Voto secreto ganha mais importância, que os problemas da cidade

Qualquer assunto debatido na CMM (Câmara Municipal de Manaus) pode se transformar, de uma hora para outra, em discussão e briga. O impasse da semana, que já gerou polêmica entre os parlamentares, é a proposta de recriar o ‘voto secreto’ para vigorar durante as eleições da Mesa Diretora da Casa. A proposta é do vereador Wilton Lira (PTB) e já dividiu opiniões dentro da Câmara, a ponto de oposição e situação ficarem do mesmo lado. Diante do embate o presidente da Casa, vereador Luiz Alberto Carijó (PTB), criticou os demais parlamentares e desprezou as discussões sobre o tema. Segundo ele, existem problemas mais urgentes que a CMM precisa debater, mas continua a se prender em assuntos menos importantes. Já o oposicionista, José Ricardo, Wendling (PT) afirmou que tornar o voto secreto, tiraria a ‘pouca independência’ que a Câmara ainda tem.
A cidade de Manaus passa por um período complicado, em termos de infraestrutura, transporte coletivo e serviços de abastecimento, mas os vereadores, responsáveis pela elaboração de Leis e fiscalização da administração pública, insistem em criar disputas pessoais e discutir assuntos de menor importância. Esta também é a preocupação do presidente da CMM, vereador Luiz Alberto Carijó (PTB), pertencente à base de situação. Para ele, discutir sobre o Projeto de Resolução que torna secreto o voto nas próximas eleições para a presidência da Casa, é direito dos parlamentares, mas é inadequado e prejudica a imagem da Câmara diante da população.

Carijó ‘puxa orelha’ de colegas da CMM

“Estamos num momento de discussões muito importantes para cidade de Manaus e para a população da nossa cidade. Temos problemas graves que necessitam da nossa intervenção, como representantes do povo, como agentes políticos e até mesmo como cidadãos. Transporte Coletivo, obras infra-estruturais para adequar a cidade para a Copa de 2014 e para desenvolver toda nossa potencialidade turística, Plano Diretor de Manaus, e tantas outras questões que são vitais para o bem estar do nosso povo. É só vermos o quanto foi importante nossa intervenção no caso dos investimentos da Petrobrás na Reman. Como presidente desta Casa questiono: – Será que não estamos gastando nossas energias numa questão interna em detrimento de algo maior que são os problemas da cidade?”, argumentou Carijó.

Mais um motivo foi apontado por Carijó para considerar infrutífera a discussão antecipada da eleição para a presidência da Casa. É que a decisão sobre quem será o novo presidente, na visão de Carijó, passa necessariamente pelo novo quadro político que vai se definir após todo o processo eleitoral no Estado. “É claro que as forças políticas vão se articular como sempre aconteceu”, relembrou Carijó. Frisando tratar-se de um entendimento pessoal, Carijó também considerou um retrocesso voltar a existir o voto secreto na Casa. “Abre precedentes para que se questionem outras votações abertas e não gostaria de ver isso acontecer já que lutei muito para acabar com o voto secreto”, previu. Em resposta aos que dizem que o voto secreto para a eleição a presidente evitam pressões e coação, Carijó diz que não existe mais voto de cabresto. “Com a abertura que existe hoje principalmente na imprensa não há quem queira ainda se submeter a esse tipo de coisa. Mas, seria hipocrisia não dizer que há uma pressão normal em todo processo político e cabe a cada um de nós fazermos valer nossas convicções. E porque não fazer isso de forma clara e transparente através do voto aberto?”, indaga novamente.
Desta vez, o assunto não interessa apenas aos vereadores, mas diz respeito à transparência da Casa perante à sociedade. Daí a preocupação do presidente da Casa e a união de oposição e situação. O vereador José Ricardo Wendling (PT) que faz oposição ao governo municipal, concorda com o vereador Carijó, que é contra o voto secreto para eleição da Mesa Diretora da Casa. Para Wendling, o povo quer e tem o direito de saber o que os parlamentares votam e aprovam no parlamento municipal. “Defendo o voto aberto e a independência do poder legislativo”. De acordo com o parlamentar, quem defende o voto secreto, alegando “pressão” por parte do prefeito, deveria também se preocupar com matérias que vêm do executivo e que são aprovadas “em rolo compressor”. “Esse assunto deve ser discutido mais para o final do ano. No momento, me preocupo com os problemas da cidade”, diz ele, que, recentemente, questionou na Justiça a Taxa do Lixo e o aumento da tarifa do ônibus.

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