17 de agosto de 2022
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Projeto Raízes do Purus beneficia cerca de 1.500 indígenas no Amazonas

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O Projeto Raízes do Purus, direcionado aos povos indígenas das etnias Jamamadi, Paumari e Apurinã nas cercanias da porção média do Rio Purus (o Médio Purus), no estado do Amazonas, completa dois anos com excelentes resultados. Graças ao projeto, os indígenas aprenderam boas práticas de manejo dos recursos florestais e pesqueiros de suas terras. Conheceram e implantaram Sistemas Agroflorestais (SAFs) para garantir sua segurança alimentar e reflorestar áreas degradadas. Elaboraram o Plano de Gestão Territorial e Ambiental do território Jamamadi. Fortaleceram a cadeia de produtos que cultivam para subsistência e comercializam para a geração de renda. Além disso, aperfeiçoaram, técnica e administrativamente, suas relações com a cooperativa que adquire seus produtos para revender, graças ao suporte dado à instituição pelo projeto. Cerca de 1.500 indígenas foram beneficiados. O projeto é coordenado pela ONG Operação Amazônia Nativa (Opan) e apoiado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
O Projeto Raízes do Purus não interfere na cultura indígena. Tendo em vista demandas dos próprios povos indígenas das etnias Jamamadi, Paumari e Apurinã, consolida propostas de trabalho da Opan e dá suporte aos indígenas para implementarem essas propostas. “O que fazemos não é assistencialismo. Há, sim, uma parceria, pois a Opan atua no Médio Purus há mais de dez anos e, há 46 anos, trabalha pelo fortalecimento do protagonismo indígena nos cenários regional e nacional, valorizando a cultura indígena, sua organização social e qualificando práticas de gestão de territórios e recursos naturais, de forma sustentável, com autonomia assegurada a cada povo”, explica a jornalista Carla Ninus, responsável pela comunicação do projeto.
No caso de povos da etnia Jamamadi, que abrange grupos de origens diferentes que dividiram suas terras por conta de divergências, a equipe do projeto (formada por indigenistas, uma jornalista e profissionais das áreas administrativa, financeira e de logística) auxiliou os nativos a elaborarem um Plano de Gestão Territorial e Ambiental da terra indígena (TI) onde vivem. Facilitou diálogos, publicou esse plano em livro e, agora, ajuda os indígenas a implementarem o que ficou estabelecido quanto à gestão da terra e dos recursos locais.
Os Jamamadi também aprenderam, no âmbito do projeto, mediante oficinas promovidas e intercâmbios, boas práticas de manejo de óleos florestais, como os de andiroba e copaíba, pelos quais sua terra se notabiliza. Assim, passaram a agregar valor aos produtos, graças a práticas sustentáveis, e a precificar itens de forma justa. Medidas simples adotadas, como tampar os orifícios por onde se extrai o óleo das árvores após a retirada, para que pragas não penetrem ali e o recurso continue disponível mais adiante, fizeram diferença. Hoje, asseguram a sustentabilidade de gerações futuras, uma grande preocupação dos Jamamadi.
No que se refere aos povos da etnia Paumari, pescadores por excelência, o projeto lhes forneceu os ensinamentos necessários ao manejo sustentável do peixe pirarucu e o conjunto de práticas adotado tornou-se uma tecnologia social (técnica simples, de baixo custo e fácil aplicabilidade que soluciona problema e tem impacto social comprovado) certificada e premiada nacionalmente. Hoje, após terem suspendido a pesca do animal temporariamente para possibilitar sua reposição pela natureza, os indígenas incorporaram a filosofia de manejo sustentável à pesca de outros peixes e quelônios de água doce (jabutis, tartarugas, tracajás) que fazem parte de seu cardápio. “Eles introjetaram a cultura de que não devem pescar filhotes e fêmeas em época de reprodução e desova, por exemplo, e isso virou regra estabelecida e disseminada”, conta Carla Ninus. Mediante armadilhas fotográficas, a equipe do projeto, em parceria com técnicos do Instituto Piagaçu, também auxiliou os Paumari a inventariarem sua fauna, rica em onças, antas, macacos e quelônios diversos. O feito, inédito na região, vai constar em livro ainda a ser publicado como um dos resultados do projeto.
Em relação aos povos da etnia Apurinã, localizados em terras infestadas pela erva daninha denominada furão, o projeto os treinou para, nas áreas degradadas, implantarem Sistemas Agroflorestais (SAFs) com práticas de agrossilvicultura (sistemas que aliam culturas de árvores madeireiras e frutíferas e culturas de hortaliças). Hoje, são cultivados ipês, mognos, castanheiras, cupuaçu, açaí, buriti, banana, laranja, abacaxi e mandioca, dentre outras culturas, naquelas terras. Esses povos também aprenderam, em oficinas, intercâmbios e mutirões, boas práticas de manejo da castanha-do-brasil. Hoje, sabem como selecionar as amêndoas, lavar e disponibilizar para venda, a preço justo, a uma cooperativa que revende o que é extraído pelos povos do Médio Purus.
O projeto fortaleceu, ainda, essa cooperativa parceira, por meio de cursos oferecidos à equipe da instituição e suporte técnico-administrativo. Os funcionários da cooperativa passaram a entender melhor o mercado dos produtos comercializados, inserir adequadamente os produtos com valor agregado extraídos da floresta pelos indígenas de forma sustentável e lidar melhor com as rotinas administrativas do negócio.
Por fim, o projeto contribuiu para, juntamente com a Funai no Médio Purus, dar voz aos povos indígenas das etnias Jamamadi, Paumari e Apurinã, consolidar suas demandas, atendê-los em suas necessidades, fortalecê-los politicamente mediando conflitos e aumentar sua auto-estima. “Infelizmente, ainda existe um preconceito por parte de quem vive nas cidades em relação aos povos indígenas, considerados atrasados, contrários ao desenvolvimento. Desprezam sua sabedoria, seu vasto conhecimento da natureza, suas contribuições efetivas e suas possibilidades. Mas temos trabalhado para melhorar esse cenário e, a cada dia, fazemos progressos. Ainda há muito trabalho pela frente, mas os primeiros passos já foram dados”, comemora Carla.

Programa Petrobras Socioambiental
Por meio do Programa Petrobras Socioambiental: Desenvolvimento Sustentável e Promoção de Direitos, a Petrobras investe em projetos de todo o Brasil, com foco nas linhas de atuação Produção Inclusiva e Sustentável, Biodiversidade e Sociodiversidade, Direitos da Criança e do Adolescente, Florestas e Clima, Educação, Água e Esporte.

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