Projeto Galerias Populares sai do papel

O projeto ‘Viva Centro Galerias Populares’, da Prefeitura de Manaus, sai do papel e é apresentado para a sociedade amazonense. O lançamento foi realizado na manhã de quinta-feira (13), primeiro para o secretariado municipal e, na sequência, para os maiores interessados, os camelôs, que aguardavam ansiosos pela assinatura do Termo de Adesão, ao projeto, realizado no posto provisório de atendimento localizado na esquina das ruas 24 de Maio e Joaquim Sarmento, onde funcionará uma das galerias definitivas.
De acordo com a prefeitura, a ideia é fazer um cadastro dos interessados com os locais escolhidos por eles, para depois organizar a mudança. Um sorteio ajudará a definir as lotações, conforme a demanda por cada espaço. O projeto prevê a retirada de 637 camelôs que estão instalados na Praça da Matriz e nas avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro.
Segundo o prefeito Arthur Neto, os camelôs ficarão em espaços temporários para dar celeridade aos trabalhos de recuperação do centro histórico. “Queremos celeridade nesse projeto, que não vai parar. Juntos, vamos mostrar que é possível requalificar o Centro Histórico primeiro para a sociedade e para os camelôs”, disse. O prefeito também quer preparar a cidade para receber os turistas que virão assistir aos jogos da Copa. “O que queremos é oferecer a solução para os camelôs e para a cidade, que terá suas calçadas desocupadas e recuperadas”, disse.
A Semc (Secretaria Municipal do Centro), com apoio das demais secretarias municipais envolvidas em questões sociais e de ordenamento urbano, já dispõe de três áreas prontas para receber os camelôs. A galeria provisória localizada na rua Epaminondas, terá capacidade para 233 bancas; na rua Floriano Peixoto, mais 213 e na rua Miranda Leão, outras 211, no total de 657 bancas.
Segundo o secretário da Semc, Rafael Assayag, os camelôs além de escolherem em qual dos três espaços definitivos querem trabalhar, podem optar por um financiamento de até R$ 10 mil reais para investirem em outro negócio, deixando de exercer a atividade informal. “É a extinção dos camelôs nas ruas de Manaus. Eles são transformados em microempreendedores, eles saem da mão do agiota, do pequeno traficante que ficam distribuindo drogas naquela região, dos maus fiscais que gostam de extorquir gente. Eles saem de uma situação de reféns de toda essa desorganização e desses aproveitadores, passando a serem donos do seu próprio negócio”, informou.
Foram cadastrados os camelôs proprietário das bancas que estavam trabalhando em 2013, que terão direito aos boxes. Ainda segundo Assayag, Manaus precisa estar preparada para a Copa, por isso os camelôs estão sendo deslocados para as galerias provisórias. “E já contando com o risco de ocorrerem perda de vendas durante o processos de transferência dos camelôs, o prefeito assegurou uma bolsa de estudos de qualificação e empreendedorismo em parceria com o Sebrae-AM, com o intuito de aprenderem a comprar, a vender, a gerir seu próprio negócio. Uma coisa é ter uma banca na rua, outra é ter uma loja no shopping. Esse projeto tira o camelô da zona de risco e o coloca num patamar superior”, comemorou.
De acordo com o prefeito Arthur Neto, serão investidos aproximadamente R$ 50 milhões na qualificação dos camelôs, oriundos do Fumipec (Fundo Municipal de Fomento à Micro e Pequena Empresa). “Não quero o mal dos camelôs. Só quero que desobstruam as ruas e que tenham a oportunidade de crescer na vida”, declarou.
Dados da Semc revelam que há 2.082 camelôs no centro da cidade, no perímetro das avenidas Leonardo Malcher, Luiz Antony, Joaquim Nabuco e na orla do Rio Negro. Duas das três galerias populares definitivas já estão prontas para receberem as obras de adaptação. No projeto arquitetônico, as estruturas terão mezaninos para receberem os serviços de atendimento ao cidadão, praça de alimentação, além de bancas completamente padronizadas.
A Galeria Espírito Santo, está localizada na esquina das ruas 24 de Maio e Joaquim Sarmento, terá a capacidade para abrigar 326 dos trabalhadores. A Galeria dos Remédios, no antigo Posto Sete, na avenida Miranda Leão, receberá 361 comerciantes, onde o prédio anexo também foi desapropriado para servir como local provisório.
“Além desses dois locais, que já desapropriamos, teremos ainda o Shopping T4, que ficará em frente ao Terminal de Integração do Jorge Teixeira. Serão 18 mil metros quadrados de área construída, com capacidade para mais de 700 microempresários e, aproximadamente, 300 vagas de estacionamento”, adiantou Arthur.

Capacitação

Enquanto permanecerem nos locais temporários, os camelôs receberão uma bolsa no valor de um salário mínimo para participarem de cursos de qualificação profissional junto ao Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas) e Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas).
Para o presidente do Sincovam (Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes de Manaus), José Assis, a proposta representa mais dignidade e qualidade de vida para os camelôs. “Precisamos avançar. Manaus precisa de cara nova e, mais que tudo, precisamos acabar com o preconceito existente contra os camelôs. Queremos chegar em casa de cabeça erguida e sermos reconhecidos como profissionais que contribuem para trazer lucro e renda para a capital”, disse.

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