14 de agosto de 2022
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Super oferta agrava setor hoteleiro

Setor hoteleiro vive dilema pós-Copa, com aumento de leitos e baixa procura por hospedagem

Um ano depois da na Copa do Mundo do Brasil, o setor hoteleiro continua retraído. Mesmo com a FIFA apontando Manaus como a cidade-sede com o melhor desempenho no mundial de futebol, não foi suficiente para garantir um bom resultado em 2015. Agora o setor tenta sobreviver à crise que, segundo especialistas, piorou com o boom imobiliário de hotéis na capital amazonenses. Hoje, diante do cenário econômico cada vez mais recessivo, a perspectiva para o fechamento do ano é pessimista.
Por outro lado, a solução para driblar a crise está nas mãos do poder público, afirmam os empresários amazonenses. Eles defendem ações que promovam a desoneração tributária específica para o setor de serviços, inclusive o retorno do comércio da Zona Franca de Manaus, com vantagens sobre os demais Estados e a recuperação do Centro Histórico de Manaus principal ponto turístico da capital amazonense.
De acordo com o presidente do Sindetur (Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Amazonas), Mário Tadros, a crise no setor hoteleiro já vinha sendo anunciada desde antes da Copa do Mundo de 2014, com o boom da construção de hotéis em Manaus. Nós dizíamos: Para a Copa vai ficar uma ocupação razoavelmente boa, e depois como é que faz?”, lamentou.
No entanto, a queda na ocupação foi acentuada diante da crise econômica e institucional que vem assolando o país, chegando a patamares ainda mais preocupantes. “Essa situação que nós estamos vivendo agora, nós já esperávamos, só que ela foi agravada”, avaliou.
O pós-Copa chegou e Tadros lamenta não haver novidades no setor hoteleiro para driblar esta crise e combater a baixa ocupação. “Lamentavelmente não existe nenhum fato novo. Porque o que está tomando conta da hotelaria toda, é a preocupação com a situação do jeito que está hoje”, observou.
Apesar de alertar sobre a super oferta de leitos em Manaus, com a construção de novos hotéis, nada foi feito pelos governantes para minimizar esta situação. “Tinha um pessoal com uns números que nós não sabíamos da onde vinham, dizendo que estava precisando era de mais hotéis. Nós contestamos e, esse pessoal que cria esse problema some de vista”, desabafou.
Na opinião do presidente do Sindetur o setor precisa sobreviver e, a falta de novidades faz com que os empresários do setor cortem investimentos, custos e pessoal para poder sobreviver diante da crise. “Na hotelaria tem que enxugar custo e cortar serviço. Não tem muito o quê fazer. Nós precisamos sobreviver”, disse.
Agora o setor espera contar com o poder público na questão tributária, fiscal e, principalmente na recuperação do Centro Histórico de Manaus, importante vetor do turismo da cidade. “Qualquer coisa que for feita para manter a atividade operando já é lucro. A região do centro histórico é uma das áreas mais importantes para manter a atividade hoteleira e precisa ser dada a devida atenção”, frisou Tadros.

Retorno do comércio da Zona Franca

Outra alternativa para o centro da cidade, é retomar o comércio da ZFM (Zona Franca de Manaus). Criar dispositivos legais, dando vantagens para atrair o turista nacional a fazer suas compras na capital amazonense, ao invés de ir até Miani, na Flórida (EUA). “Esse seria um motivador, levantar essas questões de destino de compras. Aliás, que nunca deveria ter acabado”, frisou.
Enquanto as alternativas não chegam, as perspectivas para o fechamento de 2015 não são nada animadoras e, o presidente do Sindetur prefere não falar em números. “Está terrível, ninguém tem a menor ideia. Eu só sei que está muito ruim e a palavra é sobreviver no mercado recessivo”, ratificou Mário Tadros para o Jornal do Commercio.
Com uma visão mais otimista, o gerente Regional de Vendas da Atlantica Hotels, Ygor Neves, vê no mercado para eventos corporativos uma alternativa para manter a ocupação. “A Atlantica vem realizando um trabalho cada vez mais próximo às empresas e agências de viagens locais buscando a manutenção de clientes e prospecção de novos”, informou.
Desde que a rede de hotéis percebeu o cenário que vinha se formando, começaram a otimizar custos, a rever negociações importantes visando estar um passo à frente do mercado. “Além disto, oferecemos serviços aos nossos clientes que estejam alinhados às suas necessidades, de tal forma, que os custos de uma viagem corporativa sejam otimizados”, disse o executivo.
Sobre o mercado para eventos corporativos, Neves observou que houve uma leve retração, inclusive nos demais segmentos de turismo com hospedagem (turismo esportivo, ecoturismo e business). “Mesmo no momento de crise, algumas empresas continuam investindo em treinamentos, mas o volume caiu, não apenas no corporativo”, disse.
Segundo Neves, Manaus, só sediou um evento de grande porte neste ano que gerou ocupação para todas as regiões da cidade. E, há apenas mais um evento previsto ainda para este ano. “Apesar de termos uma malha aérea muito boa, muitas vezes os preços do aéreo inviabilizam a realização de alguns eventos. Portanto, apostamos cada vez mais nos eventos locais”, explicou.
Ainda segundo Neves, o maior gargalo do setor está na falta de divulgação dos destinos turísticos e de negócios em Manaus. O que acaba prejudicando mais o segmento do que a alta do dólar, já que todas as negociações de serviços e produtos são realizadas em Real. “Na prática, a alta do dólar seria muito melhor para o mercado hoteleiro, tendo em vista o potencial dos viajantes estrangeiros, pois fica mais barato para este público comprar nossos serviços. Porém, ainda precisamos de uma divulgação mais efetiva no mercado internacional”, concluiu.
O gerente Regional de Vendas da Atlantica Hotels, também não mencionou a expectativa de ocupação para o fechamento de 2015 e nem a projeção para 2016, mas por política interna da empresa. “Não divulgamos expectativas e nem projeções de ocupação”, finalizou Ygor Neves.
Procurado pela reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas), Roberto Bulbol, não retornou as ligações até o fechamento da matéria, nem respondeu os e-mails enviados, para confirmar se a taxa de ocupação no Amazonas ficou abaixo de 37%, expectativa de fechamento do primeiro semestre de 2015.

Tanair Maria
[email protected]

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