuar investindo e contratar mais ao invés de reduzir o quadro funcional”, asseverou.
Na avaliação de Tadros, para colocar em prática uma política fiscal anticíclica, como tem sido feita pelos principais países desenvolvidos, é preciso mudar a natureza do atual ajuste fiscal, cortando impostos e priorizando os investimentos em infraestrutura, fortes indutores dos investimentos privados, em detrimento dos gastos correntes. “A redução temporária dos tributos poderia impactar diretamente na redução do percentual de desemprego, que em abril deve alcançar entre 5% a 7% do efetivo, enquanto os níveis de inadimplência podem avançar apenas 2% a 2,5%. A aplicação dos incentivos desanuviaria a pesada carga de tributos que o comércio hoje tem que carregar”, desabafou.
Na avaliação do economista Thiago Freitas, a falta de incentivos fiscais e a alta carga de tributos se refletem na economia local por meio do crescente número de informais, o que contribui para explicar o resultado tão adverso na evolução do comércio manauense. “Percebo que o governo local está agindo com medidas pontuais para enfrentar a escassez de crédito e a queda na produção do polo industrial. Mas parece esquecer que o comércio é o termômetro principal de qualquer economia e o setor que mais contrata na capital”, criticou Thiago Freitas.
O fato de o comércio local representar o segundo maior salário de toda a região Norte com a aprovação do novo piso salarial da categoria, cuja variação está entre R$ 460 e R$ 495, dependendo do grau de instrução, foi lembrado pelo empresário varejista Teófilo Gomes como trunfo para persuadir o governo a desanuviar a carga de tributos. O comerciante concorda com a análise de Thiago Freitas, acrescentando que o impacto da folha salarial no bolso dos empresários das pequenas e microempresas (62% do total de empresas da capital), cuja mão-de-obra em sua grande maioria é remunerada com base no piso, será praticamente na mesma proporção da correção, ou seja, de 6,02%, sobre o valor da folha de pagamento. “Cabe ao setor público puxar os investimentos em áreas de desenvolvimento fiscal e, ao mesmo tempo, na criação de empregos para recriar um ambiente favorável ao setor privado, pois sem investimentos é impossível sustentar a atual massa salarial e efetivar a evolução do emprego e renda na capital”, finalizou.

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