Quase trinta anos depois: dois congressos e dois caminhos

Em agosto de 1981, ocorria na Praia Grande em São Paulo o primeiro Congresso da Classe Trabalhadora – CONCLAT. Era parte do processo de retomada da organização dos trabalhadores que nascia ainda sob ditames do regime autoritário. Nesse evento estavam presentes várias correntes e facções do sindicalismo brasileiro, cinco mil trabalhadores e, entre eles, o atual presidente da republica. Na pauta constavam direito ao trabalho, saúde, previdência social, política econômica e salarial e o projeto de criação de uma nova central que fosse capaz de responder aos desafios e as tarefas colocadas para aquele período.
O que era para ser um congresso de unificação se dividiu em dois projetos de centrais, CUT e CGT, que se desenvolveram e protagonizaram os caminhos e descaminhos das lutas dos trabalhadores brasileiros nesses trinta anos. A CUT, mais classista, cresceu defendendo a liberdade e autonomia sindical e combatendo os entulhos herdados do governo de Vargas, os quais impediam a livre organização dos trabalhadores.
No decorrer desse período surgiram outras centrais sindicais e também ocorreram mudanças substanciais tanto no mundo do trabalho, com a flexibilização produtiva, quanto no âmbito político, com a abertura democrática e, dentro dela, com a ascensão da Frente Popular ao poder. Para essas centrais e especialmente para a CUT, representava uma vitória dos trabalhadores.
Nesse mês de junho ocorreram dois Congressos. Um convocado por cinco Centrais Sindicais, entre elas a CUT, que se realizou no Estádio do Pacaembu em São Paulo, com a presença estimada em vinte e dois mil trabalhadores. Outro convocado por entidades tais, como Conlutas, Intersindical, Pastoral Operária, entre outras, realizado no Centro de Convenções Mendes em Santos e que contou com mais de 4 mil, entre delegados e observadores. Esse segundo tinha o objetivo de aprovar um programa e criar uma nova central sindical. Fato que se reveste de grande importância se visto numa perspectiva histórica de como as forças sociais estão se reorganizando no país.
Esses fatos políticos, embora obscurecidos pela predominância de notícias acerca do processo eleitoral, têm grande significação histórica porque dizem respeito à consolidação de formas de organização política e germinação de outras forças que atuam no sentido de questionar e até negar a hegemonia das grandes centrais sindicais, hoje muito alinhadas com o governo de Frente Popular.
Ainda de forma silenciosa e embrionária está ocorrendo um processo de reorganização dos trabalhadores que antes tinham como referencia as centrais sindicais tradicionais. Está se falando aqui de um movimento que envolve trabalhadores de setores estratégicos da economia tais como petroleiros, metalúrgicos, mineiros, assim como de outros setores tais como bancários, comerciários, segmentos estudantis e movimentos populares.
É nesse sentido que o Congresso que ocorreu em Santos se reveste de significação histórica. Porque além de organizar os trabalhadores formais, incorpora outros segmentos sob uma mesma centralidade. O Congresso realizado em Santos pode se constituir em uma novidade e pode se tornar uma referência importante para os processos sociais numa escala de tempo de curto e longo prazo.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email